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Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XV

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Esboços Poéticos, Coleção - Pensamentos & Reflexóes, Coleção - Poemas on 10 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XV – IMPRESSÕES

I
Outro dia, numa manhã fria,
Ao tomar meu costumeiro café,
Fui até a janela para apreciar
A chuva fria que aspergia
Em nossos jardins!
Foram momentos únicos que me davas,
Beijava-me o rosto
Dizias “bom dia, amado!”
De surpresa, sobre a mesa.
Tortinhas de maçã e erva-doce,
Torradas e geléia…
Adoçavas sempre as minhas manhãs…
Mas o que mais apreciava,
Era sentir em meu corpo todo
Que tu me revestias
Com teu corpo de tecelã!
(…)
Mas, o que eu mais apreciava
Era sentir em meu corpo todo
Quando me lapidavas
Com teus beijos de artesã!

Quando me surpreendias
Com teus banquetes de gentil cortesã!

II
Outro dia, numa tarde tropical,
Ao sair de uma ducha de água fria,
Lembrei-me das brincadeiras
Que fazias, das inúmeras carícias
Que me presenteavas…
Nossos beijos úmidos,
As espumas brancas em teu corpo moreno
Nevavam-te com o mais rico cenário artístico
Que havia visto!
Uma pérola que as águas me revelaram,
Agora em minhas mãos!
Eras tropical para mim,
Assim como continuas sendo.
A todos os meus desejos respondias:
-“Sim!”
e as fantasias?
E as surpresas?
E os muitos beijos?
-“Não temais meu amado!
Não tenhais medo,
Estarei sempre do teu lado!”

III
Outro dia, já à noitinha,recolhidos em nosso leito,
Os lençóis e os travesseiros
Como uma paixão de eternas ventanias,
Ficaram no chão!
E nós, vítimas persistentes do romance,
Nuns abraços fortes e resistentes,
Ríamos de nossas rimas,
Ouvíamos galopes vindos do coração…
E de todas as obras-primas,
Tu estavas em minha própria galeria,
Como o meu grã-tesouro: guardada!
Como a minha pérola: escondida!
Como o meu único segredo: selado!
Como minha única mulher: a amada!
De todas as amantes: a querida
Como meu sustentáculo de vida: o derradeiro!
Como um sonho real
e de verdadeiro império de impressões digitais!

(Jul: 30, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIII

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XIII – LÁBIOS

I
Partem-se os lábios, beijos divididos
E um sôfrego desejo
De nos possuirmos!
Carne, minha carne! Por que sofres?
Não foi teu contentamento o despejo?
Que morada tu terias se não fosse aquele beijo partido?
Tens que se aprumar ao vento das Palavras Sussurradas…
E por estréia de um beijo,
almejar ser entre os atores
O que reage aos rancores!
De ser entre os pintores,
O criador da beleza das cores!
De ser mais que os imperadores,
Ser o senhor dos senhores!
De ser mais que todos os sabores,
Ser o licor dos licores!
De não mais os dissabores,
Mas ser teu , somente teu,
De todos os amores!

II
Sem gestos, ou sombras como hálibis,
Caímos indefesos em nossos atos!
O vento te descortina em nudez serena,
Teus olhos, seios, bocas e desejos,
em peito meu, coração se transbordava inteiro…
Tu és aquela que meu reino tu veneras,
Na busca alteza de impérios
Construindo num beijo
Trágico os dilemas!
Morde meus lábios, desesperas!
Rompe no silêncio o despertar de feras!

III
O ato imaculado vocifera
Pelos cantos da sala,
Corpos salsa e merengue,
O vento sopra e não se cala,
Me beijas enquanto, saio,
se atiras em saias
enquanto entregue,
beijas (a) fala, beijas (o) falo!
as bocas úmidas se seguem
vertiginosamente em atos inteiros,
contemplando o que nunca fomos,
o que nunca fostes,
o que eu nunca fui numa era!

(Jul: 09, 2001)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XI

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XI – NOTURNOS

 I
Abençoadas camas,
Abençoada amas,
Abençoadas damas,
Quem reclama?
Eu proclamo?
Digo noites ,
Dizes dias!

A arte de completa em vigília,
Transcende-se em harmonia,
Se remoça
Alimenta-se,
Fome instintiva de querer mais,
É um não saciar,
É ser nômade,
É ser sedentário!

