10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (10/10)

Posted in Sem categoria on 4 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão X. Epílogo do Amor que Não Morre

By Dall-E 3

I
Nas cinzas deixadas por tua ausência,
Ainda arde o fogo de um amor profundo.
Pois mesmo ferido pela tua indolência,
Teu nome é a chama que ilumina meu mundo.
*
Ó amor, que é ao mesmo tempo tão vil,
E, contudo, tão belo em tua tortura.
É fel amargo e também doce perfil,
Que torna a dor parte da alma pura.
*
Por que, ó sentimento imortal e voraz,
Insiste em viver onde há só ruína?
Se o ódio, em seu peso cruel, já me faz
Querer esquecer-te na sombra que declina?
II
Mas oh, o amor não morre, não sucumbe.
Ele é a raiz que atravessa a pedra fria.
E mesmo que o tempo sua dor resuma,
Ele renasce em cada melancolia.
*
E tu, ó musa de minha insensatez,
É tanto a espada quanto o bálsamo dado.
Cada tua lembrança é uma vez
Um golpe letal e um abraço sagrado.
*
Nas noites em que o silêncio se agita,
Tua voz ressoa em meu peito ferido.
E embora o ódio em mim se levante e canta,
O amor persiste, ainda indefinido.
III
Teu olhar, que outrora me trouxe vida,
É agora a sombra que me aprisiona.
Mas mesmo assim, nesta dor tão partida,
É a memória que o destino entoa.
*
Que seja, pois, o amor minha cruz eterna,
E o ódio, meu fardo em tormento gelado.
Pois entre a paixão que em minha alma hiberna,
É tanto meu caos quanto meu legado.
*
E quando, enfim, o último suspiro vier,
E meu coração silenciar na derrota,
Ainda em meus lábios teu nome há de ser
A última palavra que o destino anota.
IV
Ó amor que não morre, ó chama infinda,
Mesmo entre ruínas, é meu altar.
Pois na dor, tua luz ainda se brinda,
E em meu ódio, teu eco vem pulsar.
*
Assim termina este pranto sombrio,
De amor e ódio em eterno duelo.
Pois viver-te é dançar no vazio,
E morrer-te é renascer no flagelo.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (09/10)

Posted in Sem categoria on 4 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão IX. A Redenção Negada

By Dall-E 3

I
Busquei no céu um vislumbre de perdão,
Na esperança de que o amor me acolhesse.
Mas, oh, que engano cruel da ilusão,
Pois tua sombra em meu caminho aparece.
*
Estendi as mãos ao vazio etéreo,
Implorando às estrelas um novo destino.
Mas o firmamento, em silêncio c,
Negou-me a luz e meu clamor divino.
*
Que é a redenção senão promessa falsa,
Doce miragem em deserto de dor?
O coração, que por ela se descalça,
Encontra espinhos onde esperava o amor.
II
E você, ó rosto de beleza inclemente,
Por que permanece em meu pensamento?
Por que te negas, com ar tão clemente,
A libertar-me deste amargo tormento?
*
Teu nome, gravado em minha memória,
É ferida aberta que o tempo não cura.
Cada sílaba tua narra a história
De um amor que vive em amarga tortura.
*
Ah, se você quiser apagar seu reflexo,
Rasgar do peito sua imagem sombria.
Mas teu fantasma, como um eco complexo,
Habita meus dias e noites em agonia.
III
A redenção, que em sonhos buscados,
É agora um véu que o destino desfez.
Pois no amor que te dei e nunca cobrei,
Encontro o peso de tua cruel altivez.
*
Se ao menos o ódio pudesse apagar
As marcas que teu amor deixou em mim,
Mas em cada tentativa de te odiar,
Teu nome renasce, qual flor no jardim.
*
E assim, navego entre mágoas e esperanças,
Num mar revolto que jamais se acalma.
Pois mesmo negado pela redenção que cansas,
Teu amor vive gravado em minha alma.
IV
Que seja, então, minha pena e meu fardo,
Carregar-te em memória sem tréguas além dos passos.
Pois mesmo na dor de um amor maltratado,
É tanto minha ruína quanto me perder em outros braços.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (08/10)

Posted in Sem categoria on 4 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão VIII. A Dança Aprisionada do Coração

