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Adeus Preconizado de Nós Dois

Posted in 00 Livressílabos, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

I
Estranhos que me estranham em dias
Não sabendo que pelos caminhos todos
Deixamos nossos rastros…

II
Rastros que ficamos rastros
Pelas palavras cruas que fingimos
E que tatuamos nossos corpos…

III
Corpos que esculpimos corpos
Em temas murmurantes e tão frios
No castigo de um único silêncio…

IV
Silencio que gritamos no silencio
Os tangos de um Gardel introvertido
Num salão sem publico presente…

V
Presente que te fiz presente
No meu cantar soprano indiferente
No desafino insulto te dizer adeus…

VI
Adeus que me excluiu adeus
Na sôfrega saudade de amar
Enclausurada morre a nossa alma…

VII
Alma que me fugiu da alma
O toque bárbaro de um banquete
Alimentando nosso ultimo momento

VIII
Momento que se perdeu em um momento
Script ultrajado e cafajeste
Num tempo de Piazzola a torturar…

IX
Sempre torturas que ansiamos em torturar
Os nossos sílabas na pagina arrancada
Também agora o ícone rebelde e covarde…

X
Covarde! Sei que sou mais um covarde
Que seqüestrou teu hímen nas manhas
Na transição do outono para o inverno…

XI
Inverno, o amor se fez inverno!
Criando chagas em um leito desvalido
Que adoece num pensamento ateu!

XII
Ateu não foi o nosso amor ateu!
A morte da saudade que se escreve
Em mão escribas com tinta algoz profana!

XIII
Profana pubiana és profana…
O beijo proibido de andarilhos
Nos palcos de gemidos e rancores…

XIV
Rancores! E nunca beberemos tais rancores!
Entorpecemos nosso sexo em renascença
E não sofremos a priori o mal do século!

XV
Nos séculos nos perdemos mais um século!
Beijamos nus o afresco amor perdido…
Pelos telhados embaçados da paixão!

XVI
Paixão! O que significa tal paixão?
Se nos brindamos virgens em outonos
No gosto imaculado do prazer?

XVII
Prazer que do adeus se faz prazer
O amargo de uma lágrima sofrida
Caindo em ombros tão desconhecidos…

XVIII
Desconhecidos amores desconhecidos
A barbárie dos sentimentos mutilados
Gritávamos aos silêncios vicinais!

XIX
Vizinhos nossos quartos tão vizinhos
Que na lamúria um grito Orpheu desaparece
Retumba pelas grades o desespero…

XX
Desespero, minha vida em desespero…
Extravasa um gesto insano
De um querer bem perto tão somente…

XXI
Somente a solidão! Somente!
Criada na angústia vai morrendo
A dor aprisionada de uma dor…

XXII
Oh dor porque trouxestes tanta dor?
Se fico aqui descalço na varanda
Pelo sereno a percorrer todo o meu rosto?

XXIII
No rosto a tal velhice espanca nossos rostos
Que perco os dias a lembrar
De um rosto que um dia me fez feliz!

XXIV
Feliz? É o que eu sinto agora: feliz!
Por saber que os dias se perderam no passado,
Já não mais pertencem a nós…

XXV
Pertences! Quero estar em teus pertences
E em qualquer da suspirar em teus ouvidos:
-“Sempre te amei e nunca procurei,
Amores vão – estranhos!”

I
Estranhos que me estranham em dias!

Incompreensões

Posted in 00 Livressílabos, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 26 de março de 2008 by Prof Gasparetto

 

surreal-art-13.jpg
(by Salvador Dali)

 

(À Profª Rosa Maria)

I
Me diga o que posso fazer
pra ver uma criança sorrir?
pra ter uma canção e dançar?
pra fazer amigos e cantar?
nós sempre fomos assim…

II
Me diga o que posso fazer
Se os homens só pensam em si…
se a fome um dia vai acabar?
Só quero poder ajudar!
nós sempre fomos assim…

III
Me diga o que posso fazer
se as árvores não respiram mais…
se o luto recai sobre os inocentes…
se a verdade tornou-se indolente!
nós sempre fomos assim?

IV
Me diga o que posso fazer
se as armas detém o poder…
se as bombas destroçam jardins
e as crianças só pedem por seus pais!
nós sempre fomos assim…

V
Me diga o que posso fazer
se as poesias não mais exclamam…
se minha leitura é tão cega…
se meu caráter me nega…
nós sempre fomos assim…

VI
Me diga o que posso fazer
se o tempo se esgota na história…
se a família ficou no passado…
se os valores nos deixam de lado!
nós sempre fomos assim…

VII
Me diga o que posso fazer
para um mundo modificar
tecer calçadas de glórias,
poder escrever nossa história!
nós sempre fomos assim?

VIII
Me diga o que posso fazer
se o mundo se explode em pecados…
as dores que trazes é de parto…
nós sempre fomos assim…

IX
Me diga o que posso fazer
pra um dia acordar sossegado
e ver muitos lírios no campo…
e novos amigos e um canto,
milhares de livros de encanto!
nós sempre fomos assim?

