14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (05/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 5 – A Mercadora das Moedas

By Dall-E 3

I
Ah, a mercadora das moedas, o mestre da troca,
Que, com mãos ávidas, empilha os frutos da ambição!
Vós que, com um sorriso falso e um olhar de rapina,
Governais o mundo com os dedos manchados de ouro,
Vós sóis o verdadeiro rei, não da terra, mas da ganância,
E a coroa que ostentais é feita não de metais nobres,
Mas de mentiras polidas e intrigas bem urdidas.
Que poder reside em seu cofre,
Senão a ilusão de quem julga ser soberano,
Mas, na verdade, é apenas servo de seu próprio desejo?
II
Ah, como o ouro, sedutor, vos toma a alma,
Como a brisa leva as folhas mortas do outono,
E vós, que pensam serreis senhores do destino,
Não passais de escravos do peso das vossas riquezas.
III
Que a moeda seja o seu guia,
E o poder, o seu deus; mas, ah, que tolos sois,
Pois, enquanto a prata brilha em suas mãos,
A alma murcha, o coração apodrece
E o espírito se desintegra, perdido na busca eterna
Por aquilo que não pode ser consumido.
IV
Oh, mas que miséria é do senhor das moedas,
Que se vê, dia após dia, contando os fios de ouro,
Mas jamais conta as horas que perdeu na busca,
E jamais compreende que o tempo não se compra.
V
Vós sois ricos, sim, mas pobres no mais profundo dos sentidos,
Porque, ao acumular riquezas, vós vos afastadois
Da verdadeira abundância: a paz, a amizade, a virtude.
Vossas moedas são o peso que carregais,
E cada passo dado sobre o solo do desejo
É mais uma pedra na vossa alma,
Até que ela, pesada e corrompida, não consiga mais voar.
VI
(…)
VII
Mas que rir é esta que se escapa de seus lábios,
achando que o ouro pode comprar a honra ou o amor?
Ah, que tolice! Pois, na balança da vida,
O peso da verdade jamais se equilibra
Com o peso das riquezas que vós ostentais.
E, ao fim, quando o ouro se desfizer em pó
E os seus castelos de cartas ruírem ao vento,
Quem sereis vocês senão um homem vazio,
Sem alma, sem coração, e sem a única riqueza
Que é digna de ser possuída: a verdade.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (04/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 4 – As Grameiras e o Poder

By Dall-E 3

I
Ah, que cena grotesca é esta,
Onde a grameira se faz senhora,
Erguendo-se em sua vergonha como um cetro,
E o poder se curva diante de seu corpo nu!
Vós, que vos vendem por nossos ouros e promessas,
Que colheis os frutos amargos da luxúria,
Sois mais poderosos que os reis de pedra,
Pois quem vos olha não vê senão o desejo cego,
E por esse desejo, tudo se compra, tudo se perverte .
II
(…)
III
Que poder é este, o que está relacionado sobre suas coxas,
Onde o reino da moralidade se dissolve
E a virtude se perde na dança de um corpo esquivo?
Quem pode resistir ao perfume de uma flor
Que floresce no ventre da corrupção,
Onde cada beijo é uma assinatura
De uma aliança que não conhece lealdade?
Oh, mas não é mais que marionetes douradas,
Com corações secos e mãos manchadas de mentira,
O seu poder é o reflexo do que destrói,
E a sua força, frágil, se esvai ao primeiro suspiro.
IV
Vós sois as mestras da ilusão,
Onde o amor se transforma em moeda,
E a alma se vende por um tesouro de promessas vazias.
Mas, ah, que doce ironia é essa!
Porque o poder que ostenta, do alto dos seus leitos,
Não passa de uma fachada, um espetáculo da vaidade,
Onde todos os que vocês olham veem o brilho,
Mas não compreendem o podridão que o sustenta.
Vós sois rainhas de um império de sombras,
Onde a verdade se esconde por trás do véu
Do prazer efêmero que vos alimenta.
V
(…)
VI
Ah, mas o que é o poder, senão um jogo cruel?
Onde, por um momento de gozo, tudo se perde,
Onde os corações se desfazem e as almas se esquecem,
E quem vos venera se torna escravo do vazio
Que se esconde em cada curva e olhar.
E, ao fim, o seu reinado se desintegra,
Porque quem construiu castelos sobre areia
Não conhece o peso do tempo, nem a dor do arrependimento.
VII
Oh, como são poderosas, sim,
Mas, ao fim, o que é o poder de quem não conhece
O valor da verdade, da lealdade, da honra?
Vós sois senhoras de um império falido,
E, quando a máscara cair, o que restará de vós?
Uma sombra, um suspiro, um eco distante
Do poder que você pensa possuir,
Mas que, na verdade, nunca passa de uma ilusão
Erguida sobre a areia movida do pecado.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (03/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 3 – Guerras Adúlteras

