O Cais da Partida

Posted in Sem categoria on 13 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

O mar revolto canta meu tormento,
E a cada onda aumenta o sofrimento.
O cais deserto é palco de partida,
E nele jaz o resto de minha vida.

As velas partem, levando o meu consolo,
E o coração se perde em pranto tolo.
O mar consome em sal a minha dor,
E afoga em si o que restou do amor.

Queima só mais um instante de memória,
Antes que o breu consuma toda história.
E quando fores pó, fulgor esquecido,
Serei silêncio, sombra, despedido.

No fim, só resta a chama que se apaga,
E a vida cessa em treva que se alarga.
Não mais esperança, não mais claridade,

Só o vazio da cruel realidade.
E nesta noite em que o fim proclama,
Eu me despeço: és tu, minha última chama.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Enquanto o Tempo Sopra

Posted in Sem categoria on 12 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Se algum alicerce ainda me sustenta,
É a lição nua que a ruína apresenta.
Que todo encanto é argamassa instável,
E todo afeto é torre vulnerável.

Mas se o deserto pede voz e abrigo,
Faço do peito um pequeno castigo:
Casa de pedra clara e porta aberta,
Onde a humildade habita, mansa e certa.

E enquanto o tempo sopra e desfaz planos,
Reaprenderei tijolo após meus danos.

Teu nome ecoa em cada rua deserta,
E em mim se abre uma ferida incerta.

A noite guarda o frio da saudade,
E o coração declina à ansiedade.
As sombras dançam, rindo de meu pranto,

E em cada canto ouço o teu encanto.
Mas sei que foste e não vais regressar,
E em mim só resta o árduo de esperar.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Reino em Silêncio

Posted in Sem categoria on 11 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Abandono, és coroa que me veste,
És o tirano que no peito reste.
Na tua corte só existe dor,
E teu decreto é morte do amor.

Reino em silêncio, em pedra e cinza fria,
Meu cetro é luto, é pranto, é agonia.
E nesta sala de trono desolada,
Não resta nada além da dor calada.

Ó abandono, és monarca eterno,
Que me governa em cárcere moderno.
Não há regresso, não há revolução,
Só resta a dor do frio coração.

E no reinado feito de ruína,
O peito sangra, mas ainda se inclina.
No trono vil do abandono cruel,
Coroo em lágrimas meu próprio papel.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Última Chama

Posted in Sem categoria on 10 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Restou no peito a chama derradeira,
Tão frágil quanto luz de lamparina inteira.
O vento sopra e quase a desfaz,
Mas ela insiste em dar-me alguma paz.

É tênue fogo, último resquício,
Que guarda ainda o sonho do início.
Mas sei que logo o sopro a consumirá,
E na escuridão meu peito dormirá.

A chama brilha em cores quase mortas,
E de saudade enche as frias portas.
Recorda o beijo, o gesto, a antiga mão,
E reacende o pranto do coração.

Mas cada raio é dor que se repete,
E cada luz é sombra que compete.
A chama dança, trêmula, cansada,
Que me governa em cárcere moderno.

Não quero mais lutar contra a verdade,
Ó chama, sê meu último consolo,
E apaga o fardo deste peito tolo.
Aceito a noite em sua eternidade.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Trono do Abandono

Posted in Sem categoria on 9 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Ergui no peito o trono da esperança,
E nele pus a coroa da confiança.
Mas veio o tempo, em marcha traiçoeira,
E me deixou sozinho à noite inteira.

O trono, outrora cheio de aliança,
É só ruína feita de lembrança.
Não há mais cetro, nem poder, nem glória,
Só abandono a governar minha história.

O coração que reinou sobre ilusões,
É hoje servo das próprias desilusões.
O trono vago guarda apenas pó,
E nele reina a solidão sem dó.

Não mais existem súditos de afeto,
Nem mais conselhos do amor tão dileto.
O reino é frio, despido e derrotado,
E o rei se torna escravo do passado.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)