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Mare Nostrum

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

By Fátima Tardelli – in Oceanos Vitrais II

I
A tarde finda, que tristeza!
Mais uma noite, sozinha, sem ti!
Meus olhos te seguem,
(me miséria)
Migalhas de amor,
Ver-te assim, dos meus sonhos fugir

II
Sou um grão de areia,
Jogado no monturo,
Quem poderá me notar?
Se ele me nota, desfaleço
Quanto emoção consegue ele despertar!

III
Tu és o (meu) Quixote querido?
Alguma resposta podes me dar?
Conheço teu rosto agora,
Não fujas!
Até nos vales estreitos
Hei de te buscar!

IV
Beba meu vinho,
Deixe tais licores…
A festa eu meu reino é mais doce,
Sem nada (músicos, menestréis ou bobos a atrapalhar)
Somente dois amantes a se amar!

V
Meu nome vem de tais terras,
Mas sheiks não me conheceram jamais!
(De haréns passei a largo)
Sou livre para amar quem eu quero,
Sem grilhões (ou eunucos) a me aprisionar
Que me perdoem todos os sheiks árabes ,
Mas eu roubei camelos, ouros e tendas…
Se queres me presentear,
Presenteie-me realizando meus sonhos,
Só entenderei se assim o fizer,
O sonho de toda mulher é amar.

VI
Caminho sozinha há tempos,
Sem cavalheiro algum a me acompanhar,
Os que encontro são plebeus covardes,
Que ignoram sentimentos,
Só fazem magoar.

VII
Meus braços abertos à espera,
Convido-te a chegar,
Encontres comigo as delícias do amor,
Por certo não o deixarei jamais
À teus recantos retornar

(Jan: 10, 2008)

Horizontes

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

By Fátima Tardelli – in Úmida Solidão

Solidão a dois….
De dia…..
Faz calor
Faz frio
(cadê meu cobertor de orelha?)
Você aí sozinho,
Eu aqui também….
Sozinhos separados,
Sozinhos, solitários
Melhor seria se tivéssemos
Sozinhos juntos
Pois a solidão só é doce
Se acompanhada da doce
Angústia da espera
….
Onde está ela?
Que te deixa só?
Onde está ele?
Que não está comigo?
E se cansarmos da solidão?
E se voltarmos nossos olhos para outros horizontes?
A solidão úmida
Pode ser de lágrimas,
Mas lágrimas podem secar
O mar de lágrimas
pode tornar-se
sorriso solar.

(Jan: 03, 2008)

Básico Instinto

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

By Fátima Tardelli – in Oceanos Vitrais IV

I
Passeei por mares,
Andem por praias,
Vasculhei desertos,
Em busca de um amor,
Em busca de um alento,

II
O que eu ouvia?
Sussurros, ecos,
Chorava eu com maestria,
Dancei na chuva
(mas não com a alegria de Geene)
Lágrimas salgadas desciam por meu rosto,
Quisera eu um Fred a dançar comigo!

III
Senti-me pequena, tristonha, abandonada,
Não tenho eu um amor para me abraçar!
Um certo menino me abandonou,
Posso eu outro conquistar?

IV
Mar revolto, meu peito a farfalhar,
Doa a quem doer, vou encontrar…
Lápides não, Fui lapidada!
Acaricie meus pés, não minhas pegadas!
V
Sonhos não doem, pesadelos o fazem
Se lutares por eles, podes conquistar.
Mas de sonhos estou farta, querido,
Já sonhei, lutei, perdi…
Agora não sou eu quem vai para a guerra,
Lutar…

Se me amares,

Poderia eu recusar?
(se recusa um amor, um gostar?)
Qual mulher que, sendo amada,
Não ama? Posso perguntar?

VI
Renovastes minhas esperanças,
Refizestes minhas crenças,
Acordastes meus amores,
Fiz viver Alexandria nos teus livros,
Se és livro, compartilhamos a mesma estante..
(se queres ser amado, pare e pense um só instante)

VII
Não tragas presentes,
Não tenho eu etiqueta de preço,
Só quero um coração e sonhos,
O primeiro para galopar com o meu,
O segundo, para compartilharmos,
Vitrais? Não é pela janela que quero te olhar!

