Muitos dizem pra esquecer
Acontece que, eu não sei esquecer…
Rascunho palavras ao telefone,
Insisto em querer esquecer
Ainda assim, o que fazer?
Emprestei meus ideais,
Lavrei nos cartórios do esquecimento
Imensas atas…
Sensivelmente coloquei-me na fila de espera…
Aguardando ser chamado…
Gotejavam lágrimas de chuvas,
Umedecendo meus pensamentos,
Impossível! Gritei pro meu silêncio…
Muitos dizem para esquecer
Acontece que, eu não sei esquecer…
Rascunhei muitas palavras ao telefone…
Ainda que pudesses, retornarias as ligações???
Enviei-te sonhos de valsa numa embalagem de coração,
Sonhando que, pudesse eu te esquecer!
Num dia qualquer
numa praia qualquer,
encontrei nas áreias perdidas, uma pérola…Tentei encontrar o significado no livros,
em todos os livros, mas eles ficaram em silêncio!Meu silêncio é prematuro demais para ficar assim!
Te procurei,
conversamos então, e te dei a pérola!
E tu me dissestes: -“Como descobristes meu segredo?!”
Fiquei sem saber o que responder!
Ela retorna então com uma voz macia…
-“Tu és meu amado, tu sabes! Quero o teu silêncio, como os livros
em silêncio ficam nas estantes!”
-“Não temais!” continuou então.
-“Encontrastes sim, um precioso tesouro! Chegues mais perto, e ouças o que meu coração te diz…”
Então, inclinei-me, e deitei meu ouvido ao seu peito e ouvi,
o que o livros não poderiam dizer…
Era um bater cauteloso de ondas, que pulsavam…
águas brandas eram os seus falares!
E quando tudo estava em silêncio, adormeci!
Num dia qualquer
Numa praia qualquer,
Encontrei nas áreias perdidas, uma pérola…
Com sua mão delicada, aproximou-se dos meus lábios,
e beijou-me, o oceano beija diariamente a praia!
I
Preciso de um conselho:
quando todos os anos passarem
quero eu gravar um livro
e nele, nas escritas,
esculpir todas as minhas lidas,
Todas as situações,
Teus mistérios…
As vãs sombras que acobertam meu spirito
Revelam-me que devo guardar-te…
És prefácio?
Um presságio que dedilha acordes
Substantivos de mulher em minha vida?
Ilusão? Mentiras?
Quando o sol reluz nossas sombras
Pela parede de mármore grego,
Percebo então quão belo
Teus matizes, reflexos de loba
Que aguarda o romper das emoções
E com garras e dentes
O prazer se faz afoito…
Os carrilhões do salão nobre,
Não consegue conter sua euforia!!!
E gritas, e me riscas em parágrafos
E me alinhas em redondilhas maiores…
e te faço coitos verbais,
aquilo que simples frases
não podem traduzir!
Mulher de grandeza infinita,
Lábios de mananciais desejos
Cria em mim, o teu amado,
O forçar contínuo de gemidos…
Uníssonos gritos carnais…
Por ventura, amada minha,
Os ventos conhecem tua fragrância felina?
Leva-me em emboscadas tranqüilas,
Teu corpo, arrojo atrevido,
Desconheces-me quando fechas a porta,
E mergulhas na banheira com sândalos,
Róseas pétalas hispânicas…
Tudo me hipnotiza, teus quadros,
Tuas curvas, teus ambientes,
teus suores, teu corpo esbelto e possessivo…
se atira por completo em mim!
Alieno-me à cama úmida
Aguardando tua boca úmida me umedecer!
Eu, aqui, esquartejado em desejos
Sinto em minha pele
Que me perdi nos teus momentos de outrora!
E toda a minha alma se fez tarde!
Preciso de um conselho:
quando todos os anos passarem
quero eu gravar um livro
e nele, nas escritas,
apresentar nossas metades!
II
O Candelabro Italiano, lembras?
Percorremos nos lençóis em busca do querer,
E encontramos nós dois,
Espalhados, num estado romanesco
E de tal perplexidade
Que ríamos compulsivamente…
Bateram em nossa porta,
Silenciamo-nos por alguns segundos,
E voltamos às cenas
Ao tema musical que escolhestes…
Com excesso de gozo se fez a beleza
Do teu corpo!
