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14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (13/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 13 – Ao Povo só Restam os Deveres

By Dall-E 3

I
Ó povo, ó multidão, que caminha em cegueira,
Com olhos vendidos pela ilusão do conforto,
Que vive aclamando as mentiras dos tiranos
E ergue os braços, mas não vê que está acorrentado!
Vós, que soais em júbilo pelas falsas promessas,
E cantais hinos de liberdade em cadeias invisíveis,
Quando, ao invés de reis, sois governados por seus próprios medos,
E ao invés de senhores, sois escravos do vosso desejo de prazeres fúteis.
II
Ah, como são cegos, ó povo, ao olhar para o futuro,
Com os pés enredados nas sombras de um passado ignorado,
Onde a história é distorcida e as verdades esquecidas,
E cada um de vós vive na mentira que vos conforta.
Vós que idolatrais os ídolos de barro,
E erguês os altares aos deuses de ouro,
Ignorais que a verdadeira glória não se encontra
Naqueles que vos enchem os olhos, mas sim
Naquelas que iluminam os vossos corações com sabedoria.
III
Mas, vós, pobres almas, que temem o desconhecido,
E aplaudís o opressor que vos dá falsas esperanças,
Onde está a coragem que, outrara, habitava os corações dos antigos?
Onde os heróis, os verdadeiros libertadores,
Que não se curvam diante do poder, mas o desafiam com a verdade?
Ah, vós, que preferis a falsa paz da ignorância
À luta pelo que é justo,
Vós, que trocais a liberdade pela segurança da mentira,
Olhai o espelho de vossa própria subserviência!
IV
O que fareis, quando o peso das correntes
Que vós mesmos colocais em vossos próprios corpos
Se tornar insuportável, e não houver mais espaço para a fuga?
Pois o opressor que acenais como rei
É o mesmo que vos prende, e com as mesmas mãos,
Que afagam, vos apertam no veneno do conformismo.
E, ao final, o que será de vós, quando já não puderdes mais
Esconder os olhos de sua própria vergonha?
V
(…)
VI
Ó povo, o vosso poder está nas vossas mãos,
Mas vós o entregais como crianças incautas,
Pensando que ao entregá-lo ao tirano
Seréis poupados da dor, mas ao contrário,
Estareis sendo enganados pelo mais doce dos venenos.
O poder que vós detendes, se o usardes com sabedoria,
Pode ser a chama que transforma o mundo,
Mas se o entregardes a outros,
Serão essas mesmas mãos que vos condenarão.
VII
Ah, povo, quando iremos perceber que a verdadeira grandeza
Não está nas promessas que vocês fazem os opressores,
Mas na força que reside na união dos corações livres?
Erguei-vos, não para seguir, mas para liderar,
Não para servir, mas para construir,
E, com isso, libertar-vos da prisão invisível
Que vós mesmos alimentais com vossas próprias mãos.
Pois, na verdade, só a verdade pode tornar-vos verdadeiramente livres,
E vós, que ainda permanecem nas sombras,
Vós sois os únicos capazes de acender a luz.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (12/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 12 – O Rei Não Sabe Ler

By Dall-E 3

I
Ah, que espetáculo é este, em que o rei não sabe ler?
Com coroa dourada e manto de seda,
Ele se senta em seu trono, como um deus,
Mas não pode ler os sinais da sua própria destruição.
Que rei é este que não conhece as palavras,
Que não pode desvendar o significado dos próprios decretos,
II
E, ao tentar governar, se perde nas linhas do vazio?
Ele é um monarca sem sabedoria,
Um soberano cujo reino é governado pela ignorância,
E suas decisões, sem base, fundaram seu império
Na fossa escura da ilusão e da mediocridade.
III
Você, oh rei sem saber, quem você aconselha?
Se não podem ler as cartas que são entregues a vós,
Como podemis distinguir a verdade da mentira?
Com vossos olhos cegos, julgais as almas,
E, com vossas mãos trêmulas, escreveis sentenças de morte.
IV
Mas, ah, o que é um rei sem sabedoria,
Senão uma criança brincando com fogo?
Vossas palavras não são leis, mas ecos vazios
Que ressoam nas paredes de um castelo de vidro,
Pronto a se despedaçar ao menor toque de razão.
V
Não sabeis o que é o poder do conhecimento,
Nem o que é o peso das letras que forjam o destino.
Em vossa ignorância, vós sois como uma estátua de sal,
Imóvel e incapaz de compreender o mundo que vos rodeia.
Como pode um homem governar sem saber a verdade
Que se esconde nas páginas que ele nunca leu?
E como pode um rei, sem as armas do saber,
Enfrentar o mar revolto das dúvidas e das revoluções?
Vós, que pensais que a coroa confere sabedoria,
Vós, que acreditais que o poder nasce da aparência,
Estais condenados, sem perceber, a ser fantoche
Nas mãos daqueles que sabem o que vós nunca perceberam:
Que a verdadeira força de um rei reside em seu coração informado.
VI
Oh, que ironia cruel é essa, que vê o rei,
Sentado em seu trono, sem entender as cartas que o cercam,
E se perde nas palavras que não sabe ler!
O império que ele governa não é de ouro, mas de areia,
E, quando o vento da verdade soprar,
Não restará mais nada senão a poeira do que ele não quis conquistar.
Pois o rei que não sabe ler é um rei sem alma,
E seu império não é mais do que um espelho quebrado
Que reflete a vaidade e o orgulho de quem se esqueceu
De que o verdadeiro poder vem da sabedoria,
E não do ouro, nem da coroa, nem da ilusão.
VII
No fim, o trono se esvazia,
E o rei, em sua solidão, se verá sem reino,
Sem saber o que fazer com o poder que nunca entendeu.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (11/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 11 – O Reino dos Ignorantes

