Arquivo para janeiro, 2008

Viveres Genéricos (ou Bueiro dos Loucos)

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Não temais
Meu rapaz
Covardia
Foi um dia
Teu presente!

Pelas contas
Já demonstras
Eficácia
Na farmácia
Com doentes!

Entretanto
Não sei quanto
Tu cobraste
Dos seus trastes
Friamente!

Sem pobreza
Sem beleza
Sendo vítima
Das conquistas
Conseqüentes!

Quem me dera
Estivera
Na polícia
Sem malícia
Competente!

E com laço
E abraço
Da justiça
Movediça
Ser correntes!

Quero um dia
Ser teu guia
Ser teu sal
Ser teu mal
Livremente

Não temais
Meu rapaz
Está perto
Descoberto
De repente!

Quem diria
Armadilhas
Encontrastes
Dos seus trastes
Firmemente!

Com certeza
A tristeza
Foi embora
Numa hora
Sem os dentes!

A principio
És um ímpio!
Sem amores,
Sem valores
Evidentes!

São tocaias…
São as saias…
Que armaram,
Revelaram
Descontentes!

Há cobranças
Alianças
São desfeitos
São eleitos
Ferozmente!

Para trás
Satanás!
Com teu jogo
Sem engodo
Aparente!

Sou mais forte
Que a morte
Com palavras
Tudo acaba
Em parêntesis…

(…)

(Jan: 05, 2007)

Andanças ao Vento IV

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(O Pântano)

Ventos!

São sinais que estamos longe
Andemos mais um pouco
A noite logo vem!

Frio!

Os cobertores dos soldados
São agora farrapos
Como também estão suas almas…
A noite logo vem!

Pão!

As pedras são postas em círculo
Um utensílio de barro otomano
Mistura-se no ázimo…
O clarão ritualiza a forma!
A noite logo vem!

Vinho!


O peitoril encharcado
Cavalos baios, e centuriões
Protestam alguns textos em aramaico…
Um olhar ao longe despertam o gosto
Das videiras…
A noite logo vem!

A Ceia!

Sentado num caminho íngreme
Cogitam levantes aos generais,
Algumas vidas são extirpadas do meio,
Outras, o medo ataca…
A noite logo vem!

Fico a pensar na mulher
Que muitas mensagens os escribas teceram,
Estafetas bem equipados
Galopeavam espalhando poeira e vazio…
Ela, a amada, recebeu alguns,
Outros se perderam no caminho…
A noite logo vem!

Estou só, e a noite ainda não veio!

(Mar: 02, 2004)

Andanças ao Vento III

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(O Acampamento)

Arrastar meu corpo cansado
por quilômetros
vi traços de flores no campo
que com o vento perdiam-se nas cores…

esqueci de minhas dores,
armaduras espelhadas de veneno
plantações de lanças e espadas,
eram pra mim uma paisagem inóspita…

um estandarte rasga-se em céu nublado
castigando aqueles que friamente
expulsaram nossas cavalarias,
destruíram nossas esquadras…

perdi senso do tempo
que vociferava gemidos
de sentinelas e aldeões…
as velas içam-se nos corpos….

Queres meu sangue em teu brasão?
Empunhar maços
Empilhar aríetes,
E nas noites, poder dançar à sombra dos archotes!

A fogueira fora feita
E ao redor cavaleiros com suas taças,
Lembram de suas amadas
Que estão além das colinas!

Eu no meu esquecimento,
Me vi um trapo miliciano
Que degusta das raízes
A nobre lembrança de Bela…

Passamos a noite em vigília
Mesmo a tombar nos escombros
Feitios cruzadistas de serem livres,
Como livres são os meus servos!

(Out: 11, 2003)

Evidências I

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

PAPÉIS

Minha vida, estreita vida
Qual sulfite de escritor,
Não me insultes, bela vida
Sem palavras de amor…

Somente tuas escritas
Revelaram-me porquês
Fui um rascunho d’artista;
Mas isso era uma vez…

INVENTOS I

Quando for a minha hora,
De chegar tarde da escola
Eu invento outra história,
Mas não largo desta trova!

Qu’eu me arme de rancor,
Retirando-me da vida
Tenho gosto dissabor,
Como rua sem saída!

APRISCO

Pelo menos tu me tens
Como ovelha desgarrada,
Tu me destes tantos bens
Vejo tudo, não sou nada!

Tua forma, oh minha vida
Como tens me libertado…
Querer a tua guarida?
Querer sonhar acordado?

(Jan: 01, 2008)

Evidências V

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

LACRIMAIS

Há vida que me consola
Por tantas noites vazias
Teus olhos por quem só chora
São pelos restos dos dias…
Quem chora, chora motivos,
Por uma coisa à-toa,
Quero dizer porque vivo
tão vivo na tua pessoa!

ANTÍDOTO

Traga-me a solução
Pelo suspiro que tenho:
Tenho eu um coração
Ou palavras de veneno?

Deram-me tolos motivos
Quando perdi esperanças…
Agora mantenho cativos
A dor de minha pujança!

VEREDICTO

Tenho que pensar um pouco
Para poder encontrar
Julgam-me apenas de louco
Por eu gostar de amar!

Fiquei tão preso em palavras
Que já não posso falar,
Se eu falo, tu me calas,
Não quero parar de amar!

(Jan: 03, 2008)