Flertes Incólumes
Uma visita de dai.lendo.org in Pontes Estreitas em Caminhos Distantes – II
E eu que tentei casar com a poesia… Senti-me abandonada por toda minha vida. Rejeitada por suas formas perfeitas, deixada de lado, num certo lado do abismo onde eu sempre senti-me desgraçadamente uma pessoa não grata para o delirar poético. Eu que sempre fui orfã dela, que a olhava e a desejava de longe porque não a tinha em meus braços, não a dominava e nem poderia amá-la da forma certa…
Não posso compreender o porquê d’eu hoje voltar a flertar com ela, babando como sempre meu amor eterno…
Confesso que até tentei assassiná-la, me fazer um ser cáustico, infernalmente descrente da poesia. Porque sempre fiquei do lado de fora, desamada por ela, imperfeita que sou e fui…
Eu não sei escrever poesia, eis a minha dor. Entretanto eu não poderia cometer o maior dos pecados, ou seja, eu jamais deveria esquecer que apesar de descobrir-me medíocre para ela, eu não poderia esquecer dos poetas. Afinal, cada um nasce com um dom: que seria de mim sem o dentista, o marceneiro, açougueiro e o pedreiro?
Mas eu não quereria arrancar dentes, tampouco serrar madeiras, fazer um corte perfeito numa alcatra ou construir o mais belo castelo…
Eu só queria escrever poesia… que pena…
Mas hoje, descobri que o amor verdadeiro consiste em apreciar uma obra de Deus. Afinal, um nasce pra sofrer, enquanto outro ri.
(Fev: 16,2008)
18 de fevereiro de 2008 às 22:06
Obrigada pelo carinho. Enxugou minhas lágrimas…rs.
Um beijo, mestre.