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Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu III

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Malas Perdidas

E quando bordavas os nossos lençóis,
E eu rasgava tua saia justa e insinuante,
Agia como amante devorador,
Que não quer saber dos limites,
Ou das coisas chinfrins…

Eram nas madrugadas que os seus sins
Aconteciam, e bordávamos lençóis,
E arrancávamos as fronhas
E espancávamos nossos beijos
Em nome das nossas vidas…

E agora me vejo do lado de fora,
Num martírio de entranhas,
num retiro de rum amargurado,
teu nome risquei da agenda,
e malas se perderam nos corredores…

Senti-me como aborto,
jogado num chão teatral sem chaves,
e sem juízo,
tudo agora esta morto,
sem razão e sem motivos!

Não falastes comigo,
Quando pensava em um projeto de vida,
Teu silêncio um castigo,
Teus adeus não são mais meus, acredito!

Içar pelas calçadas do abandono,
De querer ao menos uma volta,
Um retorno,
Impregnado num sorriso teu,
Teus escândalos de quem ama!
E pensar que ultrapassei os teus limites,
De que mordera tua carne…

E quando os teus ais ultrapassavam
As paredes…
Escondia-me sem roupas
Nas tuas vontades de loucura,
E como tortura, achavas tudo
Tão delicioso…

(Jan: 15, 2008)

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu IV

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Telas Desalentas

Tenho saudades de tuas costas macias,
Conhecia tua geografia,
Chantillys, cerejas, martinis,
O que importa sofrer,
Ficar pintado nestes quadros,
Tenta-se,
Briga-se,
Se quero voltar…
Não assim em farrapos,
Mas ciente dos meus passos,
Que equilibrados poderão
Seguir e vícios de andadores,
Pelos corredores estreitos,
Pelas praças reveladoras
Sem guarida!
Sem preservativos!
Numa romaria
Dos desalentos…

(Jan: 04, 2008)

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu V

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Olhares Ambulantes

Perdi meus sapatos,
Meu casaco Cardin,
Amarrotado das paixões etílicas,
Desumaniza o meu próprio
Ato superior de ser humano!
Andarilhos das ruas,
Visitante de lojas,
Devorando alguns sonhos!
E Deus nos criou,
E fez a luz, a cor, a música,
Ouço Djavans nas galerias,
Buarques, Jobims,
fiz tantos erros
Fiz,
Criei,
Cometi…
Feito raiz fria de enterros
De amores sepultados e
E de pecado oportunos!

Calçadas frias, saudades mornas,
Andares híbridos,
Saudades aos pares,
Mortalhas de mim!

Pretendo voltar inteiro
De todas as batalhas,
Venci, eliminando os abutres,
Embustes,
Tornar-me um ser ilustre
E teus braços passeios,
Sentindo um frenesi derradeiro!

(Jan: 05, 2008)

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VI

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Atos Romanescos

De tantas figuras que encontrei
Fiquei fora do prumo,
Preciso me reabilitar das incensatezes
Que nós dois tecemos!
Incensavas maneiras de me possuir,
E esquecia que as nossas roupas
Estavam no chão,
E nossos cabelos em desalinho,
Viramos juntos copos de vinho,
Nos embriagamos de verdades,
E mentiras…
Fizemos juras de ofensas,
Que nunca nos deixaríamos ir,
E que isso acontecesse
Todos as nossas maneiras,
E que todas as dores iríamos espantar
Um dia!

Quero voltar,
Quero voltar para nunca mais sair!
Quero abandonar os enganos,
Abandonar nossas incertezas,
Mas não tínhamos a certeza
Da plenitude do não querer ir….

Sabemos que existimos
E insistimos em querer saber
Se existiremos ainda!

O que aconteceu comigo
São tolices vindas de um aprendiz,
E na astúcia,
Enfrentei os perigos das esquinas…
Abraçando indigentes apaixonados,
Mulheres programáticas,
Vendedores ambulantes,
Bueiros romanescos,
Famílias sem famílias,
Ocultas criaturas
Dos sentimentos esquineiros!

(Jan: 06, 2008)

Apelos Melancólicos de um Andarilho Ateu VII

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 15 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Cortes

O mundo inteiro está perdido em mim,
Andei pelas Europas,
Rasguei tuas fotos em Pequim,
Cai nas mãos dos médicos,
Pra curar as minhas dores,
Me perdestes nas ruas do México…

Minha vida se tornou pesada
Nas andanças pelo Egito,
Areias, areias, minhas calçadas,
Minha efígie, meu mito!

Vasculhei nas bibliotecas inteiras
Dos mundos soviéticos,
Rasguei poemas de bobeira
E me perdi nos épicos!

Cheirei tuas danças de Andaluzia,
Cansei nas bordas de uma sacada,
E quem diria?
De novo na calçada!

Dei-te a outra face,
Beijaste na faca o gume,
Jornais, e a multidão estrangeira
Percebe em mim um ciúme!

As fonte jorravam Roses
Em nossa volta,
Agora tão árido e tão mesquinho,
Me ponho aqui no chão!

As paredes todas ruíram,
E o esquecimento e a solidão
Brotam, e sufocam os desejos,
Desertos! Desertos então?
Voltar?
Será que ainda sei amar!
Esqueci dos mus atos,
Perdi meus sapatos
Numa calçada qualquer…

Voltar?
Depois que o mundo se desfez?
Não sinto calor,
Me sinto febril!

Voltar?
A vida se encheu de clamores,
Se encheu de calçadas,
Se encheu de enchentes,
Bueiros romanescos é o que restou!

Voltar?
Pelas imperfeições,
Pelo resto de sorte,
Não tenho mais afeições,
Eu sinto o gosto da morte!

Voltar?
Quando se as chaves perdi,
Não há mais endereço,
E não tem o que faça
Desmanchar o nó no peito

(Jan: 07, 2008)