Arquivo para julho, 2024

Fragmentos Humanos (06/50)

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

VI – Fúrias de Invernos

by Dall E-3

Oh, fúrias de invernos, ventos que rugem,
Que em vossa ira o mundo envolvem,
Trazendo sombras, que aos céus induzem,
E em vosso abraço gélido nos envolvem.
Em vossa fúria, a terra treme e chora,
Como almas perdidas, que imploram agora.

Vosso frio é uma lâmina cortante,
Que nos corações deixa dor incessante.
Oh, ventos do norte, impiedosos e fortes,
Vossas garras frias selam nossos sortes.
Em cada sopro vosso, um suspiro de dor,
Uma lembrança de verões que não têm mais calor.

Como fantasmas dançantes, em noites de névoa,
Vosso canto é um lamento, uma amarga entrega.
O céu se fecha em vosso reinado sombrio,
E a terra sucumbe ao vosso poder frio.

Oh, fúrias de invernos, por que nos atormentais?

Em vosso frio abraço, o que buscais?

Cada floco de neve, uma lágrima de gelo,
Cada tempestade, um desespero que zelo.
Em vossa fúria, vejo o reflexo da perda,
Uma dança de sombras, uma chama acesa.
Oh, inverno cruel, com teu toque de morte,
Levas consigo a esperança, como uma foice.

Mas mesmo em tua fúria, há uma estranha beleza,
Uma arte fria, uma sombria pureza.

Em teus ventos cortantes, há uma verdade,
Que em tua crueldade, há também uma realidade.
Oh, fúrias de invernos, vossos dias são contados,
Pois após vós, vem a primavera com seus fados.
Mas enquanto durais, sois soberanas,
Governando o mundo com mãos tiranas.

Em vossa fúria, há uma lição profunda,
Que mesmo na dor, a vida abunda.
Oh, inverno austero, teu reinado é transitório,
Mas em teu gelo, encontro um momento fim.

Como resistir ao vosso toque gelado,
E encontrar calor em vosso abraço quebrado?

Oh, fúrias de invernos, vós testais nosso vigor,
E em vossa prova, encontramos nosso valor.
Cada tempestade é um desafio lançado,
Cada noite fria, um sonho congelado.
Mas em cada batalha contra vossos ventos,
Encontro a força em meus próprios intentos.

(Betto Gasparetto – iv/xxi)

Fragmentos Humanos (05/50)

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

V – Ranger de Dentes

Oh, ranger de dentes, som de agonia,
Que invade a noite com teu tom sinistro,
És uma sombra que jamais desvia,
Uma presença que torna o ar mais triste.
Teu som ecoa em noites insones,
Marcando o compasso de dores profundas.
Como um lamento preso nas entranhas,
És o reflexo de tormentas tamanhas.

Oh, ranger de dentes, por que me atormentas?

Em teus ecos, a paz tu desventras.
Tuas notas são gritos de alma ferida,
Um lamento contínuo, sem guarida.

Em cada ranger, há um grito de dor,
Um eco de medos, um clamor de horror.
Tuas vibrações penetram a mente,
Deixando um rastro de angústia latente.
Como uma corrente que não se quebra,
Teu som se repete, incansável e tenaz.

Oh, ranger de dentes, és um cárcere cruel,
Prendendo meu ser em um eterno escarcéu.
Teus sons são como pregos em meu espírito,
Cada ranger, um golpe explícito.
E no silêncio da noite, és um tormento,
Que devora a paz, como um faminto vento.

Por que, ó ranger de dentes, me persegues?

Em teus ecos, minha mente desnorteias.
Tuas notas são de um desespero velado,
Uma dança macabra, um tango descontrolado.
Em cada instante, tua presença assombra,
Um espectro sombrio que nunca se atenua.

Oh, ranger de dentes, quando cessarás?

E permitirás que a paz, enfim, prevaleça?

Em teu som, ouço a voz da angústia,
Um grito preso em uma câmara oculta.
E na penumbra da noite, tu me cercas,
Como sombras que nunca se desferem.

