Archive for the Coleção – Esboços Poéticos Category

Saudades Partidas II

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Esboços Poéticos on 19 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(ad Censorum)

O frio calculista se congela

como se fora calendário esquecido

na parede de fora de nossa casa!

 São coisas pequenas que eu

pude te amar.

Posso até tentar enumerá-las:

1, 2, 3, …

O peso que minhas palavras

tiveram no falar de neon

cravado em teu sorriso qual madruguei,

me atirou ao chão, onde tu pisastes!

Teias que me prendem os acessos

de janelas monitoradas

e de tantos andares, sós!

Carências de manhãs e noites

que o mundo se fez

pregado em teu sentido

de mulher vilã e muito a(r)mada…

Eu, perdido em tudo!

E tu, maravilhada!

(Out: 12, 1982)

Saudades Partidas I

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Esboços Poéticos on 19 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(A Gênese)

redícula maneira que te amei.

forcei meu ego a gritar

no teu quarto, anel de vidro que te dei,

e este se trincou…

 me ajoelhei diante de minhas

próprias pedras atiradas!

 o teu vulto, teu eterno vulto

passou pela minha porta,

porta que te fechou no peito

amargurado e foi-se ……………………………………  embora!

Pena!

A lembrança não esquece de sair do meu lado

finge compreender-me…

O meu sofrer me atira em poças….

Eu, agora velho!

e tu, eterna moça!

                                                          (Out: 11, 1982)

Sonhos infantis

Posted in Coleção - Esboços Poéticos, Jogo de Opiniões - Educação dos Séculos on 17 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto
    Estava na escola ‘inda criança
    Diante de Mestres, e Sábios e Doutores…
    Um dia me perguntaram sobre a esperança:
“-Como retirar do mundo os dissabores?”
   Analisei no meu espírito infantil e disse:
  –Colorir quem sabe em tons de anil!?!
   Antes a arte colorida de ensinar!  Antes a arte colorida de amar…
   O dom revelador do saber esta no AMOR!
   Inevitavelmente predisse naquele momento
   Num gesto em giz, palavras soltas ao vento,
   Farfalhando pelos sulfites
   Andares em salas e grafites e afins!
   Num momento percebi sementes e futuros
   Tiradas dos livros e dos rascunhos,
   Imaginando que o mundo pode mudar sim:
   Lapidando-se futuros MESTRES dos sonhos infantis!
                                                                 (Out: 20, 2007)

Há Mares para o Bem

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Esboços Poéticos on 17 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto
Naveguei distantes mares,
sempre em busca d’outros mundos…
nos caminhos encontrastes
navegantes absurdos!
As galeras se agitavam
aos perdulários revoltos,
quanto mais me vejo casto,
tanto fujo das gavotas…
Creio estar em berço nu,
feit’edílico malvado:
naufragado em calembur
tal como ver demudado!!!
Tantas febres eu ganhei
que nas marés me perdia:
de súdito, era REI,
governando maresias…
Escorbutos os meus beijos
nas insônias caravelas,
entremez os vãos cortejos
iluminam as megeras…
Construi muitos castelos
sem saber que eram érebos…
incrédulos são os velhos
navegantes c’os seus débitos!
Impávidas tempestades
qual meu corpo de ator
naufraguei feito covarde,
em teus mares meu AMOR!
                                                               (Out: 12, 2001)

Terra Latina

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Esboços Poéticos on 17 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto
As veias minhas da garganta saltam,
quando grito o nome teu!
Brotar a flor
no peito fecundo
no chão que te consome!
Meus olhos com ira cegam,
visão de falsa miragem,
aragem de dura raíz
no peito produndo
razão de sonhos….
Ai! calor gentil
que me atordoa,
no barco em que navego
sobre o sal e o sol,
do sangue teu,
do coração de anil:
Terra de Homens e de Vera!
Tenho saudades de minha Terra,
Terra de Homens e de Vera,
que tantas aves voaram,
que tantas vidas doaram;
aos sonhos puros e ingênuos,
do chão tristonho e sereno,
Terra de Homens e de Vera!
Terra de Fome e Miséria!
“Quem dera ter as primeiras visões,
altos mares caravelas,
velas, missas e orações,
lugares, Entradas e Bandeiras…
trazer dos teus repiques o canto do Índio!
Veneno que nasce do espinho,
pedra, muro e caminho,
um ninho com canto livre
com asas e que até voa!
podar as ervas-daninhas
que sugam a seiva tua
do sangue feito garoa…
Sólo fértil, sonho ardil
dantes nunca mutilado:
Terra de Homens e de Vera!
Perdestes tão cedo a Coroa!!!”
Ai! calor gentil
que me atordoa,
meus prantos com tua garoa
de ser na vida
um primeiro de abril…
Terra de Homens e de  Vera!

                                           (Ago: 19, 1986)

In: Poetas Brasileiros de Hoje 1986