Coração bateu rápido,
Assim como o tempo…
Entre noites e madrugadas
Pousastes teus lábios,
Como a abelha suga da seiva o mel,
E ao meu lado desmaiastes,
E nossos corpos,
Ficaram ali estendidos
Tocando-se, pensando-se,
Analisando-se,
E tua boca ao mel navega,
A castigar-me, como açoitando
A querer mais…
A querer sentir mais…
A querer ousar,
Sentir,
Fingir de medo,
Beijar meus dedos,
E com tua língua, navegando em meu tórax,
Faz-se feroz, felina,
Loba menina, que castiga,
E tua língua atrevida,
Obriga-me a mergulhar mar adentro,
A buscar em teus seios, o aconchego dos dias,
E pelos ambientes eu te sustento,
E tu levitas, e acreditas estar voando,
E queres aterrissar, mas as ondas
Sobem e descem,
E estais em meus braços a navegar,
A dançar eroticamente,
Realizando frenesi continuo
Por sermos assim
Metades inocentes do prazer!
III
A sede nos pegou de surpresa,
A jarra com água, no balcão da cozinha,
Nos convidou a descermos
Pelas escadas, teus olhos invadiam os meus,
Agressivos e sedentos
Que parássemos o tempo,
E te domasse ali, degrau por degrau…
Tua pele toda
Transpirava musk,
E pousei um beijo em teu seio,
E outro, e outro,
Ajoelhavas ante meu corpo
E num aroma delirante em cio aberto,
Nos descobrimos, como namorados,
Em nossa palidez lasciva
Que as ramas da paixão nos entregaram!
Oh musa encantadora,
Senhora dos meus sonhos,
Bebas o néctar que guardei pra ti!
Levante destes teus anseios
Como humilde abelha
E hasteies tua bandeira
Em meu mastro,
e a tremular aos ventos,
irás, em tuas graças e curvas
aprisionar
para sempre esta tua outra metade
que te pertence agora!
Eu ainda preciso de um conselho,
Lembras?
I
Febril!
Não sei se por ausência, ou por vazio!
Quando andavas pelos corredores
E me chamavas bem baixinho,
Sussurrando, me confortavas, sabias?
Tuas mãos em meu corpo se perdiam,
O teu respirar, era canção de ninar…
E me perdia!
Revelastes o que eu mais queria ouvir:
“Me amado, meu amor! Tu és minha semente,
nasce em mim um desejo forte
um desejo que é o de sempre te amar!
Ignoro os que outros pensam…
Fazem tropeços em nossos sorrisos,
Gastam seus tempos em coisas vãs!
Haverá um dia só nosso, meu amado?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
desejos, de te querer bem pertinho,
fazer nas noites em meus braços,
cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
traga-me dos teus sonhos
o desejo de me possuir por inteira!
Os ventos abrandam as copas das árvores…
Jejuo meu corpo,
banho-me em águas cristalinas,
as espumas e o perfume na minha pele,
estão te avisando
que não tem quando e nem por quê!
É de ti que precisam,
Teu cheiro selvático de ser,
Teu corpo roceiro,
Hálito campestre de homem!
A minha loucura, quando possuir
teu corpo, será morder teu abdômen,
e as tuas orelhas pousar minha língua,
umedecer teu sexo, como fonte que jorra
meu ardente desejo por ti…
Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!
II
Sílabas soltas de carinho,
O mar se agita,
Fecho as porta, as janelas,
As cortinas…
Procuro neste frio,
Neste só,
No armário escondido, meu enrustido
Conhaque!
Puxo a gaveta da escrivaninha,
E fico a folhear teu álbum!
Cenas incomuns de nós dois,
Abraços, beijos,
Correndo numa praia sem nome,
Vestida com minha regata,
Meu blazer então, quem diria…
Um beijinho em minha face,
Um chapéu florido,
Um acordar de surpresa,
Um preparar de bóbó de camarão! MMMMM
Um jantar do nosso primeiro encontro!
As flores na janela!
Cosendo nossa cortina de girassóis!
Guerra de travesseiros!!! Inesquecível!
Uma careta!
Um mostrar de língua!
Um andar de bicicleta!
Uma saída da piscina! Uau!
Uma lareira, um vinho…
Imagens!!1
Lembra-se daquela vez quando fomos ao cinema?
