Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 4 – Cap 36/39)
Episódio 4 — O Solar dos Invernos Adormecidos
Trilha: Anton Bruckner — Symphony No. 8, Adagio
(Betto Gasparetto)
Capítulo 36 — A Sala das Armas

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Enquanto isso, no Solar, Sebastian Krüger permanecia sozinho na Sala das Armas.
Ou quase.
As vitrines exibiam espadas.
Medalhas.
Mapas militares.
Pistolas antigas.
Animais empalhados.
E retratos de gerações que aprenderam a transformar herança em autoridade.
Sebastian caminhava lentamente.
Não apreciava armas.
Apreciava registros.
E certas salas escondem documentos melhor do que cofres.
Parou diante de pequena estante lateral.
Observou.
Silêncio.
Passou os dedos sobre a madeira.
Algo.
Muito discreto.
Pequena diferença.
Pressionou.
Silêncio.
Uma gaveta abriu-se.
Lentamente.
Dentro:
papéis.
Registros.
Cartas.
Selos.
E um envelope.
Muito antigo.
Sebastian retirou.
Abriu.
Leu.
Empalideceu.
Pela primeira vez desde sua chegada.
Porque havia uma certidão.
Parcialmente rasurada.
Nome do pai:
ilegível.
Nome da mãe:
ilegível.
Mas abaixo:
“transferência de tutela autorizada.”
Silêncio.
Mais abaixo: GY
E uma frase escrita à mão:
“Os sobrenomes foram corrigidos.”
Silêncio absoluto.
Porque Sebastian compreendeu imediatamente.
Não era documento comum.
Era dinamite.
Pura.
E naquele instante passos surgiram atrás dele.
Virou-se.
Alaric.
Imóvel.
Olhando.
Longamente.
Nenhum dos dois falou.
Porque ambos sabiam:
a partir daquele momento a sala já não guardava armas.
Guardava guerra.
Última frase:
“No andar superior, Sophie abriu o diário e escreveu: ‘Talvez ninguém esteja procurando pessoas. Talvez estejam procurando quem lhes foi tirado.'”
(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)
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Próximo Capítulo: 37

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