Archive for the Coleção – Crônicas Category

O Jogo, o Mosaico e o Tempo

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Saudades Rainha?
Cadê teu rei?
Resta pouco tempo de jogo…
Antes me deste um en passent
Com um dos seus aldeões,
E concordei!
E agora me despedes…

Duelamos muitas cordas vocais…
Somos pecadores neste tabuleiro
Rasurado de pecados e rancores!
Marfim e Ébano!
Revestida de Marfim, me cobiças…
Dois amores vitrais,
Revestido de Ébano, te cobiço!
Dois amores vitais!

Mas as pessoas não sentem quando
As palavras ressentem,
Magoam…

Entoam de algumas bocas:
-“Desista! Vamos Desista!
O Tempo está acabando…”

Amas-me à distância,
Ando uma casa apenas!
E tu?
Podes ir direto a mim…
Ou retornar se quiseres,
Ou amar-me nas diagonais…

Tudo em razão do tempo!

Há muitas maneiras de se ganhar
Este jogo:
Ou entrego-me totalmente a ti,
Sacrificando os meus súditos,
A minha realeza,
A minha milícia…

Ou estrategicamente,
Matematicamente,
Esquadrinho todas as figuras
Que estão do teu lado!

Um Xeque Pastor talvez tu conheças!
O que seria uma desvantagem para mim:
Primeiro que ganharia o jogo;
Segundo que perderia teu encanto
Presa, ficarias ao lado do meu adversário!

Precisamos urgentemente,
Mudar as regras do jogo!

A Rainha que me acompanha
Confessou-me indignada:
-“Até quando terei que suportar estas
tuas jogadas!!!”

(Mar: 26, 1982)

Meias Revelações

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Foi você…

  A última canção que eu cantei!
  A última razão que arrasei!
  A ultima palavra que neguei!

Foi você …

  Um resto d’esperança de amor!
  Um náufrago na vida q’afogou!
  Um gesto sem sentido de ator!

Foi você…

  Um rosto rasurado q’inda ri!
  Um coração partido que parti!
  Meu prato preferido que comi!

Foi você…

  Lembranças d’um passado já vazio!
  Retrato amargurado e tão frio!
  Promessa que um dia não cumpriu!

Foi você…

  Toda a minha sede e gota d’água!
  Todo o infinito e estrela d’Alva!
  N’áspera parede em minh’alma!

Foi você…

  A única maneira que não tive!
  A ave presa, agora livre!
  Um pensamento vivo que me vive!

Foi você…

  Cenário que era antes e depois!
  Início de canção que decompôs!
  Final, simplesmente um final!

(Dez: 08, 1978)

Lapidez

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Aqui
Passam minhas sombras!
Passam meus restos!

Aqui
Pousam minhas asas
Pousam meus pensamentos!

Aqui
Peço minha saída!
Peço meus direitos!

Aqui
Penso no que quero!
Verso no que devo!

Aqui
Surgem meus enganos!
Morrem meus sonhos!

Aqui
Deixei meus passos!
Esqueci minha pousada!
Perdi meu pedido!
Limpei minhas idéias!

Porque aqui
Criei raízes!
Tive frutos!
Vivi estações!

Simples mente!
Passei por aqui!

(Nov: 08, 1980)

Escassidadez

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Se o homem catou pedras:
Que se cate mais!

Se o homem reinou nas guerras,
Que se reine mais!

Se o homem pensa ser “deus”:
Que se adie mais!

Se o homem tem fome:
Que se vomite mais!

Se o homem tem pressa:
Que se canse mais!

Se o homem tem sido humilhado:
Que se venda a sela!

Se o homem conhece a si próprio:
Que se morra feliz!

Se o homem escreveu poesias:
Que se poema então!

Se o homem crê na vida:
Que se converta!

Se o homem cria armas:
Que se suicide!

Se o homem procura respostas:
Que se pergunte!

Se o homem profana aos seus:
Que se cometa a eutanásia!

Se o homem plantou …:
Que se colha…!

Se o homem amou …:
Que se tenha consciência!

Se o homem formulou leis:
Que se enclausure!

Se o homem pesou-se por estar no mundo:
Está simplesmente ocupando espaço e
roubando o ar que nos resta!

(Dez: 30, 1980)

Desacatamentoze

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 31 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I
Não diga “por favor” que não te entendo!
É que as vezes surdo embora estou
Não te respondo com simples palavras
Ando procurando em dicionários
Outras palavras que te façam entender
Vasculho página por página, número por número…
E foi tudo em vão!

II
Não diga “por favor” que não te entendo!
Leio nos jornais várias notícias
Com esperança de encontrar teu nome.
Leio pois releio até que meus olhos se cansam
E tento com lembrança me animar
Com muros e consolações que já passaram…
E foi tudo em vão!

III
Não diga “por favor” que não te entendo!
Ouço nos passos transeuntes o nosso passeio
Como se fora ontem, éh! O ontem!
Rastros que se perdem com a multidão
E vão riscando todos os passos
Como farejando a tua procura,
E foi tudo em vão!

IV
Não diga “por favor” que não te entendo!
Hoje vai passando mais rapidamente
Parece que aquele pedestal está se correndo
Esfarelando o tempo em busca de refúgio,
Torno a repetir que meu vulto doentio
É sósia do passado, somente isso…
E foi tudo em vão!

V
Não diga “por favor” que não te entendo!
Que através de um sonho apenas
Não tive a chance de despertar-me inteiro
Ou por outro lado num pesadelo
Quis cegar meu quarto à velas
P’ra não te despertar…
E foi tudo em vão!

VI
Não diga “por favor” que não te entendo!
Fui fazer um corte em tua foto
Com uma moeda sem cara e sem coroa,
Mas foi a toa que eu quis cortar
Fazer retalhos com tua imagem
E montar um quebra-cabeça…
E foi tudo em vão!

VII
Não diga “por favor” que não te entendo!
Olhei em vão de cercas o teu vulto
Que parecia descansar em mastros
Em meio de tudo um tumulto,
Lavam-te de cores apenas cores…
P’ra que haja mais pureza…
E foi tudo em vão!

VIII
Não diga “por favor” que não te entendo!
Sempre perguntando: -“O quê?”
Precisando de algumas palavras simples
Que num retoque sem máscaras
Pudesse retocar o fundo de minh’alma…
Uma única saída que se possa ter…
E foi tudo em vão!

IX
Não diga “por favor” que não te entendo!
Remendo os trapos de cobertas
Que te cobriram toda naquele frio passado…
O sol ia sumindo no retrato
Lareiras chamuscadas de carvão,
A porta com a fechadura enferrujada, já sem chaves…
E foi tudo em vão!

X
Não diga “por favor” que não te entendo!
Grito, mas meu grito é todo surdo…
Olho, mas meus olhos olham no vazio…
Se calo, meu peito reclama
Se sonho, é um todo mesquinho,
Num tolo completo…
E foi tudo em vão!

XI
Não diga “por favor” que não te entendo!
O ouro nos teus olhos cegos
Não tinha valor sem teu brilho ofuscante!
A luz sempre está iluminando-te…
Vão brotando em mim, míseras lágrimas
Que nem um choro de abandono…
E foi tudo em vão!

XII
Não diga “por favor” que não te entendo!
“Cordas de Aço” vão violentando os dedos
Trazendo aos poetas mais escrita
São somas de cada letra,
São letras para uma história…
Mas falta ler para se entender…
E continua tudo em vão?

(Ago: 05, 1981)