(Jan: 10, 2008)

Memórias Póstumas de Um Amor Inconformado

Posted in Acróstico Clássico, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(tudo pode acontecer quando se ama!)

Estive analisando todas essas situações
                                                    que nos impedem
Unicamente de sermos felizes!

Sordidamente, meus dias não ficaram
                                                    mais transparentes….
Imaginava-me alguém disposto a fazer descobertas,
Num mundo que para mim perdeu o seu valor exato!
Tantos foram os motivos, que acabei me enclausurando,
Operando meus instintos como um ser
                                                   paleolítico moderno!

Quem pode me salvar? – grito eu, num distante
                                                  mundo que vivo!
Um silêncio paira sobre meus reflexos,
Evasivamente me decomponho em fragmentos…

Era um simples falar, um simples olhar, e só!
Simplesmente isso!
Tudo em volta perdeu o brilho!
O brilho que antes imagina ter quando te conheci,
Um dia foi assim, um brilho contemplativo
                                                      que se apoderou de mim!

Mãos que me escreveram!
Olhos que me guiavam!
Risos que me confortavam!
Rostos que se encontravam!
Entre um beijo e outro, um forte
                                           sentimento de luto que
Necessitava da minha angustia!
Dores que causei assim…
Ou simplesmente, o desprezo?

Alguém, no entanto sofria assim…

Carreguei teus sonhos, os teus dilemas,
As tuas malas, com as tuas roupas e jóias,
Da estação até o nosso recanto!
Ainda sinto teu perfume! Sinto tua presença!

Dediquei-me ao sofrimento e a ausência,
Imperei num reino falido e me tornei promíscuo!
Alguém, no entanto sofria assim…

Quantas lembranças, quantas saudades!
Um dia foi assim, um brilho contemplativo
                                                     que se apoderou de mim!
Era um simples falar, um simples olhar, e só!

Passei meus dias, condenado no vazio
                                                                     de minhas ruas…
As ruas que tiveram o privilégio de nos conhecer!
Sempre imaginei que meus dias tivessem manhãs,
Sempre imaginei, nas tardes,
Aconteciam as noites, naturalmente!

Era um simples falar, um simples olhar, e só!
Na estante da sala, tua foto me contempla,
Traz recordações, em que podia na juventude
Aprisionar o tempo, e então escrever histórias,
Ou poemas! Ou algo que nos pudesse deixar
                                                                     frente a frente!

Risquei poemas, ouvindo as nossas músicas (*)
Enquanto olhavas para mim…
Silêncio, porque sempre me acompanhas?!!
Ouço tua voz nas minhas linhas,
Levavas sempre um novo beijo, um novo sentir!
Ventos! O que me trazes aqui?
Isso não é resposta!

Era um simples falar, um simples olhar, e só!
Subi as escadas e fui até…
Como acontecem vazios?
Ri desesperadamente de mim, feito um
                                                         palhaço ou algo!
Estava eu, completamente enganado
  em ver tuas coisas sobre a cama…
Ver tuas coisas sobre a nossa cama!
Era um desafio que deveria enfrentar: a solidão!
Ri tragicamente de mim, feito em pedaços ou algo!

Alguém, no entanto sofria assim…
Larguei meus livros, escondi nossos CDs…
Guardei-os numa caixa,
Um a um, dava um tempo…
Minhas mãos trêmulas,
A visão turva em chuvas,
Sorria eu, dementemente, pelas existências
                                                                            dos fatos!

Poemas, agora sem musa, sem perfumes
Alguém, no entanto sofria assim…
Larguei-me em luto!
Alguém, no entanto sofria assim…
Vazios, eu e os dias!
Ríamos feitos loucos, na insanidade!
A insanidade chegou no limite do saber?
Sociedades, são ansiedades?

Que me respondam, por favor!
Últimos suspiros, a xícara com meu café preferido,
                                                                     amargurou-se!
E de desgosto, fecharam-se as ruas de “nossa casa”!

Ríamos feitos loucos!
Eu e as noites insanas…
Tudo começava a ser insano:
Recordações…
Abraços…
Telefonemas…
Alguém, no entanto sofria assim…
Meus escritos faltavam sentenças!