Era uma chuva fraca, depois ficou forte.
Esquecemos o guarda-chuva no carro,
Umas duas quadras dali…
Deu bobeira, e quando lá dentro do cinema,
Me veio uma sensação de perda…
Havia esquecido as chaves dentro do carro!!!!
Fiquei nervoso, é natural,
Mas me aliviastes com um beijinho,
Dizendo-me:
-“Esqueça me amor! O importante é que estamos aqui!”
pipoca, chocolate, um suco de frutas….
ah! Eu ia me esquecendo: amendoim japonês!
Agitamos aquela noite!
Agitamos tanto, que o lanterninha
Nos convidou diplomaticamente
Que nos retirássemos dali!
Não sei o nome do filme!
E fomos a pé para casa,
Com aquela garoa fina e fria
Aspergindo sobre nós,
Enquanto as chaves do carro dormiam!
Até hoje não sei, se foi causa
Do amendoim japonês
Ou então do dropes que te dei!!
III
Oh amada que te quero tanto
Ainda ouço os teus dizeres,
Tua malicias,
Tua boca úmida procurando
Me conhecer por inteiro:
“-Haverá um dia só nosso?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
Desejos, de te querer bem pertinho,
Fazer nas noites em meus braços,
Cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
Traga-me dos teus sonhos
O desejo de me possuir por inteira!”
Não precipiteis o tempo,
Nem magoes as horas,
Também me preservo
Para que tu sejas feliz!
Nossas bicicletas estão se enferrujando na garagem!
Há um álbum que suspira nós dois!
Que depende de mais cenas
De mais abraços, beijos,
As praias ficaram desertas
Não sei onde foi para minha regata,
Meu blazer encontraram num brechó!
Sinto a falta daqueles beijinhos em minha face,
teu chapéu florido murchou, precisando de ti!
Um acordar sozinho,
E aquele bóbó de camarão? Tentei fazê-los e virou carvão!
Sem jantares!
Sem encontros!
As flores mudaram de estação!
Nossa cortina de girassóis! Não giram mais!
os travesseiros ficaram em paz!!!
Sem caretas!
Cadê a piscina?
Uma lareira apagada,
um vinho, que se transformou em vinagre!
E teus dizeres ficaram gravados na memória:
“Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!”
Mas isso tudo, foi ontem!
O bobo – Majestade, alguém está cobiçando vosso trono!
O Rei – Imaginas quem é?
O bobo – Não sabem El-Rei! Uns dizem Tiradentes, outros, Vandré!
O povo na praça se reúne, oh Rei!
O Rei – Quem são eles?
O bobo – São gente da UNE!!!
O Rei – O que querem?
O bobo – Querem acesso à justiça e liberdade também!
O Rei – Mandes rezar umas missas, tantas quantas puderes…
O bobo – Por que vossa majestade, se mal vos pergunte?
O Rei – Pediram comida, dei-lhes estrume
Pediram escolas, dei-lhes esmolas…
O que querem afinal? Mais fornos??
O bobo – não saberei responder, embora seja eu teu ministro
do entretenimento, o que posso fazer?
Majestade não estais com medo que em tudo isso
Um mal aconteça?
O Rei – Ministros! Ministros! Não tenhais medo meus nobres!
Mandem chamar Tancredus…
O bobo – Teu nobre orador?
O que acontecerá então?
O Rei – Antes que haja uma revolução, Mendes construir cadeias…
O bobo – Majestade! Majestade!
Não temos mais verbas!
O povo reclama de tantos tributos…
O Rei – Onde está o 1º Ministro?
Peça a ele que organize a cavalaria,
Reúna os marechais-de-campo…
Agendes um encontro com Napoleão!
O bobo – Majestade! O vosso ministro Ullysses, está arquitetando
Outra ideologia…
O Rei – Quem ele pensa que é?
Me contes, quais são as tramóias??
O bobo – Presente de grego majestade! Presente de grego!
Parece Cavalo de Tróia !!!
Ele confabulou com os seus…
Querem tirar deste grande império
O poder dos tiranos monarquistas,
E instituir um parlamento livres…
Uma tal democracia! Coisa de grego, Majestade!
O Rei – Convoques a milícia imediatamente!
Armem os soldados com o mais grosso calibre
Até os dentes…
Compres mais canhões, se preciso for!
