Arquivo para março, 2026

As Horas que o Amor Esqueceu de Contar (parte 2 de 2)

Posted in Sem categoria on 16 de março de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

II – Estrada Descoberta

Se o mundo ruge e o caos se multiplica,
Tua voz organiza o calendário.
O peito segue o ritmo que indica,
E a vida acha sentido solidário.
Teu nome é pausa entre uma era e outra,
É o intervalo em que o sol descansa.
Na ampulheta do afeto, a rota é outra,
E o grão do tempo é pó de confiança.
Tudo o que urge cede à calmaria,
E o amor se ergue como liturgia.

Não peço eternidade em monumento,
Mas o instante claro que nos contém.
O tempo é breve, o gesto é fundamento,
E o coração conhece o seu além.
Se amanhã vier frio, trarei coberta;
Se vier calor, serei sombra e abrigo.
A vida, em ti, é estrada descoberta,
E o tempo, em nós, aprende o que é antigo.
No livro das horas, reescrevi
Que o tempo é amor quando está em ti.

Se a morte vier em seu compasso exato,
Encontrará dois corpos no descanso.
E o céu, ciente, ouvirá o relato
De dois amores plenos, sem remanso.
O tempo, ouvindo, há de parar também,
E o mundo, em respeito, guardará.
Pois o amor, que é alma e chão de alguém,
É quem ensina o tempo a perdoar.
E as horas, antes firmes, vão sorrir:
Não há relógio que saiba medir.

Assim seguimos, fora do costume,
Com o olhar que eterniza o cotidiano.
E o coração, em sua doce fome,
Descobre o pão do gesto soberano.
Amar-te é suspender toda medida,
É dar à vida um eixo e uma estação.
E o tempo, ao ver, desiste da corrida,
Pois já entendeu a nossa dimensão.
E o relógio, cansado de esperar,
Canta as horas que o amor quis poupar.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvi)

12 Ensaios para Amar sem Cegar a Razão

Posted in Sem categoria on 15 de março de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

1. Unir o Pensar e o Sentir com Equilíbrio

A plenitude do amor nasce quando o coração aprende a dialogar com a razão. O sentir sem pensar é abismo; o pensar sem sentir é deserto. Amar plenamente é construir uma ponte entre o impulso e a consciência, onde o afeto se torna sabedoria.


2. Tornar a Escolha um Ato Diário

O amor não é milagre espontâneo, mas decisão renovada. A cada amanhecer, o ser escolhe permanecer, compreender e cultivar. A razão do amor está no gesto de constância, na fidelidade silenciosa ao que se entende como verdadeiro.


3. Ser Guardião do Respeito

O amor racional não destrói para existir. Ele protege o espaço, o tempo e o silêncio do outro. Respeitar é amar com lucidez, reconhecendo que o ser amado é universo autônomo e livre. A plenitude mora na liberdade compartilhada.


4. Transformar o Desejo em Linguagem do Espírito

O amor pleno não nega o corpo, mas o eleva. Transforma o desejo em comunhão, o toque em expressão da alma. A razão do amor é o equilíbrio entre carne e eternidade: o prazer que não fere, a entrega que não domina.


5. Escolher o Perdão como Caminho de Clareza

Perdoar é ato racional de coragem. A mente que compreende a fragilidade humana encontra paz no coração que absolve. O perdão não apaga a dor, mas ilumina o entendimento. Amar é compreender o erro sem eternizar a culpa.


6. Cultivar o Silêncio Reflexivo

A razão do amor não grita, contempla. No silêncio, o afeto se refina, e a emoção encontra sentido. O amor que pensa ouve mais do que fala; e ao ouvir, entende que o que é verdadeiro não precisa provar-se.


7. Fazer do Tempo um Aliado, não um Inimigo

O amor pleno amadurece com o tempo, e nele se torna sereno. Não teme o envelhecer, pois reconhece que cada ruga da convivência é uma lição. A razão do amor é compreender que o tempo não destrói: lapida.


8. Amparar o Outro sem Anular-se

A razão e o amor caminham lado a lado quando o cuidado não vira sacrifício. Amar é oferecer apoio sem perder-se. O equilíbrio nasce quando se estende a mão sem esquecer de sustentar o próprio chão.


9. Fazer da Palavra um Instrumento de Verdade

A plenitude se constrói no diálogo honesto. A palavra, quando sincera, é remédio. O amor racional fala sem ferir, ouve sem julgar, responde com serenidade. A verdade, dita com ternura, é a forma mais alta de amar.


10. Aceitar o Fim como Parte do Ciclo

A razão do amor reconhece que tudo tem estação. O fim não é derrota, é transmutação. Amar plenamente é permitir que o que se cumpre se despeça em paz. O amor que entende o término também compreende a eternidade.


11. Amar com Responsabilidade Emocional

Não basta sentir, é preciso cuidar. O amor racional assume o peso do que promete. Cada palavra é um pacto, cada gesto, uma construção. Amar plenamente é ter consciência do impacto que se é na vida de quem se ama.


12. Fazer da Consciência a Verdadeira Paixão

A paixão que pensa não esfria: amadurece. A razão que ama não congela: ilumina. A plenitude está em amar com lucidez e intensidade, sendo chama que aquece sem queimar. O amor pleno é o equilíbrio entre o humano e o divino.


(Betto Gasparetto – vii-mmxix)

Mulher!

