Reino da Espera e da Promessa

Posted in Sem categoria on 21 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Te espero em tardes claras de demora,
Onde o tempo descansa nos relógios.
A vida, paciente, não implora,
Mas te pressente em ventos e refugos.
Cada minuto é um rio transparente,
Que corre manso em direção ao encontro.
E o coração, fiel e diligente,
Guarda o rumor do passo que desponto.
O amor, nesse reinado da esperança,
É coroa, é dor, é confiança.

II

Te espero em noites longas de silêncio,
Quando a lua parece tua pele.
O mundo se retrai, o céu é denso,
E o peito acende o fogo que revela.
As horas passam lentas, mas suaves,
Como se a eternidade me ensinasse
Que o tempo, mesmo lento, é ave,
Que voa só quando o desejo nasce.
E a espera, que seria dor e cansaço,
É semente de paz e de abraço.

III

Te espero entre os gestos da rotina,
No pão cortado, no café das oito.
Em cada ato, a vida me ensina
Que o simples é o que o amor foi feito.
A solidão, que antes era sombra,
Agora é campo fértil e fecundo.
Pois tua ausência, que em mim assombra,
É o que me liga ao todo e ao mundo.
Na mesa posta há sempre um lugar,
Que a fé, discreta, insiste em reservar.

IV

Te espero quando o vento muda o rumo,
E traz no ar um gosto de retorno.
É quando o coração refaz o sumo,
E o peito, em festa, ergue seu contorno.
Cada lembrança tua é claridade,
Que risca o céu de prata e sentimento.
E a vida, comovida, em verdade,
Transforma a espera em fundamento.
Assim o tempo aprende a não temer,
E o que era ausência vira renascer.

V

Te espero, e a cidade se acomoda,
No compasso manso do que é certo.
As luzes brilham, tímidas, na moda
De imitar o teu olhar desperto.
Os prédios são castelos do futuro,
As ruas, rios em constante canto.
E o coração, cansado, mas seguro,
Segue o teu rastro e esquece o pranto.
Pois o amor, em sua lei primeira,
Faz do esperar a fé verdadeira.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

Na Eternidade dos Sentimentos

Posted in Sem categoria on 20 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

O jardim floresce em tua ausência,
Mas em tua volta o perfume se completa.
Os pássaros retomam a cadência,
E o tempo esquece o que nos inquieta.
Em cada flor há um toque do teu riso,
Em cada folha um sopro do teu ar.
E o coração, sereno e indeciso,
Aprende, enfim, o dom de repousar.
O sonho é casa — e o teu, morada,
Onde a vida se faz renovada.

II

O sótão guarda as coisas do passado:
Cartas, retratos, velhas melodias.
Mas tudo ali respira em novo estado,
Pois teu amor as faz alegorias.
O tempo, comovido, perde a pressa,
E o pó se torna ouro sobre as tábuas.
Até o silêncio, dócil, te confessa
Que o amor venceu o medo e as mágoas.
E o teto, ouvindo, abre-se em clareza,
Como quem aprende a natureza.

III

Quando a noite cobre a arquitetura,
O amor acende as lâmpadas do ser.
E o mundo inteiro encontra a estrutura
Do verbo simples e do bem querer.
Teu sonho é casa, templo e fortaleza,
De pedra, riso, fé e confissão.
E eu, que nele moro com leveza,
Sou hóspede da própria redenção.
Nada há mais eterno que teu gesto,
Nem mais sagrado que o que manifesto.

IV

E quando o tempo, um dia, nos chamar,
A casa ficará no chão dos ventos.
Mas seu alicerce irá perpetuar
Na eternidade dos sentimentos.
Pois o que o amor constrói em harmonia
Nenhuma dor ou sombra há de apagar.
E o sonho, que era casa e poesia,
Será memória pronta a iluminar.
Assim termino o plano e o projeto:
Amar-te foi meu único arquiteto.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)

——Tratado Breve sobre o Amor e a Vaidade ——- …………..(Seis Sonetos e uma Hesitação)……………..

Posted in Sem categoria on 19 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

CAPÍTULO I — Das Raízes da Vaidade

O amor nasceu soberbo como aurora,
Vestiu-se em ouro antes de ser verdade;
Mirou-se em mim qual fonte que se adora
E fez do próprio ardor sua vaidade.

Quis ser jardim sem aceitar a terra,
Flor sem raiz, perfume sem espera;
Mas todo afeto que se exalta e erra
Aprende tarde o peso que o tempera.

Amei-te assim, altivo e desmedido,
Crendo ser rei num trono imaginado;
Hoje sei bem: o amor só é erguido
Quando se curva, humano, ao ser amado.


CAPÍTULO II — Lábios de Aconchego

Teus lábios são abrigo contra o tempo,
Portas abertas quando a noite cai;
Neles repousa o verbo mais sereno
Que a dor escuta e, dócil, se desfaz.