By Dall-E 3

I
(…)
II
Ah, que grande e pomposo é o reino dos ignorantes,
Onde as mentes se fecham como oportunidades enferrujadas,
E o saber, como uma chama, é apagado pela preguiça!
Aqui, o rei não conhece a sabedoria,
E sua coroa é feita não de ouro, mas de névoa,
Pois os vassalos de sua corte não sabem distinguir
O que é verdade do que é mentira.
Aqui, a ignorância é vestida com roupas de poder,
E as certezas são exiladas para os confins do esquecimento,
Onde sua luz jamais ilumina os corações empedernidos
Desses que se deleitam na escuridão de suas próprias mentes.
III
Vós, ó súditos deste reino, como vosso rei!
Com olhos vendidos, e corações cegos,
Vós caminhais por um caminho sem fim,
Onde cada passo dado é uma mentira em movimento,
E cada palavra dita, uma falsa verdade.
O que sabeis, senão o que vos está aqui
Por aqueles que também se perderam no labirinto da vaidade?
Ah, que irônico é o seu orgulho,
Quando vos elevais, não sobre os alicerces do conhecimento,
Mas sobre o solo seco da ilusão que vós mesmos semeais.
IV
(…)
V
Em seu reino, o pensamento é um inimigo,
E quem ousa questionar é logo calado
Por aqueles que, com medo, preferem a ignorância
À verdade que eles cortam o coração.
Que lamentável é a terra que se nutre de mentiras,
Onde o simples desejo de saber é visto como heresia,
E a busca pela sabedoria é considerada uma ameaça,
Pois, como seus corações são pesados ​​pela mediocridade,
Não podem suportar o peso da grandeza que o saber traz.
VI
Ah, mas o vosso reino, ó ignorantes,
É feito de areia movida, e vocês nele afundais!
Vossos castelos de falsas certezas desmoronam a cada vento,
E as vozes de seus mestres, caladas por tanto tempo,
Ecoam como gritos de advertência nos seus ouvidos surdos.
Você, que acredita que a ignorância é poder,
Logo verá que o vazio do seu reino será necessário
apenas pelas sombras daquilo que não lhes pareceu conquistar.
VII
E, ao final, quando o véu da ignorância for levantado,
O que restará? Nada além de um reino de fantasmas,
Onde a história, a verdade e o conhecimento
Foram apagados pelas mãos de quem não queria ver.
Ah, como seu império se desintegrará
Como um castelo de cartas ao vento,
Pois os ignorantes não sabem que o verdadeiro poder
Está no coração que busca a verdade,
E não nas mãos que a desprezam.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (10/14)

Posted in Sem categoria on 1 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 10 – Sua Majestade a Guerra

