Onde o Silêncio Aprende a Falar Mais Forte (Ep 4 – Cap 39/39)
Episódio 4 — O Salão Nobre
Trilha: Sergei Rachmaninoff — Vocalise
(Betto Gasparetto)
Capítulo 39 — Uma Rosa Fria
By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
O vento sopra forte. Uma rosa fria repousa no chão frio de alguém.
Naquela noite todos estavam presentes.
Todos.
O salão principal encontrava-se iluminado por dezenas de velas.
As lareiras queimavam.
Do lado externo a tempestade reaparecera.
Mais forte.
Muito mais.
Vento.
Neve.
Escuridão.
Parecia que o mundo havia desaparecido além das paredes do Solar.
A mesa do jantar permanecia posta.
Mas ninguém realmente jantava.
Conversavam pouco.
Observavam demais.
E Sophie percebeu.
Sophie sempre percebia.
Olhou:
Clara evitava Marguerite.
Marguerite evitava Alaric.
Helena evitava perguntas.
Émile evitava fotografias.
Lukas evitava o pai.
E Alaric—
Alaric evitava a si mesmo.
Silêncio.
Até que Nikola entrou correndo.
Outra vez.
Ofegante.
Segurando papel dobrado.
Anika levantou-se imediatamente.
— Nikola!
Mas o menino parou.
Olhou todos.
Depois:
— Achei perto da oficina.
Silêncio.
Entregou a Helena Dubois.
Ela abriu.
Leu.
Empalideceu.
Muito.
Silêncio absoluto.
Clara levantou-se.
— O que houve?
Helena permaneceu imóvel.
Longamente.
Depois entregou a folha para Alaric.
Silêncio.
Ele leu.
E pela primeira vez desde a chegada dos hóspedes perdeu a cor completamente.
Porque no papel havia apenas: GY
E abaixo:
“O PRIMEIRO INVERNO COMEÇOU COM UMA CRIANÇA.”
Silêncio.
Mais abaixo:
“Perguntem a Adrien.”
Silêncio absoluto.
Nenhum som.
Nenhum.
Porque aquele nome nunca fora pronunciado.
Nunca.
Nunca diante de todos.
Marguerite deixou a taça cair.
Clara fechou os olhos.
Helena Dubois recuou.
Émile levantou lentamente a cabeça.
E Alaric—
Alaric sussurrou algo.
Baixo.
Tão baixo que quase ninguém ouviu.
Quase.
Mas Sophie ouviu.
E escreveu imediatamente:
“Ele não perguntou quem era Adrien.”
Pausa.
Mais uma.
“Ele perguntou: quem escreveu isso?”
Silêncio.
E parece que tudo terminou, parece sem dúvidas que terminou…
Porque naquela noite todos compreenderam algo:
algumas pessoas desaparecem.
Outras são apagadas.
E existe uma diferença terrível entre as duas coisas.
(Betto Gasparetto – v-mcmcxviii)
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