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Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XVI

Posted in 04 Tetrassílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XVI – HOJE

 I
Me magoei
Fingindo ser
Teu próprio ser…
Se não soubesse
O quanto é dose
Amanhecer,
Queria então,
Jorrar meus prantos
Em tua planta,
Formata-te em sílabas,
Sonhar-te em versos,
E crer no quando…

Criar no fundo
A base toda,
Uma palavras
Me emudece
No teu deserto
Agora úmido…
Se unifica
Nesta erosão
Partindo o peito,
Partindo o gesto!

II
Tento colírios
Vagando à toa,
Sonhadoras,
Somente vás,
Vão caminhando
Comendo ruas,
Na tua face…
Correndo frias
E mais difíceis
Em minha face!

E solto vai,
E vem teu hálito
Que vai fluindo
Intransitivo,
Que cravejando
Àquele álibi
Que ali tentei
Furtar teu fruto…

III
E, não tornou-se
Igual prazer
Sendo tão nômade,
Somente nomes
Vários sinais
Tangendo risos,
Frisos d’olhar!

Meio sonâmbulo
Há tantas coisas
Que não consigo
Despertar medos
Querendo ou não,
Murmuro só!

IV
É tão silvestre
Tua maneira
Que vou sentindo
Um ser selvagem
Dilacerando
As minhas células
Num só rugido! (…)

Rompem manhãs!
Tudo é normal;
O tempo torce
E se distorce,
Formando brisas
De uma garapa
De uma palavras
Que não tem gosto!

V
Tez de maçã
Tão orvalhada
Na própria chuva
Real bebida…
Real cicuta!

VI
Resta dizer
Que docemente
Teu corpo entoa
Aquele sonho
De olhar tristonho,
Que tem garoa
Que tem o vento
Em girassóis
De invernada…

VII
Me dói por dentro
Pelas paredes
A sede áspera
De não beber
Na tua boca
Outras palavras
Que no silêncio
Tu me sussurras:
-“Eu também quero!”

(Ago: 02, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIV

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XIV – JUÍZOS

I
Creio que me pus em mesa rústica
A gota que faltava do cálice,
Julgando para não ser julgado;
O difícil é abdicar o peso
Pois o peso não te leva e nem trás…
O peso torna-se o dobro a cada caminhada
Sem saber por si quem resiste?

Começo pouco a pouco me transportar
Por esferas polinizadas de perdão…
Não mereço tão sublime verso
Que não cogite teu corpo elementar!
Meu beijo te percorre no etéreo
Ao beijo antes que se pretendia,
Teu mar flutua ao que se pretendia!

Teus olhos, ah! Teus olhos que brisa tem…
O transparece arbóreo que se ata em chama
No fruto que se torna fruto,
Fruto das consciências básicas do outono!
Meu presságio reivindica tudo que é belo.
Mesmo sendo velho como as talhas
Que nasceram “La Pietá”, me sinto agora!

II
Seiva bendita seiva, percorrendo tua carne!
Voz aveludando meus ouvidos quando fujo,
Quando volto me desespero em te sentir,
Como aura que tonteando o ser te diviniza
Pondo-nos no mais perfeito ato.
Ajoelhando posso me sentir ao chão de tuas vinhas,
Beijo-te como se não houvesse horas, nem tempo!

Meu presságio exterioriza em forma agressiva
Cortando minhas palavras, e se tomba o cálice
Atirando-me o vinho, o pão embebecido verte,
O vértice de minha vã filosofia!
Tranco-me nesta batalha irremediável
Mostrando-me falsas armaduras
Scalibur no palco psiquiátrico do ser!

Mãos que se deslizam, desligam
Num abalo sísmico de formas e presságios,
Mais uma vez o cavaleiro golpeia-me
Ferindo a mim e ao meu Kavalluz!
A luta se cronometra por uma reluscência
Justapondo nossas mãos num único aríete.
Bendito por tua voz e única musa!

III
Agora sei porque me distancio de teus rosados,
Maneiras vulgares e vulgarmente me cresci!
Tua pele roçando em meu rosto pálido
Quer decifrar o enigma das supremas cortes,
Aliando-me aos teus veneráveis mestres
Criara o sortilégio casto de maças,
E gradis nos murais floridos dos teus jardins!

Escapa-me agora a sede de falar-te um pouco
Sobre as paixões pintadas pelos corredores,
E pena sonhava no tinteiro o pergaminho
De falar-te em tudo, em tudo que ouvi…
Teus súditos me olhavam víboras repentinas!
E por entre as mãos entrelaçavam os dedos
No anseio de furtar-te ao menos uma noite!

(Jul: 23, 2001)

Vitraux em Preto e Branco

Posted in 00 Cressílabos, 00 Decressílabos, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

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Sim
Eu tenho
Muita coisa
O qual pensava,
Murmurava tanto
Que já sem sei o quê!
Dormia profundamente
Numa cama vazia, morna!
O despertador me torturava
Quando o quarto ficava a meia luz…
As saunas, os beijos, as nossas fugidas…
Tiravam fotos das saudades que deixastes!
Barulhos, propagandas eram mais paranóias…
… do que o próprio lazer em ter na mesa: -“Saúde!”
que Deus te abençoe mina amada feita de elegância!
Atiraram pedras em nosso telhado de vidro!
Vitraux em cacos da minhas paredes, eu via!
Um corte contra a honestidade que foi nua…
Um medo que cobiça quem quer falar!
O nosso olhar está desconfortável!
Porém, mais do que um simples fato:
Converter-te numa pessoa
Que analise o amor
Trazendo um precioso
Significado
À nossa vida!
É tão triste
Ouvir:
Não!