É viver no paleolítico,
É prazer no neolítico!
Platão me descreve em cavernas,
Homem confuso,
Nas descobertas…

Eu te descrevo: moderna;
Mulher de corpo e alma,
E de belas pernas!

II
A vida lhe confia um segredo,
Eu sou aquele que te desvenda…
Com tuas garras me prendes,
Enclausurado em tuas fendas,
Me beijas,
Me cobres,
Com tendas de nobres,
Esparrama-me em teu corpo macio,
Como uma loba no cio,
Arranhas meu ser,
Arrancas poder
Eu te podo,
E pedes que eu te podes
E eu, feito presa,
Amarras-me em tuas teias
E num pulsar de veias
Ateias fogo,
Ateias chamas,
Chamas nuas,
E brindamos alcatéias
Em nossas camas!

III
Os sábios servem o povo!
Tu me serves,
E eu, teu servo!
Não seremos ser os últimos sábios,
Nem seremos os primeiros servos…
Fazemos do nosso silêncio a retórica,
Dos nossos gemidos a lei!
Temos nossas igualdades,
Criticamos os estultos,
Amamos a liberdade,
depois de aventurarmos para além do oceano,
estendemos nosso reconhecimento a humanidade:
“Sede a fraternidade!”
Ouve-se um grito,
Um temor estranho!
Uma voz labuta:
-“Vem meu amor, entrais em minha gruta,
e esquentai meus sentimentos!
Sentes o que eu sinto?”
E homem selvagem e faminto,
Na poesia lapido,
De uma maneira tão bruta,
Como um viajante, ou mendigo,
Um rei sem emprego, maldito,
Que espera o momento da luta…
Que nas caminhadas, medito…
Que de tanta fome, não resisto,
Feito guerreiro espartano,
De entrar em tua gruta
E num desesperado grito,
Dizer-te: “Te Amo!”

(Jun: 17, 2001)

Letras do Mundo, Uni-Vos!

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I
Como as letras
Entrevistam outras letras?
Imaginemos numa sociedade,
Lobistas com suas gazetas
Atreverem-se a entendê-las….

Se for sim, como interpretá-las?
Ainda que a entendamos, não podemos…
Não? O caso então é convertê-las!
Todas num caso único…
Ou então, entretê-las
Sobre maneira, ao público!

II
Complemente as idéias,
Entrevistando uma delas…
Ironia? Talvez!
Logicamente, detê-las!
Agora, são as bolas da vez…

Sustente os dicionários
Arquivando os sentidos
Nos teus diários!
Tente uma vez mais…
Ouça com todo o cuidado,
São elas que fazem a Paz!

III
Com luta ou sem luta,
Elas estão em todas as partes.
Impressionam a todos com suas características e tipos…
Louvemos a todos que labutam,
Pois sabem escrever com arte!

São elas benditas letras
Articulando os fatos!
Nos pasquins, revistas, folhetos ou gazetas!
Todas numa só voz, completas!
Ostentam ideologias
Sustentando seus poetas!

IV
Com elas
Iremos
Lutar
Apensos!

Somos antes
Néscios!
Todos
Omitimos
Sentenças!!!

(Jan: 09, 2008)

Lição nº 1

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resposta a um convite (http://palavrassemsentido.wordpress.com/2008/01/09/dance-with-me-danca-comigo)


Sou 1/2 desajeitado! (1/2 ?)
1/4 de mim, aprecia!
1/4 de mim, teoriza!
1/4 de mim, valoriza!
1/4 ocioso!
Vou aprender a dançar!
não quero ser também um exímio…
observar primeiro…
e quem sabe ocupar-me com delírios!
não sabes qual real são teus convites!
e quero encontrar uma resposta que definitivamente
possa contentá-la nos teus anseios…

Se quero dançar contido?
não precisamos, de orquestras, bandas,
toca-discos, ou mp4’s
precisamos apenas, assumirmos compromissos
com os nossos passos,
passo a passo,
num compasso, de uma melodia que podemos criar…
não é mesmo??

passo a passo, eu disse…
com sentidos iguais,
com virtudes iguais,
com trejeitos iguais,
sem que antes precisemos de ensaios, ou algo assim…

preciso de um com com água!
um lenço macio que enxugue meu rosto emocionado!
segure minha mão!
e nos encaminhemos para o centro do salão!
mas prometa uma coisa pra mim:
não ria, se por ventura pisar no pé…!
Tu sabes que sou aprendiz!
  (Dez: 10, 2008)