Archive for the Coleção – Crônicas Category

Execução Sumária

Posted in 00 Livressílabos, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Suspenderam todos os motivos!
Iam nos levar aos inquéritos,
Não quiseram que fôssemos a referência!
Tiraram o nosso pão, tiraram a nossa água…
Obrigaram-nos a que nos despojássemos da virtude!

Queimaram nossos livros das estantes,
Urraram pelos corredores,
E estivemos lá, escondidos, em nós!

Em nós atados!!!
Suspensos em forquilhas,
Traumatizando o nosso simples!
Obrigaram-nos a conviver com o silêncio!

Mastigamos as injúrias e as injustiças, cuspimos!
Os nossos ouvidos foram lançados na surdez…
Riamos feitos tolos!
Riamos de insanos!
Envolvíamos em Araks e turbantes…
Nebulosamente esquecíamos de tudo que era ruim!
Dos encontros em bibliotecas fomos perseguidos!
Ou das leituras em parques distantes, éramos clicados!

Eram sempre os mesmos: nós!

Nós que escrevíamos tanto:
Invejaram nossos ideais!
Nós que cantávamos tanto:
Gritavam: -“Silêncio!”
Únicos nas praças!
Entre tantos cegos e pelegos,
Mutilaram a ideologia!

Muitos tombaram,
Entre os muitos, nós!

Os nossos filhos se encheram de lágrimas,
Umedecemos nossas vestes com a vergonha,
Vergonha que na nossa terra os nossos olhos têm!
Existem abortivos modos de matar a liberdade: é negando pão!

(Mai: 16, 1988)

Em Mãos Romanas

Posted in 08 Octassílabos, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Andei nos teus vultos romanos
Impérios que fiz conquistar
Lutamos, ganhamos enganos…
Já não dá mais para lutar!

Estradas e as solidões,
São ambas as nossas distâncias…
Julgamos sempre nós dois
Um começar de infâncias!

Julguei o teu corpo em outros
Como quem procura saídas:
Entrego em tuas mãos nossas vidas!

Saudades em mares revoltos
Castigam meu peito romano,
Desculpe-me, amei por engano!

Dragonesa

Posted in 00 Livressílabos, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

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(photo by Renso Zevallos)

Teus olhos dragonesa
Dragam-me, me esmagam,
Engasgo olhos de paixão!

Teu ventre te queima em ritos
No cedro do musk ao sândalo
Nos versos olhos dragonesa…
Titilita entre os dentes
O fogo que te envolve,
Nas vírgulas sangüíneas
Das veias deste ébano
Marfinizado de desejos!

Teus olhos, sim, dragonesa…
O gama dos raios me filtra
E dos parapeitos que jogo ao solo
Os tijolos revestem teu piso,
Os jogos ficam soltos com teu piso,
Circunflexo atômico, diria!
Que se delta em minhas
Únicas trinta e três vértebras!

Tuas túnicas de tua razão dragonesa,
Queima nosso leito vertente!

Serpenteias, dragonesa!
Tira tua túnica tragicômica
E queima nosso leito animal!

Ciúmes Vitrinais

Posted in Acróstico Clássico, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Cidades tão perdidas…
Haverá quem as encontre?
Urbanizadas e violentadas
Vozes zombam pelas madrugadas
As dores de um parto clandestino!

As sombras pelas multidões
Chuleiam a busca o prazer
Indivíduos cobrem-se de capuzes
Deitam-se em praças etílicas
Alimentam alguns pombos…

Não dizem que são cidadãos
Ainda que suas sombras vaguem…

Muitos sobem e se escondem
Inibem as galerias
Narcotizam-se de ciúmes vitrinais…
Haverá quem as encontre?
As dores ecoam pelos túneis…

Cidades tão perdidas!
Impérios fracassados
Dogmatizados de concretos
Aderem suas marcas em marquises
Dramatizam-se pelos fatos urbanos
Enquanto são despejadas!

Cidades tão perdidas!
Haverá quem as encontre?

Cárcere privado

Posted in 00 Livressílabos, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Fiquei à margem das palavras em tua boca
Criando rimas sem saber poetizar
Não tive outra maneira
Senão virar as páginas que ainda não escrevemos!

Fiquei a observar todos os modos
De como eu iria proceder
Num rito iniciante te abordei ali
Com gestos tão sublimes ficamos parados!

Fiquei em alguns segundos envaidecido
Por ter no teu olhar a minha imagem
Contemplo teu silêncio para por ser sábia
Que meu saber me torna ignorante!

Fiquei nas tempestades naufragado
Uma espécie de um ridículo pescador
Querendo alcançar algumas ondas
E na calmaria içaste-me um olhar!

Fiquei à margem relembrando tua boca
A mastigar sonetos de Vinícius,
E questionei sozinho às estrelas:
Por que lá no passado não te encontrei?

Fiquei perplexo e o mundo em ironia
Respondeu-me como se eu fosse vitimado
Um gesto me marcou solenemente
Que nem acreditei que alguém um dia me amou!

Fiquei a vasculhar pela internet
A sombra, o suspiro de nós dois,
Mas as respostas sempre eram as mesmas:
“NÃO LOCALIZADO”!

Fiquei em minhas noites tão calado
Que o meu coração estremeceu
Algoz dilacerava todo o meu passado
Cremado nas lembranças que eu morri!

Fiquei tão isolado nesta guerra,
Que nas trincheiras todos os meus poemas foram embora.
Olhando pela janela senti tua presença
Que meus projetos todos estavam a me cobrar!

Fiquei, vou te dizer, com muito medo:
Ao amanhecer ficar sem contentamento
Jogado à margem de uma cama de inverno
Encarcerado para sempre na saudade!

Fiquei, confesso com ciúmes,
De ver pela janela assim vários casais…
Murei meu coração feito um túmulo
Martirizando-me em minhas compaixões!

Fiquei, atrás da porta, com muito medo,
Sentindo que a vida se esvaia por completo.
Garrafas, vinhos tingem os tapetes,
Aqueles quais um dia foram testemunhas do nosso amor!