Não pedem pressa, exigem permanência,
São casa acesa em tarde de inverno;
Beijá-los é firmar sobrevivência
Num pacto antigo, terno e sem governo.

Se o mundo ruge em vozes de aço e medo,
Tua boca me ensina outro idioma:
O silêncio que salva, lento e cedo,
E aquece o peito como antiga soma.


CAPÍTULO III — Abraços de Ternura

Há braços teus que sabem do meu cansaço
Antes que eu diga o peso de existir;
Eles me cercam como firme laço
Que não aprisiona — ensina a florir.

No teu abraço, o caos se ajoelha,
A alma desaprende a se defender;
Sou menos lâmina, sou mais centelha,
Quando teu corpo escolhe me acolher.

Quem toca assim não busca posse ou mando,
Mas comunhão, repouso e partilha;
Teu gesto é reino manso se formando
Onde o amor governa sem armilha.


CAPÍTULO IV — Beijos e Desejos

O beijo é chama escrita em carne viva,
Promessa breve que incendeia o chão;
Desejo é rio que jamais deriva
Sem encontrar teu corpo em contramão.

Não é só fome: é sede de infinito,
É verbo ardendo à beira do dizer;
Na boca o mundo cabe, pequeno e rito,
E o tempo esquece a pressa de correr.

Se peco, é por querer-te em demasia,
Por fazer do teu toque religião;
Pois todo amor que ousa em poesia
Prefere o risco à fria negação.


CAPÍTULO V — Por um Motivo a Mais

Amo-te não por tudo que me dás,
Mas pelo que em mim fazes despertar;
Por esse “a mais” que nunca pedes, mas
Insistes, silenciosa, em me ofertar.

És causa quando o efeito já termina,
Luz remanente após o pôr do sol;
Amar-te é escolha lúcida e contínua,
Não acidente, impulso ou arrebol.

Se o mundo exige máscaras e jogos,
Contigo sou apenas o que sou;
E nesse excesso simples — entre nós —
Descubro o amor maior que já restou.


CAPÍTULO VI — Soneto Inacabado (Do Amor que Hesita)

Se te disser que o amor não sabe o rumo,
Minto: ele sabe, mas prefere tardar;
Tem medo antigo de perder o lume
Que faz do peito um lugar de ficar.

Teu nome soa em mim como sentença
Que pede vida antes de conclusão;
Sou verso preso à própria reticência,
Temendo o fim que nasce da paixão.

Se avanço, temo o peso da verdade;
Se calo, sangra em mim o não dizer…

(o soneto se interrompe, como o amor que ainda não ousou concluir-se)

(Betto Gasparetto – x-mmxx)

INTERVALLUM

Posted in Sem categoria on 18 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Brenda GG)

Doloroso é abrir os olhos e perceber-me
na superficialidade,
Aninhada nos destroços que essa lucidez
deixou.

É a quietude, o passo mais perto
que me corroí —
Inevitavelmente.

Aquele milésimo de segundo que
distanciara sua mão fria
Do meu eu morno.

Antevejo a dor maior quando
O fragmento dessa lembrança for
lançado ao espaço,
Oco.

E o martírio repentino e repensado
milhares de vezes
Sobre a evitabilidade do abandono.

Inclino minha cabeça pesada ao longo
braço de um sofá envelhecido.
Atiro meu corpo ali, como um animal
abatido,
Aguardando a dissecação.

Sinto-me observada através do teto,
Que se assemelha às bordas de um
abismo familiar.
Lindo, transparente, porém cortante.

Fecho os olhos.
À espera de que, sutilmente, a sonolência
atordoada de divagações angustiantes
Me adormeça, imperceptível, imprecisa e
doce.

(BRENDA GGxvii-xii-mmxxv)

Teu Nome é Verbo Exato

Posted in Sem categoria on 17 de dezembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

No quarto, o amor repousa e se refaz,
A luz da lua encobre as imperfeições.
E os corpos, entre o tempo e o que se faz,
Compõem orações em vibrações.

Teu nome, dito ali, é verbo exato,
Que o peito diz sem precisar de voz.
E o mundo, lá fora, perde o trato,
Pois a verdade cabe apenas em nós.

O teto respira e o dia se renova,
Com cada beijo que o instante prova.

II

A janela abre a alma à claridade,
E o sol visita as flores da varanda.
A vida sorri em sua simplicidade,
E o amor, maduro, planta e comanda.

Não há espelho que te defina inteira,
Pois tua essência é móvel e contínua.
Teu gesto é ponte entre a luz primeira
E o infinito que em ti culmina.

E o mundo aprende, ao ver-te, em calma:
Que o lar é o reflexo de uma alma.

(Betto Gasparetto- vii-mmxvii)