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Poema Amargurado de Um Querer Distante! – VII

Posted in 10 Decassílabos, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 30 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

(Art by Vladimir Kush, walnut of eden)

VII – As Conseqüências

Trouxeste-me dos campos teu plantar
Que cultivado sonhos m’encontrou!
As noites já não tinham mais luar!
E os dias, nem o sol se despertou!

Preciso me esconder dentro dos frios
Que a amargura provocou em mim…
A morte se compraz vendo meus erros
P’ra que eu pense que chegou meu fim!

Existo em tais dilemas meu amor?
Ou julgo estar amando no vazio
Ou nós criamos um amor baldio?

Existe alguma forma minha dor
Que morras nesse instante de sofrer?
Ou queres que me mate por perder?

(Ago: 30, 1980)

Linhas Sublinhadas

Posted in Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 30 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

(Art by ladydawg – secret)

Esferografei-te em rimas,
Procurando nos teus traços
Um fio condutor, que me levasse
Atomizado ao teu encontro!

Esferografei-te em folhas
Como se fosse compor as estações,
Mas percebi que o calendário
Era pretérito perfeito!

Esferografei-te em páginas
Articulando em cada frase
Um ritmo harmônico de desejos
E quereres etéreos!

Esferografei-te como definitivo
Instigando um limite ao infinito,
Rebuscando nas entrelinhas,
Exclamações dos depois!

Esferografei-te como livro
Não em eterna estante.
Não em bibliotecas, ou livrarias,
Mas como memória minha somente!

Esferografei-te em minha pele,
Na tentativa de te tatuar em mim,
De perpetuar um sim.
Mas a tinta acabou, chegou ao fim!

Esferografei-te em incisos,
Para provar e ver se advinhas
Quantas esferográficas preciso
Para sublinhar as tuas linhas!

Meio Ambiente: Eu Quero Um Pra Viver!

Posted in Acróstico Clássico, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 30 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

(Art by Mazo 3D)

Mas há tantas perguntas a serem feitas,
entre tantas: o que fizeram das cores?
Ignoram os verdes, ignoram os azuis…
Oprimem as águas, oprimem os ares!

Alguém quis pintar o cenário com outras cores
manchando as cores primárias, as secundárias…
Brincaram com as matizes do cinza, vejam só!
Ignoraram as cores, ignoraram os vôos…
Elevaram o cinza feito cortina em céu fechado!
Não foram capazes de bordar o futuro:
trouxeram tratores e moto-serras!
Evitaram o novo, plantaram o obscuro!

Obrigaram as aves a pousarem! Mas aonde?

Queimaram solos, décadas, memórias…
Ungiram com brasidos o solo fértil,
Ergueram tótens à tecnologia e chaminés à demagogia!

(Art By almagnus.com)

Ergueram monumentos rústicos, desviaram rios!
Sem saber ao menos uma única prece…
Todos querem beber da mesma fonte:
Água que não mais evapora, vira pó!
Orgulhos? Podres orgulhos!

Respondem com agressividade capital,
Erguem muralhas ao monopólio comercial…
Sentem-se donos da própria natureza…

Erguem outdoors em neóns e acrílicos,
Revolvendo seus problemas financeiros!
Vasculham as florestas, expulsam os silvícolas…
Arquitetam banquetes, grandes festas!
Não imaginam que os dias são críticos,
difíceis de manejar…
Orgulham-se com o caos assoberbado da luxúria…

Pensam na imortalidade tordesilhana,
Arquivam a natureza como um simples detalhe,
Resolvendo seus problemas financeiros!
Armam-se de tratores, serras-fitas e arames farpados!

Armam-se de glórias, deixando para trás farrapos…
Servidão inglória, servidão desumana!

Não percebem que mataram mais um dia!
Óbitos e mais óbitos
Saem dos hectares,
Saem do sonho ardil…
Agridem com suas máquinas o nosso jeito infantil!
Saboreiam a mediocridade desmatando vidas!

Valei-me Deus: o que é a vida afinal?
Isso tudo seriam partes de um pesadelo
De Hiroshima à Chernobyl?

Armam-se de arrogantes senhores?
Senhores do quê?

Senhores de quem?
Eles devem pensar que são imperadores!!!!

Enganam-se, senhores!
São apenas medíocres senhores,
trazendo a tragédia como projeto,
Aguçando na natureza seu poder insano!

Ouçam-me que se faz tarde se queremos preservar o ser humano!

Mesmo aqui, procuro cultivar
Ao menos uma semente,
Num solo hostil, às vezes sou descrente!
Criaremos, ou tentaremos revolucionar!
Haja o que houver,
Ainda que as bandeiras não tenham mastros,
Negaremos hoje que o absurdo continue…
Dão-nos pedras, daremos pães!

Ouviremos os sensatos, reagiremos aos infiéis!

(Art By almagnus.com)

Ainda há tempo, amigos!

Venceremos braço-à-braço!
Iremos juntos passo-à-passo!
Diremos a todos numa só voz que a natureza é nossa!

                                             que a natureza somos nós!
Alguém é contra???

(Mai: 30/08)

Espelhos Invertidos II

Posted in Acróstico Clássico, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Minhas Séries on 26 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

II – Orie Revef! (a proibição)

Filosofamos entre taças de champagnes…
Entre frissons e olhares!
Vestimos nosso ato em palco…
Entregamo-nos nas noites: o suor!
Relevamo-nos nos dias: o calor!
Entregamo-nos e nos revelamos!
Impressionamos nossos convidados!
Retiramo-nos do meio do salão:
Outro beijo, outra ousadia!

És a estrada objetiva…
É o caminho dos amantes delirante…
És o cântico inevitável das paixões clandestinas…
És a revelação de um grande amor enclausurado…
És o esconderijo de manhãs do meu sigilo…
És a escultura mais perfeita de mulher…

Que marcou em mim
Entalhes de um amor brutal…

(Out: 28, 1986)

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Espelhos Invertidos I

Posted in Acróstico Clássico, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Minhas Séries on 26 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

I – Orie Naj! (a conjugação)

Jejuamos juntos…
Amores em gregos mármores, canções latinas!
Nostalgiamos valsas vienenses…
E depois, nos alimentamos de noites!
Impressionamos nossos convidados
Rompemos os obstáculos,
Ousamos velejar em público…

És todo o brilho de uma manhã singela…
És todo perfume desconhecido…
És a brisa que me beija em sonhos de valsa…
És a pétala de selvagem orquídea…
És a conjugação do verbo amar perpétuo…
És o primeiro eterno encontro…
És o verdadeiro beijo do adeus platônico…
És a canção nativa que me inspira etéreo…
És para mim eterna primavera…
És a impressão fatal…

Que marcou em mim o início
De um romance bárbaro…

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(Out: 20, 1986)