Rascunhos Cotidianos – 003
As Coisas que Já Não Precisamos Carregar
(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Pesos que ninguém vê
Há pesos que não aparecem nas mãos nem nos ombros. São lembranças, culpas, preocupações e histórias antigas que continuam conosco mesmo depois de a situação ter terminado.
Podemos nos acostumar tanto com esses sentimentos que deixamos de perguntar se ainda faz sentido carregá-los. O fato de algo ter feito parte da nossa vida não significa que precise ocupar para sempre o mesmo espaço.
A culpa que permanece depois do erro
Errar faz parte da experiência humana. O problema começa quando reconhecemos o erro, fazemos o possível para repará-lo e, ainda assim, continuamos nos condenando por aquilo que aconteceu.
A culpa pode ser útil quando nos leva a assumir responsabilidade e mudar. Depois disso, porém, ela não precisa transformar o passado numa punição permanente.
Não podemos corrigir ontem, mas podemos evitar que o mesmo erro se repita hoje. Essa é uma forma mais útil de lidar com aquilo que fizemos.
Responsabilidades que não são nossas
Também carregamos problemas de outras pessoas. Queremos ajudar familiares, amigos e colegas e, muitas vezes, acabamos assumindo preocupações que pertencem a eles.
Ajudar é diferente de resolver a vida de alguém. Podemos oferecer apoio, ouvir e estar presentes, mas existem decisões que cada pessoa precisa tomar por si mesma.
Quando tentamos controlar aquilo que não depende de nós, aumentamos nosso desgaste sem necessariamente melhorar a situação.
(Betto Gasparetto – 2010-2015)
Nota de inspiração literária
Reflexão livre a partir de temas ligados à memória, às perdas e às dificuldades da experiência cotidiana presentes na obra de Carlos Drummond de Andrade. A aproximação é apenas temática. O texto é integralmente original e não reproduz trechos do escritor.
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