Fragmentos Humanos (01/50)

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

I – Meus Dias Contados

By Dall E-3

A ti, ó Tempo, meu ardente pensamento,
Em contemplação profunda,

minha alma anseia,
Pois em teu domínio, meus dias vão-se em tormento,
E com cada tique,

as areias da vida suspiram.
Ah, as sombras alongam-se sobre o dia,
Em sussurros silenciosos,

o Tempo se esvai…


Oh, como desejo deter teu avanço rápido,
Para saborear os momentos em seu estado puro,
No entanto, estou preso em tua dança incessante,
Onde o destino e a fortuna ditam seu curso.
No crepúsculo,

meu espírito reflete,
Sobre todos os sonhos que o Tempo intercepta.

Quão cruelmente separas a esperança do coração,
E deixas de lado ambições outrora tão brilhantes,
Em marcha impiedosa,

tu desfazes a vida,
Envolvendo a promessa do futuro na noite.
Contudo, nesta escuridão,

um farol tênue brilha,
Um lampejo do que poderia ter sido, eu imagino.


Oh, Tempo, és uma espada de dois gumes,
Que traz tanto alegria quanto tristeza em teu rastro,
Pois cada momento estimado,

cada palavra,
Tu retiras, deixando-nos corações a doer.
Mas em teu rastro,

há uma amarga verdade,
Que todos devem envelhecer,

e a beleza murcha a juventude.

Muitas vezes ponderei sobre teu mistério,
E busquei em vão alterar teu decreto,
Pois em teu curso reside toda a história,
Um conto não escrito,

 ilimitado,

ainda por vir.
Em momentos breves, o mundo renasce,
E em teu fluxo,

toda a vida deve acumular-se.
Do amanhecer ao anoitecer,

tua passagem é despercebida,
Salvo pelas linhas em nosso rosto gravadas,
Teu passo silencioso,

por ninguém pode ser marcado,
No entanto, em nossas almas, tua presença está entrelaçada.
Oh, Tempo, és um ladrão sutil e silencioso,
Que em tua passagem,

não deixas nada além de tristeza.

 (Betto Gasparetto – iv/xxi)

Rastros do Talvez

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

by Dall E-3

Abandona os ecos de memórias passadas,
Desfaz o laço, rompe o véu ilusório,
Pois na jornada, onde a alma é alada,
Não há lugar para o rancor ilusório.

Perfumes desvanecem como o orvalho ao sol,
Músicas cessam, apenas sombras restam.
Não há consolo em reviver o arrebol,
A vida é fluxo, os sentimentos se afastam.

Troca de CD, muda o perfume,
O que restou de outrora, não mais te atormenta.
Encontra o novo, o frescor que consume,
Renova o espírito, que a vida se apresenta.

Segue adiante, com passos decididos,
Deixa para trás o que te fez chorar.
Há sempre novos caminhos floridos,
Para quem ousa o passado deixar.

“Se as lembranças ainda ferem, renove seu cenário. Deixe que novos sons e novos aromas preencham sua vida, para que o passado não tenha mais poder sobre seu coração. Liberte-se do que te faz mal e abra espaço para o que te faz bem.” (Prov Tailandês)

(Betto Gasparetto – vii/xxiv)

A SOLIDÃO ME PEGOU DE SURPRESA

Posted in Sem categoria on 7 de julho de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

(by Lestat Louis)

Na vastidão do mundo, onde vagueio sem rumo,
A solidão, como sombra, me segue sem piedade.
Oh, onde residíeis, ser de luz, em qual jardim florescente?

Que meus olhos possam encontrar vossa graça, vossa verdade.
Surpreendido pela solitude, clamo por tua presença,
Em prados verdejantes ou sob céus estrelados;
Vinde, guia-me ao local de vosso recolhimento,
Pois em vossa companhia, me sinto consolado.

Ah, doce mistério, paradeiro desconhecido,
Revelai-me vossa morada, ó ser de conforto!
Pois a solidão é feroz, meu coração oprimido,
Na busca pela luz de um vívido suporte.
*
Oh, dizei-me, onde poderei vos encontrar?
Que a solidão se desfaça, no encontro por fim!
Assim, unidos, poderemos juntos caminhar,
E na partilha, encontrar a alegria em nosso jardim.

