No Contorno da Alma

Posted in Sem categoria on 17 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

No rumor do teu colo cabe um mundo,
Com ruas que regressam à ternura.
Teu silêncio é um poema que responde
A toda pergunta antiga e obscura.

Quando te escuto, o tempo se ajeita,
Descobre o compasso de viver.
E o que era ausência vira colheita,
E o que era inverno aprende a florescer.

A casa inteira muda de estação,
No sulco generoso da tua mão.

II

Se a chuva cai, teu nome é cobertor,
Se o sol é forte, és sombra delicada.
Em cada hora, uma língua de amor,
Que aperfeiçoa a fala enamorada.

Teus dedos dizem coisas que não digo,
E o corpo aprende a pausa necessária.
Por ti reviso o mapa do perigo,
E escolho a estrada mansa e voluntária.

Na travessia, leve como um véu,
A esperança escreve azul no céu.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

O Medo Aprisiona

Posted in Sem categoria on 16 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu nome pousa em meu peito sem ruído,
E a noite aprende a nascer do teu olhar.
A lua inclina o corpo, comovida,
Para escutar teu riso desenhar.

Em ti descubro um mapa de calmarias,
Onde o desejo afina a própria voz.
O vento passa e dobra melodias,
E o mundo fica inteiro entre nós dois.

Meu passo aprende o rito dos teus passos,
E o chão floresce em pólen de ternura.
Teu gesto abre janelas e abraços,
Faz da memória uma casa mais segura.

O tempo, em teu cabelo, desacalma,
E torna a tarde um barco sem partida.
Se tocas devagar a minha alma,
O medo rende os pesos da medida.


No sulco delicado da presença,
A solidão desaprende o seu lugar.
Tudo que um dia foi sombra e sentença,
Vira clarão disposto a perdoar.

II

Teu corpo escreve a paz no meu cansaço,
Com tinta leve e sílaba de sol.
Eu recolho os segredos no teu braço,
E volto a ser menino em caracol.

Se a distância inventasse o impossível,
Teu eco me faria atravessar.
O amor, quando é maduro e indestrutível,
Aprende a ser silêncio sem calar.

Por entre as ruas íntimas do peito,
Caminho em ti como quem vai rezar.
Mas reza aqui é só rumor perfeito:
A respiração do verbo amar.

Teu beijo é madrugada sem fronteira,
Que veste o céu de um azul mais compassivo.
E a vida, que era áspera e inteira,
Aceita, enfim, ser mais que sobrevivo.

No cume delicado da promessa,
Desliza um fio de ouro pela tarde.
A esperança, paciente como teça,
Costura sonhos na medida exata.

III

Quando tu ris, a brisa se perturba,
E o violão desperta no jardim.
O coração, que outrora pouco acurva,
Se inclina inteiro e diz que é sempre assim.

Tuas mãos desenham portos nos meus ombros,
E os mares migram para a luz da pele.
Eu perco o medo antigo dos escombros,
E o tempo aprende a demorar-se e nele.

Teu passo é curso d’água em pedra lisa,
Que encontra brechas, canta, e não se apressa.
Teu olho é farol que tudo avisa,
E acende em mim o lume da promessa.

Se for preciso andar por noite e bruma,
Levarei tua voz por guia e chama.
Pois cada letra tua acende a espuma
De um mar que, em mim, só sabe que te ama.

A vida é breve, dizem, e insistente,
Mas teu abraço alonga muito o dia.
E aquilo que era sombra reincidente
Esquece a dor e aprende a melodia.

IV

Nosso futuro cabe no presente,
Como um jardim guardado dentro da semente.
E cada pétala, cândida e urgente,
Rebrota em nós, suave e permanente.

Se alguma ausência ousar tocar teu rosto,
Serei fronteira em guarda e mansidão.
E o mundo, que era alheio, sem desgosto,
Virará casa em teu coração.

Quando anoitece e a cidade silencia,
O peito acende um lume azul-dourado.
Teu nome volta e canta em sinfonia,
E o medo dorme, manso, adormecido.

Eu te prometo nada além do inteiro:
A febre doce e clara de existir.
Te prometo um caminho verdadeiro,
Onde o afeto é verbo por florir.

E quando a aurora abrir sua cortina,
Hás de encontrar meu ombro ainda ali.
Porque o amor que em nós se ilumina
Aprendeu, cedo, a nunca ter um fim.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

Cartografia do Beijo Inaugural

Posted in Sem categoria on 15 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

No teu semblante a manhã se faz mais clara,
E o céu declina, tímido, ao redor.
O ar se veste de brisa que declara
A eternidade simples do amor.