(Fev: 16, 2001)

Vicissitudes, Meus Vícios Retorcidos

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Sinto a falta de mim mesmo
Quando estou desolado canto do quarto!
Uma retidão de termos…
Sou a própria sílaba vaga!
Meus olhos se enchem de orgasmos
E me sinto fantasma
De minha alma…
Escandaliza-se minha alma
Porque precisa de mim!

Um zodíaco de Bach, Mozart ou Vivaldi
Ficam rondando rondós em loop na vitrola!
Nos discos, as faixas são eternas
E as pessoas não sabem que se vão…

Uma série de repetições fizemos!
Num dos menores
Momentos de minha vida,
A grade isola,
A cadeia sangüíneas compulsivamente
Em danças medievais, agride os sentidos!

Aonde vou?
A procura é utópica!
Fricciona minha face
Pálida sem o valor legal,
Externo dos sentimentos,
Arruinados de construir
A morte em episódios,
E o ódio vira corte
E a cortesã dos meus desejos
(minha tez se rompe
em outra tez)
ajoelha-se na oralidade
do prazer!

Pelo menos
Os ritos
Dos veneráveis
Dos mais venenosos,
Traem-se…

O choro se desbalda
Na crendice do saber
E um vento pela janela
Indica uma pausa…

um silêncio…

tenho que partir!!!

Sei que novo a outros olhos
Sou casa velha!

Não quero despejar
Velhos inquilinos…
O contrato é anulado
E desvirginado está o nosso pacto!

Mas meu Deus!
O que é que pretendo com isto?
Sou apenas um embrião retorcido
Na câimbra humana das virtudes…
Um piano desafinado
Que extinguiu melodias…
Que perderam suas claves
Pelo tempo!

Reflito!

Nasci da união de foi fetos
Evoluídos!
(…)
conscientes ou inconscientes,
nasci!

O que pretendo?
Hoje na morbidez de minhas palavras
Adoento-me no meu corpo
E se sou corpo:
Reprovei!

(Jan: 06, 1981)

Último Capítulo

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Ore pelo menos
Uma vez ao dia!
Siga os ponteiro do relógio…
Atravesse a rua sem olhar dos lados!
Chore mais, os mesmos ais!
Caíam as vias dolorosas,
Não tinham cheiro
Paladar ou
Faz que chora!

Em um momento
Tão fatal se telefona
E vê que não está em casa!

..ocupado ou na escuta!
Desliga e chama a filha…
E numa folha amarela da lista
Se a vista pálida e tão polida
Face acinzentada como as cinzas
Num cinzeiro trincado que tinha!
Estava lendo o último capítulo
Do “Lar das Mariposas”,
Que comprara num sebo,
Ali na rua perto de sua casa!

E tantas coisas vieram à tona
Nas santas tontas orgias
E quase todas na lona
As donas de todo dia
Um rosto feito mamona
E cara de eucaristia!
Pintava os 7 na zona dos limites
Com a honra que já nem tinha!
Ganhou de seu amante
Um bilhete de loteria!
Ganhou!
Pouco, mas ganhou!
Desiludida da vida
Com dúvidas, dívidas,
E outras coisas que
Não interessam a ninguém…

Passou num bazar
Longe sua casa
Toda orgulhosa como se high society!
Estatura mediana.
Entrou!
Olhou!
Saiu!
… e voltou!

Comprou!
Chorou!
Pagou!
Guardou!

Caminhou!
Olhou…
Chorou…
Parou!

Pegou…
Olhou…
Chorou…
Continuou!

Pensou…
Analisou…
Pegou…
Olhou…

Chorou…
Guardou…
Tremeu!

Correu,
Perdeu,correu!
Caiu!

Feriu-se
Gritou-se
Chorou-se

E ninguém viu!
Ninguém ouviu!

(…)
um silêncio total!
Nem um psiu!

Psssssiu…!
Levantou!
Correu,
Olhou,
Tremeu, chorou!

Dou-se!
Voltou-se!

Passou num bazar longe de sua casa.

Entrou, olhou, não chorou!

Comprou, pagou, guardou!

Caminhou:

Não olhou!
Não chorou!
Não parou!
Não pegou!
Não cheirou!
Não correu!
Não pensou!
Não analisou!
Não pegou!
Não conseguia engolir a própria saliva!!!

Sua testa parecia oceano…

Estonteada, não caiu!
Machucada, nem se feriu!
Afônica, não gritou!
Usava colírio, e não chorou!
Soluçava repetidamente!

Simplesmente, chegou em casa
Pois o fone fora do gancho,
Abriu o pacote,
Pegou o revolver,
Encontrou na fronte,
e…

Click! Click! Click! …

(…)
um silêncio total!

Não havia comprado as balas!!!!

Era o começo!!!

(Jun, 16, 1980)