(Betto Gasparetto – i-mmvi

Momentos

Posted in Sem categoria on 25 de fevereiro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

by Designer Creator DALL·E 3

Eu preciso falar coisas que estão no coração…
Eu preciso apertar as palavras que querem fugir…
Eu preciso tentar lhe dizer mas é muita emoção…
Eu preciso dizer que eu sempre estarei por aqui…

Mas você não quer ouvir…
O meu grito é dizer que te amo,
Dizer que te amo demais,
Te amo e jamais vou esquecer de você!

Eu preciso rever as histórias que você escreveu…
Eu preciso anotar tantos beijos que o mel nos furtou…
Eu preciso ouvir sua voz que me emudeceu…
Eu preciso ganhar muita força que o tempo levou…

Mas você não quer ouvir…
O meu grito é dizer que te amo,
Dizer que te amo demais,
Te amo e jamais vou esquecer de você!

Eu não quero que o trem apareça por essa estação…
Pois eu quero viver esse amor infinito em mim…
Hoje eu quero ouvir tua voz me acalmando em canção…
No passado sofri, mas você me cobriu com um SIM!

Mas você me disse um sim…
E ouviu de mim que eu te amo demais,
Que te amo demais,
Te amo e jamais vou esquecer de você!

(Betto Gasparetto)

PALAVRAS MORDIDAS QUE CODIFICAM OS SENTIMENTOS

Posted in Sem categoria on 13 de fevereiro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto+)

by Designer Creator DALL·E 3

Venha morder minhas palavras…
Somos palavras mordidas que muitas vezes codificam os nossos sentimentos íntimos…

Onde te encontro?
No eco dos suspiros que se perderam nos lábios?

Oh minha musa, como são os teus sussurros?

Estamos realmente entrelaçados pelas mãos invisíveis do tempo?

Será que revelando segredos guardados no silêncio poderemos juntar nossas almas inquietas?

Tenho medo de cada palavra, cada adjetivo…
Emudeci teus olhos com os meus beijos…
Acolheste-me feito concha como uma pérola preciosa…
Como carregar consigo o peso dos momentos vividos?
Onde estão os amores perdidos e os sonhos não realizados?

Meus sentimentos são fragmentos de emoções entrelaçadas…

Teus suspiros outrora entrelaçaram-se como fios de uma teia invisível de questões que costuram os corações apaixonados…
Paixão?
Amor?
Como desenhar uma linguagem de olhares trocados e de gestos sutis?
Nossas palavras mordidas tentam nos codificar para ressignificar a vida!

Dançamos ao ritmo do amor e da paixão, será que me entendes?

As dores são como flechas lançadas ao vento, perfurando-me no íntimo dos meus ossos.

Queria eu esculpir as barreiras da indiferença!

Te amei totalmente em poros para te alcançar nos mais profundos recantos da tua alma…

Às vezes penso.
As vírgulas suaves de tuas frases são como o toque de uma pluma, e por vezes cortantes como lâminas afiadas em meu peito quando me vejo em monólogos…

Por que as palavras mordidas desenham paisagens emocionais em nós?

A quem pertence o silêncio?

Como se faz presente, as palavras mordidas?

As saudades ferem meus quereres, como se fossem espinhos na minha jornada…

A saudade é um silêncio que se enche de um lamento no vazio, proclamando depressão e distâncias.

Onde estão os pássaros enjaulados, ansiosos por voar com seus cânticos para além das fronteiras da linguagem?

Mas mesmo quando estamos calados, as palavras mordidas, orquestradas em olhares, continuam a pulsar secretamente dentro de nós, alimentando o fogo incessante da paixão e da eterna inspiração que me trazes.

Como nos aquecer em brasas ardentes que queimam no âmago do ser em nós?

Como viver mantendo viva a chama da vida e da criação?

Assim, mergulho em teu oceano buscando nas profundezas intimas desse oceano, todas as emoções, ora navegando entre as ondas das palavras mordidas que codificam os sentimentos, ora como náufrago querendo ser resgatado em teu corpo seguro…

Eis que não haverá mais tempestades que nos tragam desesperos, ou ainda sensações de distanciamento…

E quero que saibas meu amor o que as tuas palavras me deram de presente: encontrei em ti a essência da minha própria existência, revelada através da magia codificada da linguagem!

(Betto Gasparetto)