Arquivo para janeiro, 2008

Evidências III

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

ALFORRIA

Deixem livres as crianças,
Que se lambuzam em carvão…
A vida dá muitas danças,
Que logo cansa o patrão!
Quem nunca teve inocência
É bem melhor não calar,
Tristes seqüestros, clemência,
Na tua dor, meu gritar!

SÍMBOLO

Ontem à noite eu te vi
Como bandeira hasteada
Pros homens um bem-te-vi
Para as mulheres, safada!

Cada ciúme que tens
cada olhar um ciúme,
nem tudo parece bem
nem tudo cheira perfume!

CÓDIGOS

Pelas mãos te dei caminhos
Que conduziam à luz
Fiquei aqui tão sozinho
Que a solidão não traduz!

Um gesto queima o amor,
Deixando marcas no fim!
Um gesto deixa uma dor…
Plantada no meu jardim!

(Jan: 02, 2008)

Dois pra lá, dois pra cá!

Posted in 08 Octassílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Perdidos num baile da vida
Que eu precisei me encontrar
Foi uma batalha perdida
Que nunca pensei precisar!

Se hoje sou só caminheiro
Sem ter um destino vulgar
O tempo se esvai por inteiro
Que nem uma gota no mar!

Preciso do meu travesseiro
Com ele eu posso contar
No baile dancei tão faceiro
Que muitas queriam furtar!

Pediam o meu travesseiro
Qual delas pra compartilhar?
Queriam constantes parceiros
E a vida poder arrumar!

Mulheres atiçam seus cheiros
Espalham gardênias no ar
Os homens se sentem guerreiros
Pensando que só vão amar!

Boleros, e tangos me curtem
Os pares já vão se juntar…
E que Deus do céu me ajude
Confesso que não sei dançar!

Whisky pra mim, to feliz!
E pra ela, só guaraná!
Enquanto cantava Elis…
… que “são dois pra lá, dois pra cá!”

o vicio se fez por completo
não tinha nem como parar
vivendo sob o mesmo teto
há muitas loucuras de amar!

Os bailes nem sempre dão certo
Por isso não é bom começar;;;
São lutas e dias repletos
Os gênios começam exaltar…

A posse pleiteia objetos,
Deveres, famílias arcar
Direito, juízes espertos
No baile começa a dançar!

Eu tenho aguardado tua vinda
Aqui neste canto de bar
Perdido num baile da vida
Eu digo: “-Garçom! Guaraná!”

(Dez: 29, 2007)

Evidências II

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

FARELOS

Migalha me deu o mundo
Sou maltratado humano
De porta em porta insultos
Numa esperança de enganos!

Pareço ser negativo
Mas na verdade não sou,
Viva a verdade que vivo
Que minha vida levou…

RESERVAS

Preciso de um copo d’água
Pra afogar minha sede
Tem rico plantando mágoas
No coração dessa gente…

Preciso nas orações,
Agradecer ao Senhor,
Por minhas boas ações
Por ter podado o temor!

ERROS

Onde estão os amigos
Que nesta vida encontrei?
Eu penso logo comigo:
Aonde foi que eu errei?

Nublado ficou o dia,
Quando pensei nesta vida:
Será que é covardia
Ficar sofrendo feridas?

(Jan: 01, 2008)

Clausuras

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

a chuva a cair
não posso sair
que no teu lado invade!

fingir que não vou
um sonho voou
começo fazer alarde!

Os ventos nos dizem
Qu’os rostos se brisem
De muita felicidade!

Beijando tua boca
Um corpo sem roupa
tento fugir muito tarde!

Lembranças de
De quando parti
Parecem eternidades!

Caminhos de pedra
Cantigas dos Vedas
Vão retornando as idades!

Quem sabe lutar
Na luz do luar
Como trazer a verdade?

Feriram meu corpo
Deveras escopo
Sinto perder a metade!

Já fui teu escravo,
Covarde ou bravo,
Roubaste o meu estandarte!

Corri pelos montes
Pintei horizontes,
Onde está o amor? Quem sabe?

Olhei os teus olhos
Vertentes de ódio…
Numa face não se bate!

Erramos amantes,
Iguais diamantes…
Pedras comuns sem quilates!

(Dez: 30, 2007)

Andanças ao Vento V

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(A Mesquita)

“Sala’am am’leicam!”

areias, tendas distantes!
céus, espadas cortantes!

Os véus com seus brilhantes,
As luzes tão cintilantes…

O vento se faz uivante
Meus sonhos agonizantes

Areias, calor escaldante,
Melícias, inferno de Dante!

Armei todas as amantes
De forma tão delirante…

Oásis, desertos cantantes
A sede, gargantas irritantes!

Visões, gigantes elefantes…
Feito Enéias desafiantes!

Visões, da amada elegante
Chegada tão triunfante!

Farrapos, areias cortantes,
Tragédias transfigurantes!

Lembranças de beijos corantes,
E vozes gritando: “Adelante!

Das espadas forjantes
Gihads andantes!

Brilham teus olhos belo mirante,
Vozes de alguém emigrante…

Tuas paredes mosaico brilhate
Brilham teus paços, avante!

Recomeçar nos pisantes
Teus passos na areia soltantes!

O ouro bazares mercantes
Nas mãos, nas cabeças turbantes!

Teus colos areias colantes
Caravanas, caravelas errantes!

Cavalos!
Camelos!
Serpentes!
Areias!
Tendas!
Caravanas!
Emires!
Bazares!
Meca!
Medina!
Gabriel!
Maomé!
Gihad!
Xiita!
Sunita!
Mesquita!
Alcorão…

Ajoelhado estou
A pensar em Ti!

“Am’leicam Sala’am!”

(Ago: 06, 2004)