By Dall-E 3

I
No seio da noite, onde sombras se enlaçam,
Ecos de amor e ódio se entrelaçam num só.
O coração, qual título em cordas que passam,
Dança, ao som de uma música de pó.
*
Ó música sombria, em notas de dor,
Que conduz meus passos a um ritmo insano.
É melodia de um amor traidor,
E sinfonia de um ódio profano.
*
O coração, palco esse errante,
Oscila entre júbilo e amarga sentença.
Num instante, é luz que brilha ofuscante,
No seguinte, é treva de amarga presença.
II
Oh, que cruel é esta dança incessante,
Que prende minha alma num laço fatal.
O amor, doce veneno, tão penetrante,
Une-se ao ódio num passo brutal.
*
Como podem, ó peito, em sua loucura,
Bailar entre extremos, sem direção?
Tua pulsação é tanta paixão pura
Quanto o pulsar de um arpão sombrio.
*
És, coração, o arauto da desgraça,
E também o guardião de doces memórias.
Cada batida tua, embora desfaça,
Resguarda, em segredo, nossas histórias.
III
Nesta dança, vejo o vulto dela surgir,
Qual espectro que me convida ao delírio.
Sua presença me faz tanto sorrir
Quanto chorar num cruel martírio.
*
Mas oh, mesmo ferido, persista no passo,
Pois abandonar esta dança é morrer.
E o amor que me sirva de laço,
É o ódio que me ensina a viver.
*
Dança, coração, ao som de tua desgraça,
Até que a música cessa, enfim.
Pois enquanto o amor e o ódio se abraçam,
Vive em ti o que resta de mim.
IV
E quando a última nota soar no ar,
E teu pulsar silenciar em descanso,
Que descansa apenas o eco a testemunhar
Esta dança de um destino tão denso.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (07/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão VII. A Voz do Abismo Interior

By Dall-E 3

I
Do âmago da alma, ergue-se um clamor,
Uma voz rouca, profunda, dilacerante,
Ecoa o abismo de um ardor sombrio,
De amor frustrado e ódio retumbante.
*
Ó voz que em mim habita, tão feroz,
Por que ruges contra os céus e contra a terra?
É murmúrio ou grito, em rude atroz,
Que em cada sopro meu peito desterra?
*
Não há apenas rancor ou saudade,
Mas uma mistura insana de ambos os venenos.
É o reflexo da cruel dualidade,
Que em meu peito alterna dores e acenos.
II
Que me força leva ao abismo sombrio,
Onde teu chamado ecoa sem fim?
É, ó voz, o vento gelado e vazio,
Que carrega cinzas de tudo em mim.
*
Mas oh, em tuas sugestões há um segredo,
Uma verdade velada e destrutiva.
Tu falas de amor, e falas de medo,
E de uma paixão que ainda é viva.
*
Tu me recordas os toques passados,
Os beijos que, embora falsos, me ardiam.
E mesmo nos dias mais ensanguentados,
Lembra-me das juras que a vida mentia.
III
Ó abismo, é espelho de minh’alma nua,
Onde o ódio dança com o amor perdido.
E tua voz, qual bruma sob a lua,
Revela o tormento que em mim está contido.
*
Como escapar do teu canto inclemente,
Se em cada nota há vestígios dela?
Tu és a sombra que se faz presente,
Mesmo quando busco romper a cela.
*
Mas há em tua voz, por mais dilacerante,
Uma centelha de força incontida.
Pois mesmo sofrer o amor exultante,
Prova que ainda pulsa a chama da vida.
IV
Ó abismo, tua voz é minha pesar,
mas também o sopro que me mantém vivo.
Pois só quem sente, seja amar ou odiar,
Conhece o peso do existir altivo.
*
Que restou, então, a dualidade cruel,
O canto que em mim jamais se aquieta.
Pois entre o amor sublime e o ódio infiel,
Vive a alma, eterna e incompleta.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (06/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão VI. O Altar das Memórias Profanas

By Dall-E 3

I
Ergui-me ao altar das memórias vencidas,
Relíquias de um tempo em dourada ilusão.
Ali prostrei-me, em dores esquecidas,
E ofertei minh’alma em pura contrição.
*
Sobre a pedra fria do passado antigo,
Vi teus gestos gravados em sombras densas.
Teu sorriso, outrora doce abrigo,
Hoje é máscara de promessas tensas.
*
Cada toque teu, outrora divino,
Agora é espinho que rasga a lembrança.
E o altar, que foi o meu céu cristalino,
É templo profano de tua mudança.
II
Por que, ó deusa de meu amor eterno,
Profanaste o sagrado que entre nós havia?
Transformaste o calor em inverno,
E o templo em ruína de fria agonia.
*
Sobre as cinzas do que um dia sonhei,
Vi teu vulto dançando em zombaria.
Como foste o sol que eu tanto adorei,
Se hoje é treva, tormento e heresia?
*
Oh, memórias, vós que tanto me afligis,
Sois espelhos quebrados de glórias passadas.
Cada fragmento, cruel, contradiz
O amor que em minha alma fora semeada.
III
Teu nome ecoa entre as colunas partidas,
Como um canto funéreo em vasto vazio.
E minhas lágrimas, em preces contidas,
São o rio que o altar sofreu.
*
Que sejam, pois, queimadas as memórias,
Queimadas na chama do ódio latente.
Pois nelas estão relacionadas as mais vis histórias
De um amor que morreu sob seu olhar ausente.
*
Mas oh, mesmo em meio ao tormento profano,
Ainda resta a centelha do que fomos.
Pois o amor, que é tanto castigo quanto o alento,
Resiste às ruínas de nossos assomos.
IV
Altar das memórias, templo arruinado,
Acolhe meu pranto e meu último lamento.
Pois mesmo partido, o amor é sagrado,
E vive em meu peito como eterno tormento.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)