Fragmentos Humanos (03-50)

(Betto Gasparetto)

III – Diante dos Muros

by Dall E-3

Diante dos muros que o destino ergueu,
Encontro-me, absorto em pensamentos,
Barreiras vastas, que o tempo concebeu,
Guardando sonhos, desejos e lamentos.

Oh, muros altos, de pedra fria e forte,
Quais segredos ocultais em vossa sorte?

Caminhei distante, em busca de sentido,
E diante de vós, encontro-me perdido.

Como transpor vossa rigidez austera,
E alcançar o que além de vós espera?

Vossos tijolos são feitos de memórias,
De amores perdidos e antigas glórias.

Cada pedra uma história a ser contada,
Cada fissura, um anseio, uma jornada.
Oh, muros, que ergueis vossas alturas,
Frente a vós, minhas esperanças são puras.

Desejo ardente de vos ultrapassar,
E no desconhecido, meu ser encontrar.

Por que, ó muros, sois tão impenetráveis,
Guardando em vosso seio os sonhos inefáveis?

Erguidos em tempos de dor e tristeza,
Refletem a alma em sua maior fraqueza.

Oh, como anseio vossa barreira romper,
E em liberdade, meu destino conhecer.

Diante de vós, me vejo a ponderar,
Sobre as escolhas que a vida me fez tomar.

Cada pedra simboliza um desafio,
Cada muralha, um obstáculo sombrio.

Mas há uma luz, ainda que tênue e distante,
Que brilha além, em um futuro vibrante.

Oh, muros, vós não sois eternos, sei bem,
Pois mesmo o mais forte, um dia vai além.

E na persistência, encontro a chave,
Para vos transpor e seguir sem trave.

Minha vontade é um rio que corre profundo,
E em sua força, romperei este mundo.

Em vossa sombra, medito sobre o tempo,
Que passa, indiferente ao meu intento.

Oh, muros, vós sois testemunhas mudas,
De tantas vidas, histórias e lutas.

E eu, mero mortal, diante de vós,
Busco um caminho, um sentido, uma voz.

Pois no além de vossas altas barreiras,
Sinto o chamado de terras mais verdadeiras.

O que me espera além do vosso escudo?

Será liberdade ou um novo entrudo?

Somente o passo adiante me dirá,
Se a coragem me levará.

(Betto Gasparetto – iv/xxi)

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