Rascunhos Cotidianos – 006

A Vida dos Outros Parece Sempre mais Completa

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Comparar nossa realidade com aquilo que os outros mostram costuma ser injusto. Conhecemos nossos problemas por inteiro, mas vemos apenas uma pequena parte da vida alheia.

Quando fazemos essa comparação, nossas próprias conquistas podem parecer menores. Esquecemos o caminho percorrido porque estamos ocupados observando onde outra pessoa chegou.

Quando Ser Feliz Também Virou Obrigação

Vivemos cercados por imagens de pessoas sorrindo, viajando, comemorando e mostrando conquistas. Aos poucos, podemos criar a impressão de que felicidade precisa ser visível para ser verdadeira.

Mas ninguém está bem o tempo inteiro. Existem dias comuns, preocupações e dificuldades que não aparecem nas fotografias. Uma vida feliz não precisa parecer perfeita.

As coisas que quase não percebemos

Boa parte da felicidade acontece sem anúncio. Está numa conversa agradável, numa refeição tranquila, numa música que gostamos ou na presença de alguém com quem podemos ser nós mesmos.

São momentos simples e, justamente por isso, passam despercebidos. Muitas vezes só reconhecemos seu valor quando se transformam em lembrança.

Quando suficiente começa a ter valor

Sempre haverá algo maior para desejar. O problema começa quando nenhuma conquista consegue permanecer suficiente por muito tempo.

O conhecido provérbio “quem tudo quer, tudo perde” lembra que o excesso de desejo também pode nos afastar daquilo que já possuímos. Valorizar o presente não significa abandonar sonhos, mas impedir que o futuro diminua tudo o que existe hoje.

Aquilo que já estava aqui

Felicidade não é viver sem problemas. Também não precisa ser uma grande emoção permanente. Em muitos períodos, ela aparece apenas como a sensação de que algumas coisas estão bem.

Talvez tenhamos procurado longe aquilo que já fazia parte dos nossos dias. Quando diminuímos a comparação e prestamos mais atenção à própria vida, descobrimos que algumas formas de felicidade sempre foram discretas.

(Betto Gasparetto – 2010-2015)

Nota de inspiração literária

Reflexão livre a partir de temas relacionados ao cotidiano, ao tempo e às pequenas experiências humanas presentes na obra de Mario Quintana. A aproximação é apenas temática. O texto é integralmente original e não reproduz trechos do escritor.

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