No forte, ainda temos pólvora e dinamites!
Não temais meus ministros!
Tudo ficará em ordem!
O bobo – E o povo majestade? E o povo?
O Rei – Por que tanta mediocridade?
Não vês que são meros detalhes?
Mande-os agora para as praças!
O bobo – Quem irá celebrar as missas? O Rei – Como? O religioso nobre néscio! O bobo – Majestade, os religiosos, mudaram-se para as
fronteiras, dentro das florestas
foram construir missões!
Abrigam os silvícolas,
Amparam os desamparados,
Ensinam os ignorantes a lutar
Pelos seus direitos, Majestade!!! O Rei– Torturas! Torturas! Um a um é o que merecem…
Terão que confessar quem são! O bobo – E o povo majestade? O Rei – Distribua balas a todos!
Se querem espetáculos, contratemos circos…
Se querem comida, pães amanhecidos…
Retires-te daqui, que repousar!
Mas antes, enches minha taça com vinho! O bobo – Majestade?! O Rei – O que foi? O bobo – O mensageiro real vos trouxe uma mensagem! O Rei – Leias então! O que estás esperando?
O bobo – Diz assim:
“oh Majestade sem reino
teus dias estão findando…
plantastes muito veneno,
teu povo estais ‘liminando!
Pedimos licença então
Pra um pedido fazer:
Queremos tudo de bom
Pra nossa vida viver!
Se achais que tudo é difícil,
Livre-nos das trapaças…
Adulteraram o diesel,
Os nobres fazem fumaça!
Vede Senhor os teu servos,
Não são simples criaturas…
Queremos tirar os pregos…
À liberdade, abertura!
Estamos todos nas trevas
Sem liberdade ou ação!
Teus nobres queimam uma erva
Só pra sentir emoção!
São todos feitos de pedras,
São frios até no amor…
Somos de distantes épocas,
Já acabou o terror!
Enquanto pão precisamos
Comeis então strogonoffs!
Por isso estamos lutando,
Com foices e molotovs!
Vossa milícia sem soldo
Doentes querem partir!
Bebem remédios de boldo,
Mandados lá do Haiti!
Nós só queremos justiça,
E ficar em nossas terras…
Mas tudo acaba em pizza…
Seu reino produz só guerras!
É melhor que abdiqueis
Deste trono de uma vez…
Em vossa corte, os reis
Só vivem de embriaguez!
O povo sente saudades
De tanta terra querida
Plantavam até erva-mate
Tinham um motivo na vida!
O reino sujo de sangue
Que alimenta os corvos,
A nossa casa é no mangue,
Vosso palácio de porcos!
Vejo que nossos avisos
De mais nada adiantam!
Vosso reinado de guisos,
Mandam cortar as gargantas!!!
Então vendemos pamonha
Nas feras de cada dia!
Vossos herdeiros, maconha,
E nos banquetes, farinha!!
Escuteis os vossos sinos!
Que já reclamam bem tarde:
Nem mesmo os pobres suínos
São maltratados, quem sabe?
Seria este o motivo,
De nossa humilde mensagem!
É preciso estar bem vivo
Mesmo que seja bem tarde!
Nós não queremos de novo
Chegar com outra mensagem
Mesmo que seja passagem,
Quem assina é teu Povo!”
O Rei – Mas que atrevimento desse povo!
Se comportam como donos!!!!
É preciso fazer algo… O bobo – O que Majestade? O Rei – Me chame o fidalgo da Corte, Paulus Cesárius…
Digas a ele que espalhe notícias
Pelos jornais:
“oh povo dos subterrâneos!
Vosso rei a partir desta data
Criará o Silêncio Público…
Tereis Cestas Básicas uma vez por ano!
Saúde? Salvo engano, estão todos bem!
Será preciso aumentar tributos
Para aumentar nossos passos!
Que se faça, que se cumpra!
Aceito vossas desculpas
Pelas mensagens que enviastes!
Assinado: Vosso Amado Rei!
Assim, depois de um mês
O bom rei veio a falecer,
Julgava ser imortal!
Mas é a vida!
São as leis!
Assume outro em seu lugar!
Que irá mudar toda a situação.
Poeta?
Músico?
Artista?
Ou mandarim?
Não se sabe ao certo!
Pelo jeito o seu nome é Rasputim!!!