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Em algum lugar da Estante

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(by Fátima Tardelli – Páginas Ilhadas de Um Livro Raro)

Quem são estes livros?
Não são dois livros!
Se um é o livro,
é o outro a pena que escreve,

Se um é a fome,
é o outro o alimento,

Se um é a sede,
é o outro a fonte,

Se um é a doença,
é o outro a cura,

Se um está só,
o outro o completa,

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Quem são estes livros?

Oceanos Vitrais III

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Habeas Corpus:

                                     I
São miríades, miríades de distância,
O sol esbofeteia meu rosto pálido,
Retornando a minha cálida infância…
Eu luto por ti, por me sentir tão magno!
                                     II
Longe ouço corais gospel no deserto,
Que por certo querem me sentir jihad,
O sol derrete minhas lembranças, certo?
E teus desertos me descobrem de verdade!
                                     III
Fogueiras à noite, e o vento uiva…
Não há sonhos, há pesadelos que rondam,
Eu sempre me perdi minha musa…
Pergunto aos ventos, por quê? Não respondam!
                                     IV
Calei-me assim como calam algozes,
Perdi todas as malas em Istambul,
Por que segui o que diziam as vozes:
_”Teu amor é infinitamente Azul…!”
                                     V
o Expresso da Meia-Noite, não passou,
e pelas ruas vazias da Turquia,
foi um vazio que me condenou,
Jogaram-me chaves, e fugi pras vias…
                                     VI
A única passagem que eu tinha,
Levava-me apenas a Constantinopla…
Sentia-me um amante clandestino,
Daqueles que foge de toda manobra!
De repente, retornei ao meu caminho!
                                     VII
Arrastei-me nos oceanos a fora,
Sentindo-me um ateu Excalibur,
Eliminando dragões por tod’ Europa,
Com seus paupérrimos corações inválidos!

(Jan: 07, 2008)

Oceanos Vitrais II

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Mare Nostrum

                                     I
A tarde vai descendo como mistérios,
Iguais teus olhos quando querem seguir,
Vou caminhando pelos carinhos sérios,
quando te revelas, tenho que partir…
                                     II
nas areias sou fragmentos sem cor,
a águas vão arrastando qualquer um,
depois retornam oferecendo dor,
fragmentando-me por ser tão comum!
                                     III
Pensava eu ser um gigante guerreiro,
E pelo mundo inteiro buscar teu rosto!
Mas vi que há muitos vales estreitos,
Que me deixam covarde em me desgosto!
                                     IV
Damascos colhi para fazer licores,
Preparei festas, com músicos distantes,
Tentei cobrir teu leito com alfajôres,
E dançarmos feito jóias, diamantes!
                                     V
Que me perdoem todos os sheiks árabes ,
Mas eu roubei camelos, ouros e tendas…
Quero te dar muitos amigos em ágapes,
Pelo nosso amor, eu quero que me entendas!
                                     VI
Pelas areias, pelas tuas pegadas,
Só o sofrer pode estar nas poesias…
Eu tinha sede e fui até Granada,
Eu me perdi no mundo, e tu sabias…
                                     VII
Que as tuas mãos se estendam para mim,
Convidando-me tão longe a beijar,
Mediterrâneos encharcam meus caminhos,
Caravanas sabem que eu vou te encontrar!

(Jan: 06, 2008)

Oceanos Vitrais I

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Palavras Úmidas:

                                      I
Eu que pensava ser gigante de pedra
E nos vales de pedras poder te esculpir,
A tua escultura tirou-me das trevas
Então fugiram do teu grande luzir!
                                    II
A luz faz-se intensa com grande esplendor,
Esplendor de musa que me faz cativo
Eu por num instante com grande temor,
Não percebi que ao teu lado estava vivo!
                                   III
Venho de longas distancias te dizer,
Que és mais que tudo qu’eu imaginava…
não mandei notícias minhas por querer:
é que nos vales distantes eu sonhava…
                                   IV
se luzes representam formatura tua,
lua esplendorosa não é natural!
Pois teu brilho é natural oh minha musa…
E fico a pensar, no mais alto grau!
                                   V
Não é preciso questionar em estar só!
São teus os meus caminhos que trilhamos,
Por que então as estrelas viram pó?
Não me respondas agora, pois brilhamos!
                                VI
Olhos que me observam em cristais líquidos,
Mãos que se mouseam pela tela, rotas…
Por ter no teu querer um amor tão vívido,
Digitas calma, e em minh’alma brotas!
                               VII
Por ser perplexo, vou questionando tudo,
Virar o mundo
ante tua presença,
Não poder haver conversa boa no mundo,
Que supere teus beijos e me convença!

(Jan: 05, 2008)

Páginas Ilhadas de Um Livro Raro – (Em algum lugar da Estante)

Posted in Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 9 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(o que os olhos não vêem, as palavras sussurram…)

Frisaram em quase todas as bibliotecas
                                              que ficássemos lá:
Arquivados em estantes de aço, madeiras,
                                             blindados, nós dois!
Tratados como livros esquecidos,
                                             num acervo esquecido pelo tempo…
Impossibilitados de criarmos nossas páginas,
                                            nos transcreveram em diversos tipos…
Medievais, talvez ou transportados pelos escribas perseguidos…
As nossas capas, foram feitas com cuidado;
                                            artesanalmente fomos brindados!

 

Todos os outros livros, ali na nossa frente,
                                           ao lado, os que estão nos fundos,
                                          esquecidos,
Articulam em suas línguas, que somos diferentes de todos!
Relem, alguns como psicólogos,
                                          ou estudam nossos comportamentos,
                                          calculam-nos, traduzem-nos…
Didaticamente, apreciam nossos fonemas,
                                          somos poemas quem sabe,
                                          até coletâneas…
Esboçam surpresas, quando academicamente
                                         nos elogiam…
Ciúmes?
Leituras distantes, antigas, modernas,
                                         contemporâneas…
Leituras de amantes, amigas, eternas,
                                         momentâneas…
Incrivelmente, somos a raridade, cobiçados por muitos,
                                        e muitos livros querem ser assim:
                                       completos!

(Dez: 31, 2007)