A Casa Que o Destino Nos Empresta

Posted in Sem categoria on 27 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Há uma casa onde o destino mora,
Entre o agora e o que não se prevê.
Nela o silêncio fala e o tempo ora,
E cada quarto abriga o verbo “crer”.
As paredes guardam ecos de esperança,
E o chão, memória de passos antigos.
A janela abre em flor e lembrança,
E o teto é céu sem medo nem perigos.
Foi lá que a vida, sábia e benfazeja,
Assinou o contrato da peleja.

II

A casa tem janelas que conversam,
Com o rumor manso das horas lentas.
E as cortinas, que ao vento se dispersam,
Parecem véus de almas sonolentas.
Na sala há livros, risos, porcelanas,
E um abajur que acende devagar.
No canto o tempo escreve suas canas,
E o amor descansa para recomeçar.
Cada cômodo exala calma antiga,
E o ar respira em tom de cantiga.

III

A mesa é altar do pão e da conversa,
O vinho é prece, o gesto é comunhão.
O amor não fala alto, se dispersa
No toque simples de uma refeição.
O cheiro do café resume a vida,
O sol da tarde entra pelo vidro.
E o tempo, que não dorme nem duvida,
Se deita em paz no lume do abrigo.
Na cozinha o mundo se reequilibra,
E a alma encontra o tom que a reanima.

IV

No quarto, o lençol tem cheiro de infância,
O travesseiro guarda confidências.
E o corpo, em sua dócil relevância,
Encontra a fé nas próprias coincidências.
As janelas respiram o entardecer,
Com tons dourados de melancolia.
O amor, cansado, aprende a renascer,
E o sono vem em branda sinfonia.
Até o sonho aceita o que o destino
Chama de paz no chão do peregrino.

V

E se o tempo, um dia, nos pedir abrigo,
A casa abrirá as portas para ele.
E o destino, cúmplice e amigo,
Nos devolverá em forma de aquarela.
Pois o amor é lar, é luz, é chão:
A eternidade em construção.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)

Intervalo em que o Sol Descansa

Posted in Sem categoria on 26 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Se o mundo ruge e o caos se multiplica,
Tua voz organiza o calendário.
O peito segue o ritmo que indica,
E a vida acha sentido solidário.
Teu nome é pausa entre uma era e outra,
É o intervalo em que o sol descansa.
Na ampulheta do afeto, a rota é outra,
E o grão do tempo é pó de confiança.
Tudo o que urge cede à calmaria,
E o amor se ergue como liturgia.

II

Não peço eternidade em monumento,
Mas o instante claro que nos contém.
O tempo é breve, o gesto é fundamento,
E o coração conhece o seu além.
Se amanhã vier frio, trarei coberta;
Se vier calor, serei sombra e abrigo.
A vida, em ti, é estrada descoberta,
E o tempo, em nós, aprende o que é antigo.
No livro das horas, reescrevi
Que o tempo é amor quando está em ti.

III

Se a morte vier em seu compasso exato,
Encontrará dois corpos no descanso.
E o céu, ciente, ouvirá o relato
De dois amores plenos, sem remanso.
O tempo, ouvindo, há de parar também,
E o mundo, em respeito, guardará.
Pois o amor, que é alma e chão de alguém,
É quem ensina o tempo a perdoar.
E as horas, antes firmes, vão sorrir:
Não há relógio que saiba medir.

IV

Assim seguimos, fora do costume,
Com o olhar que eterniza o cotidiano.
E o coração, em sua doce fome,
Descobre o pão do gesto soberano.
Amar-te é suspender toda medida,
É dar à vida um eixo e uma estação.
E o tempo, ao ver, desiste da corrida,
Pois já entendeu a nossa dimensão.
E o relógio, cansado de esperar,
Canta as horas que o amor quis poupar.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)

Estradas que o Destino Deixou Cruzar

Posted in Sem categoria on 25 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Te vi chegando em luz de fim de tarde,
E o chão sorriu, cansado e delicado.
O vento abriu cortinas sem alarde,
E o tempo disse: agora é o teu cuidado.
Teu passo traduziu meu próprio passo,
E a rua aprendeu novo compasso.
O dia respirou entre teus ombros,
E a pressa adormeceu sem seus escombros.
Falaste pouco; a pele completou,
O que a distância, tonta, não contou.
O rumor da cidade, em nós, perdeu,
O gosto de ser ruído que ardeu.
Estendi a mão, cabiam dois invernos,
E duas primaveras já internas.

II

Teu nome, antigo, soou como destino,
E o coração seguiu pelo teu caminho.
Eu vi no céu um mapa de chegada,
E nele teu olhar era a estrada.
Os semáforos do mundo se renderam,
E as buzinas cansadas se calaram.

Teu riso fez do outono doce abrigo,
E o verão pendurou-se no teu trigo.
Partimos sem partir: ficamos perto,
E o longe foi mudando o seu deserto.

III

Descemos a calçada em voz baixa,
E o céu acendeu lâmpadas de praia.
Eu te ouvi dentro, antes de escutar,
Porque o silêncio aprendeu a falar.
Teu gesto desatou nós invisíveis,
E as rotas se tornaram mais possíveis.
Quem olha de fora chama de acaso,
Mas nós sabemos: era outro prazo.

O tempo, alfaiate, acertou barras,
E o destino pregou botões nas garras.

