Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 5 – Cap 47/49)

Episódio 5 — A Geometria das Ausências

Trilha: Edward Elgar — Elegy for Strings

 (Betto Gasparetto)

Capítulo 47—  Retorno à Biblioteca: Greta Holm

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning


Após o jantar, ninguém regressou imediatamente aos aposentos.

As pessoas dispersaram-se.

Mas dispersaram-se como fumaça dentro de um mesmo cômodo:

sem realmente partir.

E Greta Holm foi conduzida à biblioteca.

Helena Dubois a acompanhou.

Depois vieram Alaric.

Henrik Sørensen.

Marguerite.

Émile.

Clara insistiu em permanecer.

E, discretamente, Sophie aproximou-se da porta lateral.

Não entrou.

Mas ouviu.

Porque crianças, adolescentes e pessoas feridas possuem algo em comum:

aprendem a escutar antes de serem autorizadas.

Silêncio.

A lareira queimava.

Neve golpeava os vidros.

Greta observou os livros.

Depois Helena.

Depois Alaric.

Longamente.

Muito.

Até falar:

— Passei metade da vida ajudando crianças a entrar no mundo.

Silêncio.

Mais um.

— E a outra metade observando adultos expulsarem pessoas dele.

Ninguém respondeu.

Porque Greta não falava por metáforas.

Nunca.

Olhou Alaric.

Depois Henrik.

Depois:

— Havia uma noite.

Longa pausa.

Muito longa.

— Chuva.

Carruagem.

Confusão.

E uma criança.

Silêncio absoluto.

Henrik fechou os olhos.

Marguerite apertou lentamente os dedos.

Clara permaneceu imóvel.

Greta continuou:

— Não vi rostos.

Mas ouvi nomes.

Silêncio.

Depois:

Helena chorava.

Silêncio absoluto.

Helena Dubois empalideceu.

Muito.

Porque pela primeira vez em décadas alguém falava dela.

Não como guardiã.

Não como observadora.

Mas como participante.

Longo silêncio.

E Greta concluiu:

— Algumas pessoas esquecem fatos.

Outras apenas enterram.

(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)

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Próximo Capítulo: 48

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