Livro em Cinzas

Posted in Sem categoria on 18 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No livro antigo jazem as memórias,
São letras mortas, restos de histórias.
Ali se esconde o riso que perdi,
E cada linha é dor que já senti.

As páginas queimadas pelo tempo,
Guardam segredos de um amor isento.
Mas mesmo em cinzas sinto teu perfume,
E nele arde o que já foi lume.

A tinta gasta fala em tom silente,
Revela o peso de um amor ausente.
O livro fecha em pó sua existência,
E o coração declina em penitência.

Mas ao tocar a capa envelhecida,
Revivo em mim a chama desta vida.
E mesmo em dor, releio em contradição,

Pois no passado mora o coração.
Assim ressurge a dor, cruel e fria,
Do livro em cinzas nasce a agonia.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Passos da Ausência

Posted in Sem categoria on 17 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

As ruas frias guardam minha ausência,
E o vento leva o resto de paciência.
A cada passo ecoa a desventura,
Que a alma sente em lenta amargura.

Não há calor que possa me salvar,
Nem doce canto que me faça amar.
A vida passa e nada se redime,
E em sua pressa a dor se exprime.

As janelas se fecham, não há luz,
E cada sombra a solidão conduz.
O sino toca ao longe em tom fatal,
Marcando o fim de um sonho sem igual.

A praça é fria, o banco é esquecido,
E nele assento o fardo dolorido.
Assim prossigo em vida tão vazia,

Sem cor, sem voz, sem sol, sem poesia.
As ruas são o espelho da lembrança,
Que apaga em mim o sopro da esperança.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Testamento da Noite

Posted in Sem categoria on 16 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No véu da noite, os astros se desfazem,
E em meu olhar, recordações jazem.
O peito clama a paz que não alcança,
E a vida esvai-se em tênue esperança.

O tempo, ingrato, arrasta o coração,
E o deixa nu, sem sonho ou salvação.
Só resta ao homem ceder ao esquecimento,
E ver no nada o próprio testamento.

As lágrimas se escondem no vazio,
E o rosto pálido se torna frio.
No abismo ecoa a voz da desistência,
E o mundo jaz em fúnebre consciência.

O céu, outrora abrigo da esperança,
Agora é manto negro de vingança.
E neste leito, o sono eterno vem,
Aplaca a dor, apaga o que já tem.

Assim termina a chama da ilusão,
No véu da noite jaz a solidão.
E cada estrela apaga em desalento,
Testemunhando o humano sofrimento.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Rosa Morta

Posted in Sem categoria on 15 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No campo seco jaz a rosa morta,
Que outrora abriu-se à brisa que conforta.
Mas hoje é pó, é sombra sem perfume,
É marca vil de um coração sem lume.

Assim é o peito que já tanto amou,
E no abandono lento se apagou.
Do pó da rosa nasce só saudade,
E dela cresce a dor da eternidade.

A lágrima, insistente peregrina,
Refaz o erro em que meu ser se inclina.
E nesta cena, onde a dor é soberana,
O chão do palco range e me profana.

Não mais persigo o sol na claridade,
Basta-me o breu da própria eternidade.
A vida é peça, breve ato sem vitória,
Onde o amor nasce e morre em vã memória.

Doce ilusão, promessa que me engana,
Deu-me ruína, pó, tirânica cabana.
Agora ergo a voz da despedida fria,

Rendo-me ao fado que meu ser esvazia.
Que reste à noite, em tênue e mansa paz,
O eco frágil do amor que não se faz.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)

Espelho da Desilusão

Posted in Sem categoria on 14 de outubro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No espelho vejo um rosto já cansado,
Marcado pelo tempo e pelo fado.
As linhas são histórias mal vividas,
São cicatrizes fundas e sofridas.

O olhar se perde em mares de lembrança,
E busca em vão a chama da esperança.
Mas o que resta é só desilusão,
Que arrasta o corpo à fria solidão.

Mas até lá, só restam aflições,
E sigo preso aos rastros das lamentações.
Talvez um rio lave o chão cansado,
E seja ponte ao lado mais amado.

Até que venha a chuva redentora,
Traçando veios sobre a terra outrora.
Neles verei caminhos diferentes,
Menos sombrios, mais claros e presentes.

E se a paisagem enfim mudar de tons,
Guardarei manso os ecos dos meus sons.
Porque até mesmo o pranto que me guia

Aprende a florescer quando amanhece o dia.
Então os rastros deixam de acusar,
E passam, brandos, só a me lembrar.

(Betto Gasparetto- v-mmxxi)