(Betto Gasparetto)
VI – Fúrias de Invernos
by Dall E-3
Oh, fúrias de invernos, ventos que rugem,
Que em vossa ira o mundo envolvem,
Trazendo sombras, que aos céus induzem,
E em vosso abraço gélido nos envolvem.
Em vossa fúria, a terra treme e chora,
Como almas perdidas, que imploram agora.
Vosso frio é uma lâmina cortante,
Que nos corações deixa dor incessante.
Oh, ventos do norte, impiedosos e fortes,
Vossas garras frias selam nossos sortes.
Em cada sopro vosso, um suspiro de dor,
Uma lembrança de verões que não têm mais calor.
Como fantasmas dançantes, em noites de névoa,
Vosso canto é um lamento, uma amarga entrega.
O céu se fecha em vosso reinado sombrio,
E a terra sucumbe ao vosso poder frio.
Oh, fúrias de invernos, por que nos atormentais?
Em vosso frio abraço, o que buscais?
Cada floco de neve, uma lágrima de gelo,
Cada tempestade, um desespero que zelo.
Em vossa fúria, vejo o reflexo da perda,
Uma dança de sombras, uma chama acesa.
Oh, inverno cruel, com teu toque de morte,
Levas consigo a esperança, como uma foice.
Mas mesmo em tua fúria, há uma estranha beleza,
Uma arte fria, uma sombria pureza.
Em teus ventos cortantes, há uma verdade,
Que em tua crueldade, há também uma realidade.
Oh, fúrias de invernos, vossos dias são contados,
Pois após vós, vem a primavera com seus fados.
Mas enquanto durais, sois soberanas,
Governando o mundo com mãos tiranas.
Em vossa fúria, há uma lição profunda,
Que mesmo na dor, a vida abunda.
Oh, inverno austero, teu reinado é transitório,
Mas em teu gelo, encontro um momento fim.
Como resistir ao vosso toque gelado,
E encontrar calor em vosso abraço quebrado?
Oh, fúrias de invernos, vós testais nosso vigor,
E em vossa prova, encontramos nosso valor.
Cada tempestade é um desafio lançado,
Cada noite fria, um sonho congelado.
Mas em cada batalha contra vossos ventos,
Encontro a força em meus próprios intentos.
(Betto Gasparetto – iv/xxi)




