Entre as Cerejeiras que Guardam Nosso Amor
Poema em duas partes — Entre a promessa do encontro e a melancolia da ausência
(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
I — SOB AS FLORES, O PRIMEIRO ENCONTRO
Quando a primavera abriu seus roseirais,
E as cerejeiras despertaram sobre o chão,
Encontrei nos teus olhos os sinais
De um amor que desconhecia a solidão.
Vestias a ternura das manhãs floridas,
E o vento acariciava o teu vestir;
Trazias nos teus lábios tantas vidas
Que o próprio tempo parecia sorrir.
À margem do lago, entre pontes delicadas,
Teu rosto se inclinou na direção do meu;
E as flores, pelo vento transportadas,
Cobriram nossos passos sob o céu.
Não houve juramentos de grandeza,
Nem promessas de um reino por conquistar;
Somente duas almas, na singeleza
De um beijo que aprenderam a guardar.
Teus dedos repousaram sobre os meus,
E o mundo se tornou pequeno então;
Pois vi nascer, sob a clemência dos céus,
A mais serena primavera do coração.
Mas temi que a beleza daquele instante
Fosse breve qual pétala a cair;
E abracei-te com ternura tão constante
Que até o vento hesitou antes de partir.
——————–Haicai — O Encontro——————–
Flor de cerejeira,
Dois olhares sobre o lago,
Nasce a primavera.
———*.*.*———–
II — O DESENCONTRO DAS PRIMAVERAS
Voltaram as estações ao mesmo jardim,
E as águas conservaram seu murmúrio;
Mas já não caminhavas junto a mim,
Nem tua voz quebrava meu silêncio.
A ponte permanecia entre as flores,
E o lago refletia o mesmo azul;
Porém, desabitado de teus amores,
Meu coração buscava outro arrebol.
Não te culpei pelos caminhos escolhidos,
Nem transformei a ausência em acusação;
Há sentimentos que, embora interrompidos,
Conservam sua nobreza na recordação.
Quantas vezes procurei tua figura
Entre as sombras das árvores em flor;
E descobri que a mais profunda ternura
Nem sempre encontra abrigo no amor.
Se acaso regressasses numa tarde,
Quando o sol dourasse novamente o jardim,
Não perguntaria por que chegaste tarde,
Nem quantas primaveras passaram sem mim.
Ofereceria a mão que ainda espera,
Sem exigir promessas para o porvir;
Pois quem amou na primeira primavera
Aprendeu que também é nobre permitir partir.
E se jamais cruzarmos novamente a ponte,
Nem nossos lábios tornarem a se encontrar,
Guardarei aquele beijo no horizonte,
Como uma estrela que não deixa de brilhar.
Porque o amor, quando nasce verdadeiro,
Não se extingue ao perder sua estação;
Pode deixar de ser nosso companheiro,
Mas permanece vivo na recordação.
——————–Haicai — A Ausência——————–
Pétalas ao vento,
A ponte guarda o silêncio,
Teu beijo, lembrança.
———*.*.*———–
(Betto Gasparetto – 2020)

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