X
Me diga o que posso fazer
pra tornar um mundo mais humano
eliminar diferenças e enganos,
e ver que no fundo somos iguais
nós sempre fomos assim…

XI
Me diga o que posso fazer
para que não fujas jamais,
e que todos te vejam importante
talvez sejamos iguais a Cervantes!
Amanhã seremos assim?

XII
Me diga o que posso fazer
pra que todos te possam entender…
que tu és o pleno poder,
que tu és a Magna PAZ!

 

(Mar: 25, 2008)

Inconseqüentemente

Posted in 00 Livressílabos, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 26 de março de 2008 by Prof Gasparetto
surreal-art-18.jpg
(by Salvador Dali)

O que me entristece nesta terra
é que te depreciam,
te aliciam…
é que te prostituem,
te negociam!

e tudo acaba em guerra!

E não sabem estes pobres homens
que tu és vaidosa,
que preservas o meio ambiente!

É de intocável beleza,
de indecifrável glamour!

Porém são negligentes,
são inconseqüentes
se dizem inteligentes,
a aparentam ser!

E quando tudo está tranqüilo,
eles te assustam…
e tu somes!

Áh! Esses homens com seus sonhos estúpidos…
Áh! Esse mundo ingrato…
Em teu nome fazem de tudo!
E para te conquistar fazem acordos,
fazem contratos, fazem tratados!

Estou me sentindo indigente!
Estamos nos sentindo assim?

Famílias inteiras clamam por seus pais!
E o mundo?
Quando enfim te entenderem,
espero que não seja tarde…
talvez os homens se tornarão sábios
e menos incompreensíveis…

E te pergunto uma vez mais:
Onde tu te escondes, oh! PAZ?

(Mar: 26, 2008)

ROMA – Cidade Proibida

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 8 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Resposta de ROMA a AMOR: Decassílabo Inconsequente de Sentir

Love

by Rob Gonsalves

I – Ab initio

Fui à Roma te buscar,

Não te achei

Todas estradas percorri,

Que meus pés machuquei!

A modorra me tomou,

Descansei

E à sombra duma árvore,

Meditei

É um fantasma que eu busco?

<perguntei>

Sob o crepúsculo em que estava,

Gritei:

“Onde estás, meu amado?”

<matutei>

A lisura de teu intento,

Contestei:

Me cortejas; me abandonas,

Bem o sei,

II – In meso

Percorrendo desfiladeiros,

Descobri teu paradeiro:

Sob Pinhais tu te escondes!

À meus chamados, não respondes!

< ne verbum quidem >

Mas o sol nasce e se põe,

Sob meus domínios,

Enquanto amada, sou doce,

Se desprezada: açoites!

Em breve meus criados,

Obrigarão-te a apresentar-te

Clamarás misericórdia,

Eventual indulto?

No tempo certo, decidirei!

III – In finitu

O salário da desídia é a morte,

Melhor que queiras tu ficar a meu lado!

Ad summam:

Per dolum: me deixastes,

Per litteras: te chamei,

Per contra: caminhastes,

Per lundum: ameacei,

Per semper: te quererei,

Per tempus: te terei!

VARANDAS

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia on 8 de março de 2008 by Prof Gasparetto

visitando Libertas in Palavras Sem Sentido.

Tearful Encounter

(by Rob Gonsalves)

I
Semeei teus cantos
seguindo-te em pegadas…
teu cheiro em cio
nos ventos me cativam em cativeiros!
Rolo pelas pedras
olho aos graus no horizonte perpetuum
e nos perdemos em pedaços!

II
Semeei teus beijos
molhando-te em madrugadas
o suor tomara conta da noite em claro
suspiros e calmarias…
fomos esculpidos somente
em porões, em abrigos
e nos perdemos em pecados!

III
semeei teus olhares
chorando-te como foz!
a brusca correnteza de lágrimas
espargiam em nossos corpos
a passagem pela batalhas rústicas
que em nossas camas travamos,
e nos perdemos pelos atos!

IV
Semeei teus orgamos
num cântico lúdico de varandas
o gosto do beijo em meio às brisas
descrevem sutilmente um raro prazer
que fragmenta saudade
que infelizmente um dia virá,
e nos perdemos em metades!

V
Semeei teus lábios
amando-te tão proibido forasteiro
os corações retumbam loucos
marchas de aventuras muitas
na coleção insana de um virtuoso amor
e nos perdemos por inteiro!

VI
Semeei em tua boca
todo o meu sêmen de história musa
e a descansar sobre teu éden
os músculos exaustos de uma dança,
num colo aos seios bebo-te infinitamente
e nos perdemos em extasia!

VII
Semeei em teu belo corpo
minha escultura antropos de ser
frisando teus jardins em meus olhares
e os teus gemidos em minha boca
procurando-te envaidecido gestos
e nos perdemos tão ilhados!

VIII
Semeei em tua história
toda minha força e cultura de milícia
sementes tão guardadas pelo tempo
criando sulcos filosóficos em teu coração,
num pensamento em te colher feito esposa minha
e me perdi, infelizmente, em algum templo pagão!

(Mar: 08, 2008)

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“…às vezes fico a vigiar o meu portão, para ver se alguma carta tua está a murmurar o meu nome!” (in Lâminas de Escribas)
Dom Gaspar I