Cada ranger é um martelo em meu ser,
Uma lembrança de dores a percorrer.

Oh, som infernal, por que insistes?

Tuas notas são agulhas, tão persistentes.
Em teus ecos, encontro meu desespero,
Uma repetição de um tormento sincero.
Como romper tua melodia sombria,
E encontrar a paz que tanto anseia?

Oh, ranger de dentes, tua presença é um fardo,
Uma corrente invisível, um laço amargo.
Em teu som, perco a sanidade,
E encontro apenas a mais profunda ansiedade.

Mas há uma verdade em teu contínuo som,
Um reflexo de medos, um destino atroz.
Pois em cada ranger, há um pedaço de mim,
Uma parte de minha alma, em prantos, enfim.

Oh, ranger de dentes, espelho de tormento,
Em teus ecos, vejo meu lamento.
Teu som é uma janela para a dor,
Um reflexo de um mundo sem cor.
Mas mesmo em tua sombra, há um brilho,
Uma luz tênue, um frágil trilho.

Pois em reconhecer tua presença constante,
Encontro forças para seguir adiante.

Oh, ranger de dentes, tua música sombria,
É uma lembrança de que a dor é companhia.
Mas mesmo na noite mais escura e fria,
Há uma promessa de um novo dia.

Teu som, um eco de um coração ferido,
É um testemunho de um espírito vivido.

E ao confrontar tua cadência incessante,
Encontro em mim uma resistência vibrante.
Oh, ranger de dentes, não me vencerás,
Pois em meu peito, a esperança jaz.

E mesmo em teus ecos, ouço a canção,
De uma alma forte, que busca redenção.

Assim, ó ranger de dentes, te encaro,
Com coragem renovada, sem amparo.
Pois em teu som, vejo um reflexo de mim,
Uma luta interna, um começo, um fim.

Oh, som de dor, tua presença aceito,
Pois em ti, encontro meu próprio efeito.
E mesmo que continues a ressoar,
Em meu espírito, não irás reinar.

Pois a cada ranger, encontro meu poder,
De superar, de lutar, de renascer.

Oh, ranger de dentes, teu som é forte,
Mas minha vontade é mais, minha alma é forte.

(Betto Gasparetto – iv/xxi)

Fragmentos Humanos (04/50)

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

IV – Cadência Decadente

by Dall E-3

Ó decadência, em tua cadência envolta,
Encontro-me perdido, em teus braços preso,
És uma melodia lenta e revolta,
Que em meu coração traça um caminho ileso.
Teus tons sombrios ecoam na minha alma,
Uma sinfonia de dor, que nunca acalma.

Como um crepúsculo que não termina,
Tua sombra invade, fria e feminina.
Oh, cadência de minha decadência interna,
Tua presença é uma chama eterna.
Em teu ritmo, minha esperança se esvai,
E o mundo em volta, silencioso, cai.

Cada passo teu, uma queda inevitável,
Cada nota tua, um sussurro insondável.
Ó decadência, tua dança é fatal,
Uma valsa de tristeza, um lamento sem igual.
Teu compasso marca o tempo em meu peito,
E cada batida é um sonho desfeito.

Como um rio que se desfaz em cascata,
Tua correnteza tudo arrebata.
Oh, como anseio por um novo tom,
Um acorde de esperança, um futuro bom.
Mas em tua cadência, estou preso,
Sem força para romper teu laço coeso.

Ó decadência, tuas asas são de sombra,
E teu voo é um mergulho na penumbra.
Cada instante em ti é um passo para trás,
Um retorno ao que foi, e nunca mais.

Teu abraço é frio, teu toque é gelo,
E em teus olhos, vejo o meu desvelo.
Como um eco que nunca cessa,
Tua presença é uma eterna promessa.
Oh, cadência de minha alma perdida,
Teu ritmo é uma canção de despedida.

Em tua melodia, encontro meu fim,
E a esperança se desfaz, tão tênue assim.

Minha vontade é mais, minha alma é forte.

