Fragmentos Humanos (02/50)

(Betto Gasparetto)

II – Luz Ofuscada

by Dall E-3

Ó luz divina, outrora clara e pura,

Que em teus raios meu caminho iluminaste,
Agora ofuscada,

tua essência obscurecida,
Pelo véu do tempo que cruelmente passaste.
Em meu coração,

tua chama antes ardia,
Agora vacilante,

sob a sombra fria.

Como uma estrela perdida em noite densa,
Teu brilho se oculta,

em escuridão imensa.
Oh, como anseio por teu fulgor primeiro,
Que dissipava a névoa de meu desespero.

Mas, ah, o Tempo, com suas mãos despóticas,
Soprou sobre ti, ó luz, ventos caóticos.

Antes resplandecias, firme e constante,
Guia das almas em busca do horizonte,
Agora,

tremulas,

fraca e distante,
Como um eco perdido em longínqua fonte.


Por que, ó luz, abandonaste teu apogeu,
Deixando-me à mercê do escuro, ao léu?

Contemplando a sombra onde antes brilhavas,
Sinto o frio abraço das noites agruras.

Ó luz ofuscada, onde está teu fervor?

Teu calor, que afastava a dor?

Eras meu farol, minha esperança singela,
Agora, apenas uma lembrança amarela.

Em tempos de outrora, eras meu consolo,
Enchendo de brilho meu pobre solo,
Agora, tua ausência é um vazio cruel,
Um céu sem estrelas,

um sonho infiel.

Como posso caminhar sem teu guia,
Neste mundo vasto, de eterna vigília?

Perdido estou,

sem tua chama fiel,
Navegando em mares de trevas, ao léu.

Ó luz, que outrora em esplendor jorrava,
Agora em meu ser apenas sombras cava.

(Betto Gasparetto – iv/xxi

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