O Que Permanece Quando Tudo Passa (03/10)

 (Betto Gasparetto)

A guerra não chegou como explosão.
Chegou como mudança de tom.
Como se o mundo falasse mais baixo antes de gritar.
As despedidas começaram a acontecer sem abraços.
O amor passou a existir sob vigilância do tempo.
E, naquele instante, amar tornou-se ato perigoso:
não por ser proibido,
mas por não haver garantia de amanhã.

Capítulo III — O Início da Guerra

Najillah, a Musa — O Primeiro Rompimento

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A notícia chegou antes do impacto.
Mudou o ar.
Mudou os gestos.
Ela sentiu algo deslocar.
Não sabia nomear.
O medo ainda era abstrato.
Mas o silêncio cresceu.
As conversas ficaram curtas.
O futuro encolheu.
Ela percebeu a instabilidade.
Não como ameaça direta.
Mas como sombra.
O amor tornou-se urgente.
Não intenso — frágil.
Ela começou a observar despedidas.
Mesmo sem separação concreta.
Dormia mal.
Pensava demais.
A normalidade começou a falhar.
Ela ainda acreditava.
Mas já desconfiava.


Yahzzir, o Menestrel — A Consciência do Fim

Ele entendeu antes.
Não por coragem.
Por lucidez.
A guerra não lhe parecia abstrata.
Parecia inevitável.
Ele sentiu o peso da escolha.
Não havia opção real.
A vida anterior começou a se fechar.
Ele passou a observar tudo como última vez.
O amor ganhou densidade.
Não romantismo.
Peso.
Ele não prometeu retorno.
Prometeu honestidade.
Sabia que partir não era escolha.
Era imposição histórica.
Ele carregou isso em silêncio.
O mundo que conhecia estava terminando.

(Betto Gasparetto – vi-mcmixvii)

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