Posted in Sem categoria on 14 de março de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Majestosa e Inesquecível Mulher!

O que tu queres que eu te diga?

Que nenhum dicionário deste mundo conseguiu completar a tua soberania?

Que nenhum poeta tingiu palavras magnificando teus sorrisos?

Que nenhum artista pousou em cena representando teus cenários íntimos?

O que tu queres que eu te diga?

II

Mulher, que toda alegoria te estampes em espaços e fragrâncias de âmbar e beijos

amadeirados em tu’alma…
O que tu queres que eu te diga?

Que pelos caminhos cítricos das palavras eu te ampare em meus braços mortais?

Que eu tateie tuas sombras e te perpetue em minha pousada?

Que pelos ventos eu respire teus ares como shakespeariano navegante e medievo?

O que tu queres que eu te diga?

III

Vejo teu retrato constante em mim presente, como presente!

O que tu queres que eu te diga?

Esculpi em meu coração encontros vocálicos de respeito!

Viajei muitas memórias para alcançar teu semblante em formosura…

Sou grato pelas tuas palavras de carinho e afeto que construiram em mim temas de
humanismo e coragem…

Viajei sim!

Viajei muitos quilômetros para escrever tua história empírica de ideias e conceitos existentes no mundo!

Criei tratados sobre a tua silhueta… e tu me desenhastes feito tatuagem em teu peito…

IV

Criei cláusulas para te proteger, e tu já havias criado…

Pudera ser, pudera ser sempre teu empirista

Se não amo Mulher tua forma,

Se não amo Mulher tua cor,

Se não amo Mulher teu perfume,

Se não amo Mulher tuas memórias e sabores…

Quem sou eu?

Onde estás?

Se tu não existes Mulher, logo minha existência resulta num vazio!

O que queres que eu te diga?

Que pelas calçadas de outono vislumbramos entardeceres?
Que pelas praias nossos pés levitavam nas areias?
Que nenhuma cor encontrou a genuína matiz de tua pele?

Tentei roubar mil sóis
Tentei pintar mil luzes
Tentei pelas letras formatar tua clareza…

Não consegui!
Vi pela vidraça embaçada dos meus sonhos que tua transparência sempre me consolou…

Jardins
Praias
Livros
Músicas
Em tudo, o tom do teu sorriso!

Alvorecer em meu coração.
Escuto o pulsar dos teus cuidados…

O vento e a chuva não conseguem aspergir pensamentos nem sinfonias…
Simplesmente não conseguem porque trazes em tua história, a originalidade de ser mulher…

Nem clones,
Nem réplicas,
Nem átomos
Conseguem te decifrar…
Tu és única,

Tu és musa
Tu és segredo sagrado de mulher!

O que tu queres que eu te diga?

Minhas palavras são de alguém que tenta uni-las incessantemente, exaustivamente, com objetivo simplista de dizer EU TE AMO MULHER…

Me tornei complexo demais caminhando pelas varandas em busca do teu colo…

Viciei-me em buscar teus colos noturnos,
E hoje pela carência percebo o quão importante tu me fizeste acreditar no insólito e infinito amor que semeates em mim…

O que queres que eu te diga…
Mulher??!

Hoje meus olhos se fixam em tua figura…
Geometricamente,
Milimetricamente,

Fosse eu , Tom Jobim,
Buarque, Mozart, Chopin,
Ou Stravinsky,
… Nietzsche, Pablo Neruda, Platão,
Ou Kalil Gibran

Pudera eu poder te esculpir em canções ou poesias como menestrel em recitais…

Quantas noites em claro ficaste
A me olhar,
A me ninar,
A meditar…

Teu sorriso qual brandura de sorrir, formata minh’alma no sublime ser do teu ser…

O que queres que eu te diga…
Minha Mãe??!

(Betto Gasparetto – xi-iii-xxiv)

Memória de um Beijo

Posted in Sem categoria on 13 de março de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Teu beijo foi centelha luminosa,
Que incendiou meu peito num instante;
Mas logo a vida, amarga e rigorosa,
Matou o lume e fez-se tão distante.

A cada noite busco em pensamento
O gosto doce de tua despedida;
E mesmo sendo dor, é meu alento,
Pois foi em ti que eu vi razão da vida.

A boca ainda guarda teu calor,
Embora o tempo insista em me negar;
E cada sombra lembra o teu ardor,
Que em mim ficou sem nunca se apagar.

Se a vida me roubou tua presença,
Ao menos resta a chama em meu querer;
E mesmo em pranto, guardo a recompensa:
Saber que um beijo fez-me renascer.

(Betto Gasparetto – v-mmix)

Juras Desfeitas

Posted in Sem categoria on 12 de março de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Juraste em mim eterno companheirismo,
E teu olhar falava em devoção;
Mas logo a vida trouxe o pessimismo,
E tua voz negou meu coração.

As juras feitas foram folhas secas,
Que o vento leva ao nada sem destino;
E minha fé, que tanto em ti se apega,
Ficou perdida em eco tão mofino.

Agora sigo em passos sem amparo,
E cada rua lembra o teu adeus;
A dor se torna em fardo tão bizarro,
Que até o sol se esconde atrás dos céus.

E se algum dia o tempo nos trouxer,
Prometo não ceder à mesma ilusão;
Pois já aprendi que o amor pode morrer,
Deixando apenas pranto e solidão.

(Betto Gasparetto – v-mmix)