IV
Teu beijo reposicionou meus móveis,
E a casa respirou fundos mais nobres.
Na mesa era evidente o reencontro,
E a xícara cabia o mar sem ponto.
Falamos de manhãs que ainda viriam,
De telhados, varandas, romarias.
Prometemos o simples: estar presentes,
E repartir o pão das nossas mentes.
Prometemos silêncio quando bastar,
E a palavra sóbria para cuidar.

V
Eu prometi teu nome num abrigo,
Tu prometeste a calma de um amigo.
E assim seguimos, leves de projeto,
Com o futuro pousado no concreto.
Se a chuva ensaiar sua impaciência,
Seremos nós a casa da paciência.
Se o sol exigir sombra e clareira,
Daremos nós a sombra verdadeira.
Se o mundo levantar seus precipícios,
Ergueremos cordames e ofícios.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)

Teu Nome é Xeque-Mate Sobre meu Peito

Posted in Sem categoria on 24 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu passo ensinou fé, como quem tece,
E o medo recusou-se ao que entristece.
Eu aprendi contigo a disciplina,
E a alegria serena que ilumina.
Descubro, a cada esquina, que te encontro,
Mesmo quando pareço estar de pronto.
Teu corpo não é porto de fuga:
É porto de chegar, paz que madruga.
E quando a noite fecha sua cortina,
Teu colo abre janela azul e fina.

II
Nele me deito e vejo constelações,
Que a pele acende em brandas pulsações.
E o mundo, lá de fora, se revela,
Menor, gentil, sem pressa de cautela.
Se a saudade vier pedir cadeira,
Damos café, palavra verdadeira.
Ela, educada, aprende o seu lugar,
Entende que é possível descansar.
E quando a aurora estende seu tecido,
O dia nasce claro e consentido.

III
Teu nome é bússola sobre meu peito,
E o norte se tornou maior e estreito.
Eu sei que nada é fácil ou perfeito,
Mas tudo é bom quando há respeito.
O destino escutou nossa conversa,
Assinou, sorridente, a tua versa.
Eu disse sim, você disse também,
E a estrada nos chamou de vai e vem.
Não quero eternidade em monumento,
Quero o instante fiel, nosso sustento.

IV
Quero varrer a varanda convosco,
E ouvir do chão o ruído do tosco.
Quero dobrar lençóis, levar ao sol,
E devolver à tarde o seu farol.
Quero regar a planta do costume,
E acender, à noite, o nosso lume.
Quero viver contigo o que vier,
O que se dá, o que se puder.
E quando o tempo vier nos medir,
Que nos encontre prontos a sorrir.

V
Com mãos de quem cuidou do que é semente,
E olhos que aprenderam ser paciente.
E quando o fim chamar nossa atenção,
Que seja só começo noutra estação.
Porque o destino é casa transitória,
E o amor, nosso telhado de memória.
Te vi chegando em luz de fim de tarde,
E o coração ficou para a viagem.
Desde esse dia, tudo o que seguiu,
Foi estrada que o teu passo abriu.

VI

O final é de esperança madura.

VII

Sensação: o destino, afinal, não erra o caminho.

(Betto Gasparetto- viii-mmxxii)

As Horas Que o Amor Esqueceu Contar

Posted in Sem categoria on 23 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

O relógio dorme e o tempo se dispersa,
Quando teu riso dobra a dimensão.
O ar suspende o ponteiro e conversa
Com a quietude pura da emoção.
Nenhuma hora é dona de nós dois,
Nem calendário ousa nos medir.
O amor é eterno em seu depois,
E aprende o dom antigo de florir.
Cada minuto, ao teu redor, repousa,
E o tempo, humilde, enfim se recompõe.

II

Tu és o instante em que o mundo cessa,
E a pressa perde o fôlego e o tom.
O coração, que antes vivia em pressa,
Descobre o verbo lento da canção.
O sol demora a cruzar tua janela,
E o dia pede pausa no relógio.
O vento aprende a ser sentinela,
E o céu refaz a cor do seu antológico.
A vida, em ti, é sonho atemporal,
É o silêncio pleno e natural.

III

No teu abraço mora o interstício
Que o tempo ignora e Deus recorda.
E o amor, que é mais que artifício,
Transforma o medo em flor que não se dobra.
Os dias, em tua pele, são feriados,
E as noites, luas de respiração.
No compasso manso dos teus lados,
O corpo aprende o ritmo da razão.
E a eternidade, clara, nos visita,
Em cada gesto simples que se imita.

IV

Não há relógio que nos contenha,
Nem cronômetro que saiba medir.
A vida inteira em teu olhar se empenha
Em traduzir o verbo de existir.
O mundo corre, eu fico no teu passo,
E o tempo erra a hora de partir.
O sol repousa inteiro em teu abraço,
E a sombra esquece o dom de dividir.
Até o vento muda de sentido,
Pra ver o amor ser lento e decidido.

V

Teus olhos marcam o compasso certo,
São bússolas do agora e do além.
E quando a tarde chega por perto,
Tudo parece calma e vai-se bem.
O relógio, cético, se resigna,
Entende o tempo como gesto humano.
E cada toque teu o reassigna,
Faz do futuro um solo soberano.
V
IAssim o amor governa a duração,
E dita o pulso da respiração.

(Betto Gasparetto- i-mmxix)