Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 7 – Cap 57/64)

Episódio 7 — Três Gerações

Trilha: Franz Schubert — Ständchen (instrumental)

(Betto Gasparetto)

Capítulo 57—  O Jantar

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Naquela noite o jantar ocorreu cedo.

A tempestade voltara.

Outra vez.

Mais neve.

Mais vento.

Mais confinamento.

O salão principal brilhava.

Lareiras.

Velas.

Piano.

Pratas.

Mas os rostos estavam diferentes.

Muito.

Porque o medo começava a mudar de forma.

Antes temiam a casa.

Agora começavam a temer respostas.

Silêncio.

Conversavam pouco.

Muito pouco.

Até Sophie levantar os olhos.

Fechar o caderno.

E perguntar:

— Posso fazer uma pergunta?

Silêncio.

Todos olharam.

Alaric primeiro.

Helena depois.

Clara.

Marguerite.

Émile.

Lukas.

Anika.

Nikola.

Silêncio.

Sophie observou todos.

Longamente.

Muito.

Depois:

— Quem voltou?

Silêncio absoluto.

Nenhum som.

Nenhum.

O vento.

A lareira.

Nada mais.

Porque a pergunta atravessou a mesa como lâmina.

Lukas ergueu lentamente os olhos.

Marguerite empalideceu.

Clara segurou a taça.

Helena parou.

E Alaric

Alaric olhou Sophie.

Muito.

Longamente.

Demais.

Como quem observa alguém atravessar porta proibida.

Depois sorriu.

Pequeno.

Quase imperceptível.

E respondeu:

— Depende.

Silêncio.

Mais um.

— Do que você chama de voltar.

Silêncio absoluto.

Porque respostas incompletas são parentes próximas das mentiras.

E Sophie finalmente percebeu:

todos naquela mesa sabiam conversar sem responder.

Última frase:

“Na parede atrás de Alaric, refletido discretamente no espelho, havia alguém a mais sentado à mesa.”

Mas quando Sophie virou—

não havia cadeira ocupada.

(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)

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Próximo Capítulo: 58

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