Teu passo acende colunas de alegria,
E cada rua aprende a te seguir.
O chão respira um perfume de harmonia,
E a tarde esquece a pressa de fugir.

Nos lábios teus repousa um continente,
Onde a ternura funda a capital.
E o beijo, navegante diligente,
Descobre um porto manso e ancestral.

Em cada sílaba tua, um sino doce,
Convoca as horas para o mesmo canto.
O coração se aquieta e se endoça,
Como uma fonte antiga sem quebranto.

Teus dedos, leves, tornam-se roteiro
Para a viagem íntima do instante.
Eu leio, em tua pele, o verdadeiro,
E tudo o mais se torna variante.

II

Se o vento dobra a esquina do destino,
Teu nome ancora firme a embarcação.
Eu sigo a rota do teu desatino,
Que é lucidez em plena comoção.

Nos teus ouvidos mora um mar antigo,
Com conchas que murmuram nosso enredo.
Ali me deito, náufrago e abrigo,
E encontro a paz na dobra do teu dedo.

O beijo inaugura o mapa do impossível,
Faz do horizonte a curva do teu riso.
E aquilo que julgávamos indizível
Vira a palavra exata do improviso.

Teu corpo é geografia luminosa,
Com vales de descanso e altos cimos.
Na encosta do teu ombro nasce a rosa
Que faz mais leve o peso dos destinos.

Teus olhos, dois astrais de mansidão,
Governam a maré do meu desejo.
E a noite, quando chega, em comoção,
Se rende à tua luz, inteiro ensejo.

III

A pele guarda um código secreto,
Que o tempo, generoso, não decifra.
Mas quando tocas, tudo fica correto,
Como um acorde puro que pacifica.

Se a chuva cai, prometo a ti meu ombro,
E um teto de esperança em cada gesto.
E se o verão cansar-se de assombro,
Teu riso há de trazer o dia honesto.

Há ruas que só levam para a tarde
E ruas que regressam para o mar.
A nossa, em doce nó, tudo resguarde,
Pois escolheu, em nós, permanecer.

Assim cultivo a calma do teu nome,
Como quem planta abrigo para o inverno.
O coração, enfim, desaprende a fome,
E aprende a ser, contigo, mais eterno.

Se algum rumor de sombra nos tocar,
Hás de encontrar em mim porto e braceiro.
Porque o amor, nascido para durar,
É casa aberta, pão, água e luzeiro.

IV

No beijo inaugural cabem auroras,
Cabem promessas, cabem redescobertas.
E mesmo quando o mundo fecha portas,
Em nós permanecem janelas abertas.

Teu passo escreve uma caligrafia
Que só meus olhos sabem traduzir.
E o corpo todo inventa uma harmonia
Capaz de redizer e redimir.

Quando anoitece e o céu baixa cortina,
Teu colo abriga os ecos do caminho.
E a solidão, que antes me definia,
Desfaz-se em luz e perde-se sozinha.

Se o tempo nos pedir algum cuidado,
Oferto a ele a paciência da seiva.
E sigo em ti, de peito desarmado,
Porque o amor é a pátria que me enleva.

E quando a aurora erguer nova bandeira,
Seremos nós, no claro amanhecer:
O mapa, o porto, a trilha verdadeira,
O beijo eterno a nos reconhecer.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

Tempo, Areia e Olhar

Posted in Sem categoria on 14 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No deserto, o vento sopra tua lembrança,
mistura de jasmim e pó dourado.
Teu olhar — me acolhe sempre —
guarda segredos de um sol encantado.

Andamos entre templos e promessas,
a lua pousa no véu da tua pele.
Teu toque é oásis, teu riso, miragem,
meu corpo é peregrino que te revela.

As estrelas curvam-se sobre nós,
em silêncio de séculos e calor.
E o Egito, cioso e infinito,
nos coroa em seu rito de amor.

(Betto Gasparetto- v-mmiii)

Passeios ao Entardecer

Posted in Sem categoria on 13 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

O jardim respira incensos de paz,
e as flores de cerejeira dançam.
Teus passos leves tocam o lago,
como harpas em águas que esperam.

O ar é poema sem voz,
o tempo, monge em meditação.
Teus olhos, templos de ternura,
onde minha alma faz oração.

O mundo desaparece em cor.
Nenhum som ousa romper o instante.
E o amor, vestindo quimono de brisa,
se ajoelha em gesto elegante.

(Betto Gasparetto- v-mmiii)