Teu nome pousa em meu peito sem ruído, E a noite aprende a nascer do teu olhar. A lua inclina o corpo, comovida, Para escutar teu riso desenhar.
Em ti descubro um mapa de calmarias, Onde o desejo afina a própria voz. O vento passa e dobra melodias, E o mundo fica inteiro entre nós dois.
Meu passo aprende o rito dos teus passos, E o chão floresce em pólen de ternura. Teu gesto abre janelas e abraços, Faz da memória uma casa mais segura.
O tempo, em teu cabelo, desacalma, E torna a tarde um barco sem partida. Se tocas devagar a minha alma, O medo rende os pesos da medida.
No sulco delicado da presença, A solidão desaprende o seu lugar. Tudo que um dia foi sombra e sentença, Vira clarão disposto a perdoar.
II
Teu corpo escreve a paz no meu cansaço, Com tinta leve e sílaba de sol. Eu recolho os segredos no teu braço, E volto a ser menino em caracol.
Se a distância inventasse o impossível, Teu eco me faria atravessar. O amor, quando é maduro e indestrutível, Aprende a ser silêncio sem calar.
Por entre as ruas íntimas do peito, Caminho em ti como quem vai rezar. Mas reza aqui é só rumor perfeito: A respiração do verbo amar.
Teu beijo é madrugada sem fronteira, Que veste o céu de um azul mais compassivo. E a vida, que era áspera e inteira, Aceita, enfim, ser mais que sobrevivo.
No cume delicado da promessa, Desliza um fio de ouro pela tarde. A esperança, paciente como teça, Costura sonhos na medida exata.
III
Quando tu ris, a brisa se perturba, E o violão desperta no jardim. O coração, que outrora pouco acurva, Se inclina inteiro e diz que é sempre assim.
Tuas mãos desenham portos nos meus ombros, E os mares migram para a luz da pele. Eu perco o medo antigo dos escombros, E o tempo aprende a demorar-se e nele.
Teu passo é curso d’água em pedra lisa, Que encontra brechas, canta, e não se apressa. Teu olho é farol que tudo avisa, E acende em mim o lume da promessa.
Se for preciso andar por noite e bruma, Levarei tua voz por guia e chama. Pois cada letra tua acende a espuma De um mar que, em mim, só sabe que te ama.
A vida é breve, dizem, e insistente, Mas teu abraço alonga muito o dia. E aquilo que era sombra reincidente Esquece a dor e aprende a melodia.
IV
Nosso futuro cabe no presente, Como um jardim guardado dentro da semente. E cada pétala, cândida e urgente, Rebrota em nós, suave e permanente.
Se alguma ausência ousar tocar teu rosto, Serei fronteira em guarda e mansidão. E o mundo, que era alheio, sem desgosto, Virará casa em teu coração.
Quando anoitece e a cidade silencia, O peito acende um lume azul-dourado. Teu nome volta e canta em sinfonia, E o medo dorme, manso, adormecido.
Eu te prometo nada além do inteiro: A febre doce e clara de existir. Te prometo um caminho verdadeiro, Onde o afeto é verbo por florir.
E quando a aurora abrir sua cortina, Hás de encontrar meu ombro ainda ali. Porque o amor que em nós se ilumina Aprendeu, cedo, a nunca ter um fim.