No Fim do Dia

Posted in Sem categoria on 21 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Quando anoitece e a cidade se aquieta,
Eu recomeço o diálogo do peito.
Teu nome vem, suave, e me interpreta,
E tudo volta ao eixo mais direito.

Prometo pouco: estar e não faltar,
Cuidar do simples, água, fogo, leito.
Prometo o tempo, o riso e o escutar,
Prometo abrigo em cada novo pleito.

E a primavera, lúcida, declara:
“Amar é verbo que não se separa.”

II

Se o acaso vier rude nos provar,
Teremos pão e braço repartido.
Se a sorte vier mansa nos louvar,
Teremos gratidão por ter vivido.

No fim do dia, o saldo é teu calor,
Na soma das miudices que salvamos.
E a vida escreve, em letras de valor,
O tratado da ternura que juramos.

Nada nos falta quando estás aqui:
O mundo cabe em nós, e eu te escolhi.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

A Névoa Insiste e Tece

Posted in Sem categoria on 20 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Se o mundo é vasto, vasto é teu abraço,
Onde repouso e volto a começar.
Se o mundo é duro, doce é teu espaço,
Onde a coragem sabe me buscar.

Teu nome cabe inteiro na manhã,
Desajeitando toda lembrança-vã.
Eu sigo firme, como quem se esquece,
Do frio que a névoa insiste e tece.

Tudo que pesa aprende a ser semente,
Quando tua calma pousa, transparente.

II

Teus olhos são janelas para um campo
Que não termina em cerca ou em muros.
Neles o tempo deixa o velho pranto,
E o chão produz afetos mais maduros.

Eu me converto ao pacto do cuidado,
Aprendo a escuta, o gesto, a paciência.
No teu olhar, o mundo é decantado,
E resta o que é de fato, não aparência.

Assim, de mãos unidas, pão e lume,
Erguemos nossa casa sem costume.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

Afeto Soberano

Posted in Sem categoria on 19 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Eu te conheço antes de te saber,
Como quem acha a fonte num deserto.
Teu passo ensina o meu a renascer,
E tudo o que era longe fica perto.

Não prometemos ouro nem castelos,
Apenas chão, confiança e cotidiano.
Mas nesse pouco moram mil relevos,
De sol, de pão, de afeto soberano.

No livro aberto de uma tarde clara,
Tua presença é a linha que prepara.

II

O beijo é rito novo e ancestral,
Assina a paz depois de cada guerra.
No seu calor, o medo perde o sal,
E a vida aprende a música da terra.

Tua respiração dita a medida
Do passo franco rumo ao porvir.
Sem alarde, costuras minha vida,
Com linha honesta, pronta a resistir.

E cada ponto é voto silencioso,
De um futuro simples, luminoso.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

Tratado da Ternura Inacabada

Posted in Sem categoria on 18 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

Teu nome é uma brasa que não fere,
Aquece o instante e alonga e emana.
No peito, a antiga dúvida se rende,
E a vida aprende a escrita mais humana.

Teu riso, correnteza que me guia,
Desata os nós do medo e da demora.
Quando me tocas, a noite se ilumina,
E o mundo acha sua voz de aurora.

Teu passo dissolve trânsitos sem fim,
E em mim inaugura um chão de jardim.

II

Teu gesto é o ofício de quem cuida,
Uma ciência antiga e sem alarde.
No fundo dos teus olhos há um porto,
Onde a saudade atraca e se acalma.

Eu guardo em mim o mapa dos teus dias,
E sigo as margens claras do teu rio.
No contorno da alma, doce brisa,
Teu nome é abrigo, pão e desafio.

Se a tarde pesa, o vento te traduz,
E o coração entende a própria luz.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)

No Contorno da Alma

Posted in Sem categoria on 17 de novembro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

I

No rumor do teu colo cabe um mundo,
Com ruas que regressam à ternura.
Teu silêncio é um poema que responde
A toda pergunta antiga e obscura.

Quando te escuto, o tempo se ajeita,
Descobre o compasso de viver.
E o que era ausência vira colheita,
E o que era inverno aprende a florescer.

A casa inteira muda de estação,
No sulco generoso da tua mão.

II

Se a chuva cai, teu nome é cobertor,
Se o sol é forte, és sombra delicada.
Em cada hora, uma língua de amor,
Que aperfeiçoa a fala enamorada.

Teus dedos dizem coisas que não digo,
E o corpo aprende a pausa necessária.
Por ti reviso o mapa do perigo,
E escolho a estrada mansa e voluntária.

Na travessia, leve como um véu,
A esperança escreve azul no céu.

(Betto Gasparetto- vi-mmxvii)