by Dall-E 3

I
Ah, que guerra é esta travada nos leitos,
Onde o corpo é o campo de batalha,
E os corações, vítimas de traições,
São esfolados sem piedade, sem honra!
A guerra adúltera, como um espectro sombrio,
Caminha nas sombras da intimidade,
E lança suas flechas envenenadas
Nos casamentos, nos juramentos, nas promessas.
II
(…)
III
Não é o aço que corta, mas o beijo infiel,
Não são os gritos de guerra, mas os silêncios carregados,
Onde os amantes se escondem na vergonha,
E as alianças são rasgadas pelo desejo.
Oh, mas às vezes o leito se torna campo de luta,
E as almas, em fogo, se perdem no abismo
De uma paixão que não conhece limites,
Mas apenas trai o que deveria ser sagrado.
IV
O que é a fidelidade exceto uma farsa,
Quando o coração, insaciável, busca o outro,
E, em sua busca incessante, vingança o próprio laço
Que o tornava puro, que o mantinha em paz?
Os olhos que olham além do que têm,
Vêem sempre mais longe, mas nunca o suficiente,
E, ao fim, encontram a dor do vazio,
Onde antes havia a plenitude da confiança.
V
Ah, mas que dor se esconde na guerra adúltera!
Não é a dor de um ferimento físico,
Mas a dor de um coração ferido por mil facas,
Cada uma cortando um pedaço da alma,
Até que nada reste, senão um eco distante
De promessas quebradas e amores negados.
E quem, depois de tal batalha, pode dizer que venceu?
Quem, no final, pode erguer a cabeça
Sem ver as cicatrizes de uma guerra perdida?
VI
Não há paz nos corações traídos,
Pois a guerra adúltera não deixa vestígios de vitória,
Mas uma lembrança constante do que se perdeu.
E os guerreiros dessa guerra, com suas almas despedaçadas,
Carregam para sempre o peso de sua própria culpa,
Como espectros que nunca dão descanso,
Sempre buscando um perdão que não encontrará.
VII
O campo de batalha é um leito de rosas sem espinhos,
Onde o desejo se torna a arma mais letal,
E, no final, não importa quem venceu,
Pois a guerra adúltera, em sua perversidade,
Deixa todos os combatentes em ruínas,
Sem honra , sem glória, sem salvação.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (02/14)

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(Betto Gasparetto)

