Quando Te Vejo

Posted in Sem categoria on 14 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Guardo a distância em caixas de madeira,
Marcadas com a data e com a hora.
Quando te vejo, abro a derradeira,
E deixo o vento livre ir embora.

Não quero o peso triste do que falta,
Quero a leveza clara do que vem.
Teu passo chega e a casa se exalta,
Como se o céu coubesse em nosso bem.

A campainha toca e o sol responde,
E a rua inteira em festa nos esconde.

II

Guardo a coragem ao lado da janela,
Para vestir teus ombros se esfriar.
Se a vida vem com regras e cautelas,
Seremos nós a regra: cuidar.

A manta, as mãos, o chá que te encoraja,
O livro aberto em páginas de calma,
E a voz que lê enquanto a chuva alaga
O medo antigo preso em nossa palma.

E então a noite torna-se caminho,
E o cansaço aprende a ser vizinho.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Silêncios, Madrugadas e Vasos na Varanda

Posted in Sem categoria on 13 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Guardo o futuro em vasos na varanda,
Com terra boa e água suficiente.
Ali plantamos tudo o que nos manda
O coração — paciente, inteligente.

Crescem manjericões, crescem promessas,
Crescem segredos doces, quase flores.
E cada broto novo nos confessa
Que o tempo sabe cultivar amores.

Eu rego a fé discreta de estar perto,
E o mundo cabe inteiro no concerto.

II

Guardo o silêncio na última gaveta,
Para entregar-te quando te despires.
Ele te veste em paz, e a vida aceita
Que amar também é norma de porvires.

E quando a madrugada for mais clara,
E a casa respirar como oceano,
Saberás que guardar é obra rara:
Não reter, mas cuidar do que é humano.

E assim seguimos, limpos de alarde:
Eu te guardando, e tu, livre de tarde.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

O Sol Descansa em Nossa História

Posted in Sem categoria on 12 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Guardo tua voz nas tábuas do que sou,
Para que a chuva saiba me encontrar.
Ela percorre o mapa que traçou,
E acende a casa, pronta a conversar.

Teu timbre é lã que veste a minha pressa,
E a vida cabe inteira numa sala.
O mundo pede trégua e te confessa
Que só teu colo acalma e não me cala.

O tempo, que fazia linhas duras,
Agora escreve apenas doçuras.

II

Guardo teus passos no pátio do futuro,
Para que a tarde tenha a quem seguir.
A sombra das arcadas fica em ouro,
E a primavera finge não partir.

Nos bancos de madeira o sol descansa,
E a claridade canta no ladrilho.
Eu sento ao teu lado e a esperança
Ajeita a vida em tom de mais brilho.

O piso antigo guarda a nossa história,
E o gesto simples dobra a própria glória.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Palavras e Promessas ao Entardecer

Posted in Sem categoria on 11 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Guardo teus risos no armário da cozinha,
Entre o café, o pão e a travessa branca.
A chama do fogão vira rainha,
E o cotidiano dança na estante.

Há panelas que tocam clarinetes,
E pratos que rebatem em marfim.
A vida, em nós, dispensa os epítetos,
E vira canto limpo, azul-jasmim.

No azulejo antigo, a luz se deita,
E o cheiro bom decide que aproveita.

II

Guardo tuas cartas no forro do telhado,
Para que o céu nos leia ao entardecer.
A brisa abre envelopes no passado,
E o pó do tempo aprende a se mover.

Cada palavra tua é uma promessa
Tão simples, clara, forte e verdadeira,
Que o mundo, ao lê-la, em si confessa
Que amar exige a fé de uma bandeira.

Eu ergo a nossa, branca e sem vitórias,
Pois basta estar de mãos nas mesmas histórias.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Cânticos ao Teu Nome

Posted in Sem categoria on 10 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Se a ausência teimar seu breve inverno,
Eu acenderei lamparinas de lembrança.
Pois cada gesto teu é verbo eterno
Que me devolve à fé da confiança.

E quando a porta enfim se reabrir,
A casa inteira cantará teu nome.
No vão da sala o dia vai florir,
E o coração comerá pão sem fome.

Então saberei, sem dúvida ou palavra:
O amor é o ritual que nos lavra.

II

Quando a manhã raiar de novo e sempre,
Teu nome será bússola e guarida.
E eu seguirei contigo, plenamente,
No compasso tranquilo desta vida.

Sem prometer o sol de toda a estrada,
Mas prometendo estar quando anoitecer.
Porque a promessa justa e bem lançada
É simplesmente: amar e aparecer.

E no registro manso do destino,
Assino: teu, na luz que te defino.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)