EM TANTOS MARES QUE NAUFRAGUEI, SEMPRE NAVEGUEI BUSCANDO EM DELIRIOS O TEU CORPO SEGURO (Almas Marinhas em 13 partes)

(Betto Gasparetto)

Parte I: Mares, Naufrágios Iniciais

Foto por Ray Bilcliff em Pexels.com

I

Mares, Oh, em tantos mares, naveguei e naufraguei nas ondas turbulentas do destino, buscando, em delírios profundos, o farol de teu corpo seguro.

Ares que me beijam a pele.

Reparei com todas as forças. Mesmo que o oceano, testemunha silenciosa dos meus tormentos, refletia a complexidade dos meus anseios, enquanto as estrelas, como cúmplices cósmicos, traçavam mapas incertos nos céus, não desistir em te buscar…

Incertos mares?

II

Numa noite onde o oceano se estendia como um manto negro, comecei meus naufrágios iniciais. As águas, agitadas pela incerteza, refletiam as sombras dos meus anseios. O céu, coberto por nuvens traiçoeiras, sussurrava segredos inaudíveis enquanto eu me aventurava pelas ondas desconhecidas em busca do teu corpo seguro.

III

Os ventos, como testemunhas silenciosas da minha jornada, carregavam consigo o eco de promessas não ditas. As estrelas, pontilhando o firmamento com sua luz distante, eram faróis que me guiavam através do labirinto tumultuado do mar, onde a esperança e o medo dançavam uma dança eterna.

IV

Entre as cristas das ondas, buscava as pistas deixadas pelo destino. A cada naufrágio, as marés arrastavam consigo fragmentos dos meus sonhos desfeitos, como destroços de um navio que já não suportava o peso da tempestade interior. A busca pelo teu corpo seguro era, naquelas águas revoltas, uma odisseia de emoções entrelaçadas.

V

As estrelas, como olhos cintilantes no rosto da noite, observavam meus passos incertos sobre as águas inexploradas. Sob o véu do desconhecido, eu persistia, ansioso por desvendar os mistérios que envolviam o teu ser. Cada estrela parecia sussurrar promessas, como se a resposta para a minha busca estivesse escrita nas constelações celestiais.

VI

À deriva, permiti-me ser guiado pela sinfonia do oceano, pelos acordes melancólicos das suas canções que embalavam os suspiros da minha alma errante. Os recifes, como sentinelas submersas, guardavam segredos que apenas o tempo revelaria, e eu avançava, mergulhando cada vez mais fundo nas águas do mistério.

VII

Nesse labirinto de emoções, encontrei-me perdido entre a fascinação e a apreensão. Cada onda era um capítulo não escrito, uma página em branco aguardando a tinta da descoberta. Em meio às águas revoltas, busquei as marcas do teu corpo seguro, como um tesouro escondido nas profundezas do oceano da existência.

VIII

Ao longo das noites, sob a luz pálida da lua, os sentimentos fluíam como correntezas, levando-me para longe da costa segura da razão. As estrelas, agora confidentes do meu desatino, pareciam sorrir com benevolência, como se compreendessem a busca desesperada por um porto seguro no horizonte distante.

IX

E assim, nos primeiros naufrágios, a semente da paixão e da incerteza germinou. Cada onda quebrada era um suspiro da minha alma em busca do teu corpo seguro. Neste início turbulento, eu me lançava ao mar, entregando-me à tempestade do amor que se desenhava no horizonte, sabendo que cada naufrágio era apenas o prelúdio de uma história ainda por se desdobrar.

(Betto Gasparetto – v-x)

2 Respostas to “EM TANTOS MARES QUE NAUFRAGUEI, SEMPRE NAVEGUEI BUSCANDO EM DELIRIOS O TEU CORPO SEGURO (Almas Marinhas em 13 partes)”

  1. Maria Marciana do Nascimento da Silva Says:

    Que poema magnífico, nunca vi uma arte tão bonita igual a esse!

  2. Maria Marciana Says:

    Eu poderia reler mil vezes e a sensação seria a mesma como se fosse a primeira vez, este poema me lembra de cada momento e conversa com o senhor, incrivelmente maravilhoso. ❤️

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