Uff!
Me esqueci dos porquês!

Por quê?
Originalmente pecamos quando nos encontramos,
Um olhar seqüestrador,
Convidava-nos a mergulhar fundo na poesia,
Outra vez … a poesia!

Da “Paixão Inacabada de um Amor não Vivido”
Ou dos “Oceano Vitrais” ficaram alguns
                                                               traços de verdade.
“Saudades Partidas”? Talvez!

“Manifestos Verbais”? que floresceram em tuas tardes…
E teu “Perfumes ao Vento”!
“Úmida Solidão”, por que me trazes saudades????

“Silhuetas” que ficaram nos sofás da sala,
E nos tapetes, e no meu peito,
Na estante…
Tuas “Páginas Ilhadas de Um Livro Raro”
Imagino eu, correndo desesperado,
Me questionando pelos segundos quais
                                                            não pude prender!
Encontro-me ilhado de frente a minha Remington,
Nos “Desejos Na Madrugada”…
Todos os problemas estilhaçam minha vida,
Obrigando-me a me decompor em monossílabos, só eu!
Suspiro saudades de nós, mas principalmente de mim!

Era um simples falar, um simples olhar, e só!
Umedeço meus lábios com Vinho do Porto que sobrou…

Parecem olheiras noturnas por causa da vida?
Retiro-me das respostas que podem acontecer!
Enclausurei-me no vazio de minha existência,
Cativo dos desejos de ser feliz,
Ignorantemente me mantive refém de um amor inóspito!
Serpentes ou raposas?
Outras armadilhas?

Sorria eu, dementemente, pelas existências dos fatos!
Era um simples falar, um simples olhar, e só!
Risquei poemas, ouvindo as nossas músicas (*)

Forcei-me a inclinar a garrafa para mais uma taça,
Engraçado que até isso acabou!
Livros, vinhos, discos, sonhos, sombras….
Ignorantemente meus ouvidos ouviram
                                             um bater desesperado na porta!
Zen! Estado Zen, disseram-me que é bom!

Silêncio, porque sempre me acompanhas?!!
Escutei alguém bater na porta!
“Manifestos Verbais”!

Escutei alguém chamar pelo meu nome!!!
Livros, vinhos, discos, sonhos, sombras….
Alguém, no entanto sofria assim…

Dediquei um quarto de mim,
Ouvi canções que falavam de amores!

“Manifestos Verbais”?
Estou escutando alguém…
Um alguém talvez desesperado também?

Livros, vinhos, discos, sonhos, sombras…
                                                             falam? Gritam?
Alguém, no entanto sofria por mim?.
Deixo de sofrer, de tecer os meus pesares,
                                                   E por em tudo um fim?
Ou vou atender a porta?

(Jan: 12, 2008)

Das Músicas…

Emotion – Destinys Child
End of the Road – Boyz II Men
Have You Ever Realy Loved A Woman – Steve Douglas
I Believe I Can Fly – R. Kelly
I Can Love You Like That – All 4 One
I Don’t Want You – Renee Brooklin
I Saw The Light – Lori Carson
I’ll Be Right There Waiting For You – Bryan Adams
I’ll Make Love To You – Boyz II Men
Kiss Me – Sixpence None The Richer
Seven Seconds – Youssou N’Dous & Neneh Cherry
Slave In Love – Bryan Ferry
Streets Of Philadelphia – Bruce Springsteen
Trouble – Cold Play
Waiting For A Girl Like You – Foreigner
Water Runs Dry – Boyz II Men
Waterfalls – TLC
When You Love Someone – Bryan Adams
Wicked Games – Chris Isaac
You Are Not Alone – Michael Jackson

Evocações nº 3 – Condenações

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Batestes com raiva em meu rosto,
Querendo deixar cicatrizes…
Oh dor que trouxestes desgostos
Não voltes! Não te reprises!

Um olho cobiça o amor
O outro pretende o ódio,
Por que criar o rancor,
Se estamos no mesmo pódium?

Deixaste-me em restos no chão,
Pra que o orgulho elevasse,
Não basta ter compaixão?

Eu te condeno oh covarde
Que guarde contigo esta frase:
“O amor vencerá, nunca é tarde!”

(Mar: 21, 1997)