Fragmentos Humanos (05/50)
(Betto Gasparetto)
V – Ranger de Dentes

Oh, ranger de dentes, som de agonia,
Que invade a noite com teu tom sinistro,
És uma sombra que jamais desvia,
Uma presença que torna o ar mais triste.
Teu som ecoa em noites insones,
Marcando o compasso de dores profundas.
Como um lamento preso nas entranhas,
És o reflexo de tormentas tamanhas.
Oh, ranger de dentes, por que me atormentas?
Em teus ecos, a paz tu desventras.
Tuas notas são gritos de alma ferida,
Um lamento contínuo, sem guarida.
Em cada ranger, há um grito de dor,
Um eco de medos, um clamor de horror.
Tuas vibrações penetram a mente,
Deixando um rastro de angústia latente.
Como uma corrente que não se quebra,
Teu som se repete, incansável e tenaz.
Oh, ranger de dentes, és um cárcere cruel,
Prendendo meu ser em um eterno escarcéu.
Teus sons são como pregos em meu espírito,
Cada ranger, um golpe explícito.
E no silêncio da noite, és um tormento,
Que devora a paz, como um faminto vento.
Por que, ó ranger de dentes, me persegues?
Em teus ecos, minha mente desnorteias.
Tuas notas são de um desespero velado,
Uma dança macabra, um tango descontrolado.
Em cada instante, tua presença assombra,
Um espectro sombrio que nunca se atenua.
Oh, ranger de dentes, quando cessarás?
E permitirás que a paz, enfim, prevaleça?
Em teu som, ouço a voz da angústia,
Um grito preso em uma câmara oculta.
E na penumbra da noite, tu me cercas,
Como sombras que nunca se desferem.
Cada ranger é um martelo em meu ser,
Uma lembrança de dores a percorrer.
Oh, som infernal, por que insistes?
Tuas notas são agulhas, tão persistentes.
Em teus ecos, encontro meu desespero,
Uma repetição de um tormento sincero.
Como romper tua melodia sombria,
E encontrar a paz que tanto anseia?
Oh, ranger de dentes, tua presença é um fardo,
Uma corrente invisível, um laço amargo.
Em teu som, perco a sanidade,
E encontro apenas a mais profunda ansiedade.
Mas há uma verdade em teu contínuo som,
Um reflexo de medos, um destino atroz.
Pois em cada ranger, há um pedaço de mim,
Uma parte de minha alma, em prantos, enfim.
Oh, ranger de dentes, espelho de tormento,
Em teus ecos, vejo meu lamento.
Teu som é uma janela para a dor,
Um reflexo de um mundo sem cor.
Mas mesmo em tua sombra, há um brilho,
Uma luz tênue, um frágil trilho.
Pois em reconhecer tua presença constante,
Encontro forças para seguir adiante.
Oh, ranger de dentes, tua música sombria,
É uma lembrança de que a dor é companhia.
Mas mesmo na noite mais escura e fria,
Há uma promessa de um novo dia.
Teu som, um eco de um coração ferido,
É um testemunho de um espírito vivido.
E ao confrontar tua cadência incessante,
Encontro em mim uma resistência vibrante.
Oh, ranger de dentes, não me vencerás,
Pois em meu peito, a esperança jaz.
E mesmo em teus ecos, ouço a canção,
De uma alma forte, que busca redenção.
Assim, ó ranger de dentes, te encaro,
Com coragem renovada, sem amparo.
Pois em teu som, vejo um reflexo de mim,
Uma luta interna, um começo, um fim.
Oh, som de dor, tua presença aceito,
Pois em ti, encontro meu próprio efeito.
E mesmo que continues a ressoar,
Em meu espírito, não irás reinar.
Pois a cada ranger, encontro meu poder,
De superar, de lutar, de renascer.
Oh, ranger de dentes, teu som é forte,
Mas minha vontade é mais, minha alma é forte.
(Betto Gasparetto – iv/xxi)
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