(Betto Gasparetto – iv/xxi)

Fragmentos Humanos (03-50)

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

III – Diante dos Muros

by Dall E-3

Diante dos muros que o destino ergueu,
Encontro-me, absorto em pensamentos,
Barreiras vastas, que o tempo concebeu,
Guardando sonhos, desejos e lamentos.

Oh, muros altos, de pedra fria e forte,
Quais segredos ocultais em vossa sorte?

Caminhei distante, em busca de sentido,
E diante de vós, encontro-me perdido.

Como transpor vossa rigidez austera,
E alcançar o que além de vós espera?

Vossos tijolos são feitos de memórias,
De amores perdidos e antigas glórias.

Cada pedra uma história a ser contada,
Cada fissura, um anseio, uma jornada.
Oh, muros, que ergueis vossas alturas,
Frente a vós, minhas esperanças são puras.

Desejo ardente de vos ultrapassar,
E no desconhecido, meu ser encontrar.

Por que, ó muros, sois tão impenetráveis,
Guardando em vosso seio os sonhos inefáveis?

Erguidos em tempos de dor e tristeza,
Refletem a alma em sua maior fraqueza.

Oh, como anseio vossa barreira romper,
E em liberdade, meu destino conhecer.

Diante de vós, me vejo a ponderar,
Sobre as escolhas que a vida me fez tomar.

Cada pedra simboliza um desafio,
Cada muralha, um obstáculo sombrio.

Mas há uma luz, ainda que tênue e distante,
Que brilha além, em um futuro vibrante.

Oh, muros, vós não sois eternos, sei bem,
Pois mesmo o mais forte, um dia vai além.

E na persistência, encontro a chave,
Para vos transpor e seguir sem trave.

Minha vontade é um rio que corre profundo,
E em sua força, romperei este mundo.

Em vossa sombra, medito sobre o tempo,
Que passa, indiferente ao meu intento.

Oh, muros, vós sois testemunhas mudas,
De tantas vidas, histórias e lutas.

E eu, mero mortal, diante de vós,
Busco um caminho, um sentido, uma voz.

Pois no além de vossas altas barreiras,
Sinto o chamado de terras mais verdadeiras.

O que me espera além do vosso escudo?

Será liberdade ou um novo entrudo?

Somente o passo adiante me dirá,
Se a coragem me levará.

(Betto Gasparetto – iv/xxi)

Fragmentos Humanos (02/50)

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

II – Luz Ofuscada

by Dall E-3

Ó luz divina, outrora clara e pura,

Que em teus raios meu caminho iluminaste,
Agora ofuscada,

tua essência obscurecida,
Pelo véu do tempo que cruelmente passaste.
Em meu coração,

tua chama antes ardia,
Agora vacilante,

sob a sombra fria.

Como uma estrela perdida em noite densa,
Teu brilho se oculta,

em escuridão imensa.
Oh, como anseio por teu fulgor primeiro,
Que dissipava a névoa de meu desespero.

Mas, ah, o Tempo, com suas mãos despóticas,
Soprou sobre ti, ó luz, ventos caóticos.

Antes resplandecias, firme e constante,
Guia das almas em busca do horizonte,
Agora,

tremulas,

fraca e distante,
Como um eco perdido em longínqua fonte.


Por que, ó luz, abandonaste teu apogeu,
Deixando-me à mercê do escuro, ao léu?

Contemplando a sombra onde antes brilhavas,
Sinto o frio abraço das noites agruras.

Ó luz ofuscada, onde está teu fervor?

Teu calor, que afastava a dor?

Eras meu farol, minha esperança singela,
Agora, apenas uma lembrança amarela.

Em tempos de outrora, eras meu consolo,
Enchendo de brilho meu pobre solo,
Agora, tua ausência é um vazio cruel,
Um céu sem estrelas,

um sonho infiel.

Como posso caminhar sem teu guia,
Neste mundo vasto, de eterna vigília?

Perdido estou,

sem tua chama fiel,
Navegando em mares de trevas, ao léu.

Ó luz, que outrora em esplendor jorrava,
Agora em meu ser apenas sombras cava.

(Betto Gasparetto – iv/xxi