By Dall-E 3

I
Salve, sua majestade a guerra,
Que se assenta no trono de ossos quebrados,
E ergue sua coroa, feita de dor e desespero,
Sobre os corpos daqueles que ousaram desafiar seu domínio.
Vós, que queimais os campos com promessas de glória,
E pintais o céu com as cores do sangue inocente,
Qual é o seu trono, senão um monte de cinzas,
Onde as esperanças se tornam estilhas e os sonhos, ruínas?
II
Vós, senhora da destruição, como reinais
Sobre os corações dos homens que, cegos, se lançam a vós,
Achando que em vossa chama encontrarão a liberdade,
Quando, na verdade, vós os aprisionais na eternidade do sofrimento.
Ah, como sois astuta, sua majestade a guerra!
Com seu manto de promessas grandiosas,
Seduz aqueles que, em nome da honra, se tornam peões,
E fazeis deles seus escravos, sem sequer saberem,
Que o verdadeiro inimigo não está nas trincheiras,
Mas dentro de seus próprios corações, envergonhados pela humildade.
III
Não é uma rainha de justiça,
Mas uma tirana que dança sobre os restos de um mundo em chamas,
Onde o choro das mães se confunde com os gritos dos filhos
E a carne se desfaz como cinza no vento da fúria.
Ah, como são lindas, sua majestade a guerra,
Com seu brilho feito de morte e desespero!
Vós, que prometeis glória a todos que se ajoelham,
Mas ao final, mostram-lhes nada além de uma coroa de espinhos
E uma eternidade de dor em seus espíritos marcados.
IV
E o que dizer dos homens que vocês seguem?
Vós, que os corrompeis com vossa promessa de poder,
E os usamos como armas em vosso jogo cruel?
Eles marcham, erguendo suas bandeiras de ilusão,
Sem saber que, no fim, não são mais do que carne para o canhão,
Com suas almas despedaçadas por cada passo que dão
Na sua estrada de destruição e sofrimento.
Ah, mas quem é a culpa?
Pois vós, sua majestade a guerra, assim é a verdadeira culpada,
Com vosso coração impiedoso, de ferro e fogo,
Que nada sabe da misericórdia, e tudo sabe da destruição.
V
(…)
VI
No fim, o que restará de vós,
Quando o último suspiro de uma batalha tiver cessado?
Não haverá mais coroas de espadas, nem campos conquistados,
Mas apenas a ruína de um mundo que jamais soube
Que a verdadeira vitória não se alcança pela destruição,
Mas pela construção de algo mais grandioso: a paz.
VII
Vossa majestade, então, se desvanecerá,
Como uma névoa que se dissolve sob a luz da verdade,
E os homens, finalmente, ver-se-ão livres de seu domínio,
Pois a guerra, como tudo, é passageira,
E o amor, a única verdadeira soberania, reinará.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (09/14)

Posted in Sem categoria on 1 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 9 – Abortos Inglórios (Ventre Nostrum)

by Dall-E 3

I
Ah, o aborto, ignomínia disfarçada de escolha,
Onde a vida, ainda incerta, se vê arrancada,
Antes mesmo de ter o direito de respirar,
E no silêncio do ventre, o futuro é desligado.
Que vil e ingloriosa é essa decisão,
Onde o destino de uma alma está selado
Pelas mãos de quem, na ânsia de um prazer,
Esqueceu a responsabilidade que vem com o toque da criação.
II
Que se faz da promessa de uma vida
Quando ela é apenas uma sombra a desaparecer?
Aquele que escolhe abortar a esperança,
Que planta o vazio onde poderia haver luz,
Não conhece o valor de um ser que poderia nascer,
De uma possibilidade que jamais será.
E o que resta, então, senão o eco da perda
Que retumba na alma de quem, ao decidir,
Se esqueceu que a vida não é uma mercadoria
Que pode ser descartada ao sabor do desejo?
III
Ah, mas vós, que julgais ter o direito de tomar tal decisão,
Não vêem que, ao levar a vida, tomais também a vossa?
Pois quem apagou o fogo do futuro,
Esteriliza o próprio coração,
E, no fundo, se torna prisioneiro de sua própria escolha.
IV
Porque, ao matar a possibilidade de um ser,
você mata algo mais profundo:
uma chance de aprender, de amar, de mudar.
E quando o silêncio do arrependimento chegar,
Já será tarde demais, pois a decisão, tomada com pressa,
É irremediável, e o vazio de um possível filho
Se transformará em um buraco sem fim,
A carregar uma dor que não se desliga.
V
Ah, e o que será de vós, ao olhardes para o espelho,
Sabendo que fostes os carrascos de um futuro não vívido?
O que será do coração, que jamais saberá o toque da mão
De quem poderia ter sido, mas não foi?
VI
(…)
VII
A vida, com todas as suas dores e alegrias,
Não pode ser descartada como um objeto velho,
Porque o que é dado à humanidade, como o nascimento,
Não pertence ao homem para destruir, mas para respeitar.
E ao fim, o que fica, quando o aborto é inglório,
Não é a paz, mas uma cicatriz na alma
Que jamais será curada, e que não há tempo
Para apagar a marca daquilo que se fez.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)