Átrio 2 – Traição à Ética

by Dall-E 3

I
Ah, quão vil é a traição da ética,
Que, com mãos manchadas de sangue imundo,
Se esconde sob o manto da virtude,
Usurpando o que jamais lhe pertenceu.
Quem ousa chamar de honesto o que é podre,
E de virtuoso o que, no fundo, não passa
De um espelho rachado que reflete mentiras,
Tão belas e sedutoras quanto o mais puro engano?
II
A ética, nobre dama, foi abandonada
Por aqueles que, sem vergonha, em suas práticas,
Trocam a verdade por um obtido de moedas,
E a justiça por um simples jogo de poder.
Que mais bela é a máscara da moralidade,
Quando, por trás dela, os corações se corrompem,
E a alma se vende como mercadorias baratas
Nos mercados sujos da política e do desejo.
III
(…)
IV
O que é ética senão uma promessa quebrada,
Quando o homem, seduzido pela tentativa,
Troca o certo pelo conveniente, o justo pelo fácil,
E a honra pela satisfação efêmera do momento?
A ética morre no instante em que se dobra
Diante das critérios do poder e do luxo,
E quem a corrompe com um sorriso hipócrita
Faz da mentira uma segunda natureza.
V
Ah, o que é mais fácil: ser íntegro,
Ou trair os próprios princípios por um pedaço de glória?
A ética é a chama que arde silenciosa,
Mas quem tem coragem de mantê-la acesa
Quando as ventanias da ambição a apagaram?
Como é doce o sabor do poder nas mãos de quem não o merece,
E como amarga é a consciência de quem,
Tendo perdido sua honra, jamais encontrará o caminho de volta.
VI
A ética, ah, que ridícula se torna quando trocada
Por favores sujos e promessas vazias,
E o homem, ao vender sua alma, jamais compreende
Que, ao traí-la, ele apagou o próprio ser.
E, quando o último vestígio da verdade se esvai,
Nada mais resta do homem, senão um esqueleto vazio,
E o peso de uma mentira que nunca poderá ser desfeita.
VII
Pois, no final, o traidor da ética
Não encontrará mais no mundo o que procura,
E será condenado a viver, eternamente,
Com o vazio que deixou em sua alma.
Ah, como é frágil a ética,
E como são frágeis aqueles que a abandonaram
Em nome daquilo que nunca foi verdadeiro!

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (01/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 1 – Difamação e Glória

By Dall-E 3

I
Ah, que sabor mais doce tem a língua envenenada,
Que em sua malícia enredada e venenosa,
Destila o néctar amargo da calúnia,
Com suas garras afiadas e língua traiçoeira.
Não é a glória do herói, mas a do covarde,
Que se erige sobre os escombros de um nome alheio,
Como se, ao enterrar a honra de outro,
Seu próprio fosse exaltado aos céus.
II
Como são doces os louvores da mentira,
Mais doces do que o mel das promessas vazias,
E como o mundo adora se enganar
Com os reflexos falsos de quem é intocado pela virtude.
Na grandiosidade da mentira, a glória floresce,
E o mundo, em sua cegueira adorada,
Venera o impostor que se faz de mártir,
Sem ver que suas mãos estão cobertas de sangue sujo.
III
Quem é mais nobre, aquele que luta com honra,
Ou o que, nas sombras, derrota sem rosto nem medo?
Ah, a mentira é um véu de seda
Que seduz até o mais puro dos corações,
E o caluniador, senhor de sua própria cegueira,
Ri do mundo que não sabe que se torna sua prisioneira.
Como é fácil manchar a pureza do outro,
E ver-se erguido nas ruínas que ele deixou.
IV
(…)
V
A difamação não conhece limites;
Ela é uma corrente que aprisiona a alma do inocente,
E faz do homem digna uma figura ridícula,
De olhos baixos, temerosos e esquecidos de sua força.
Ah, mas como é bela a glória que acompanha a mentira!
Como ela brilha nas noites escuras,
E cega até o mais sabedor dos reis,
Que, em seu trono, aplaude os que a elogiam.
VI
Mas o caluniador, em seu sucesso, não vê o vazio,
Pois sua glória é como um espelho quebrado:
Reflete a verdade, mas de uma forma distorcida,
E, ao final, quem paga o preço de suas palavras
É o próprio espírito que se longe da luz da razão.
Oh, que vida é essa, a vida de quem vive do engano!
Uma vida que, ao final, se desfaz como fumaça,
E o caluniador, em sua ânsia de glória,
Desaparece como uma sombra na noite que não deixa vestígios.
VII
Sim, a difamação é um veneno doce,
mas o preço que se paga é o mais amargo dos tormentos.
Quem se alimenta dela verá seu estômago vazio,
E sua alma, corrompida, nunca encontrará a paz.
Porque, no fundo, a glória de um mentiroso
É uma mentira ainda maior, e o mundo, em sua ignorância,
Aplaude aqueles que, ao fim, são os maiores derrotados.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)