Nós e nós e
Nós e nós e nada!
Nada e nada e
Nada e nada e afeto!
Afeto e afeto e
Afeto e afeto e não há mãe!
(Mar: 21, 1980)
Nós e nós e
Nós e nós e nada!
Nada e nada e
Nada e nada e afeto!
Afeto e afeto e
Afeto e afeto e não há mãe!
(Mar: 21, 1980)
I
Quero um dia morar debaixo da terra:
Criar raízes nos corpos carnais,
Encontrar um mundo que cerra
E ficar cego ouvindo meus ais!
Quero ouvir o coro dos vermes
Lamentando o que jaz,
Minha ferida viva, bate, late
E que não se mate a paz…
Retumbam os corações
Decoram as orações
Que não desate mais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”
II
Quero um dia morar debaixo da terra:
Como quem explora das ervas os sais
E como etílico se embebedar de trevas
Num tédio das sombras e dos umbrais!
O vento sopra em meu jazido
A lápide negra que se desfaz;
A canção continua, nua, crua nos jazigos,
E juram se desterrar…
O assovio das ruas
Num arrepio de animais…
-“Vai seguir teu rumo!!!”
III
Quero um dia morar debaixo da terra:
Como quem chora e ora coisas banais
Ressuscitando a esperança que berra
Como quem a saciar um copo de água raz;
A paisagem roda me tortura
Quando anoitece os olhos naturais
Por mais que se cubra
A pele toda se escama
Entre tertúlias e pedras
Cobertas pelos mortais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”
IV
Quero um dia morar debaixo da terra:
E sentir as snsações de horas finais
Pintar minh’alma na lama das telas
E tê-las como presença demais!
-“Vai seguir teu rumo!!!”
V
Quero um dia morar debaixo da terra:
Lamentando ter sido humano demais,
Sendo ao mesmo tempo ansiedade
Nos seios desta ingrata matéria…
Se a mim, um sim não basta!
Outrora nascesse discurso
E, contudo se hoje me calo
No leito que pisei
E agora são sete segundo
São sete minutos,
São sete horas,
São sete dias,
São sete semanas,
São sete meses,
São sete anos,
São sete séculos,
São sete palmos somente!
Impreterivelmente declaro:
Quis proclamar minha falência
E ninguém me ouviu,
Mas disseram num tom covil:
-“Vai seguir teu rumo!!!”
VI
Quero um dia morar debaixo da terra:
Mas antes,
Quero levar meu cortador-de-unhas!
(Dez: 19, 1978)
Eu não tenho tempo
De ser presente no indicativo,
Sou um sujeito oculto
Sem complemento no predicativo!
Sou uma palavra apenas
Sílabas e lábios substantivos!
Satisfaz-me tua oração,
Persigo meu dialeto imperativo
Introduzindo adjetivos!
Perco-me em hipérboles,
Metáforas, métricas
E rasuras!
Somos um pleonasmo Imperfeito!
Qual é a minha sentença?
Qual é a tua sentença?
Qual é a nossa sentença?
Palavras!
Palavras!
Palavras!
É tudo o que me dizes?
Agora refaço uma leitura
E caio na realidade
De ser uma frase apagada
Nas mãos de um analfabeto!
(Out: 02, 1981)
Vim
do teu
grand’amor
p’ra te pedir
que tu tenhas razão…
Sei
que nunca
mais eu vou
querer partir
o teu coração!
Sou
Do amor
O que sofre
O que não mente,
Semente no chão!
Vou
Partir
Por um lado
Metade triste
Que não tem paixão!
És
Desejo,
Minha boca
Se umedece
Toda de emoção!
Sim!
Eu quero
Nos teus braços
Poder te amar,
Sem ter compaixão!
Não!
Espero
Possuir
Teu corpo todo,
E pedir perdão!!!
Bem,
Te quero…
Eu te quero!
Quero-te bem…
Bem no coração!
Mal?
Tão mal
Eu sinto
Sem o teu corpo…
Dê-me tua mão!
Vai
Saudade!
Deixa vir
O meu amor!!!
Basta, solidão!
(Abr, 04, 2007)
(América in memoriam)
I
Não m’importo
Que detonem
Dez mil vidas
Dentre a minha!
II
Sou humano?
Quem descobrir
Nas fronteiras
A bandeira?
III
Há sorrisos
Que são falsos?
Há olhares
De pesares?
IV
Tantos quantos!
Quem te quer?
Cantei hinos,
Bebi vinhos…
V
Sonhei sol
C’o meu poso
Pelos tantos
Que são santos!
VI
Hoje escrevo
O teu nome
Sem receio
Porque creio!
VII
Já nos muros
Fome escrita
Nas crianças:
Contaminas!
VIII
De joelhos
Sem ciranda
Sentimento
Suicida!
IX
És escrava
Dos ladrões
Com justiça,
Sem justiça!
X
Grite, não!
Alguém ouve,
Mas adianta?
Te levanta!
XI
Vê se sonhas,
De olh’aberto!
Terr’impura!
Guerr’expurga!
XII
São mentiras?
São adeus?
Deu-nos morte!
Boa sorte!
(Ago: 09, 1981)