Archive for the Coleção – Crônicas Category

Evocações nº 2 – Exigências

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Venceram as minhas fraquezas,
Enquanto estava no chão!
Esgrimas, teu corte me enfeitas
Com ardores de morte e paixão!

Morrer, oh! só posso morrer
Dando-te a chance da vida…
Outrora me fizeste perder
Por um punhado de iras!

Das elevadiças paixões:
Ou morro pensando que amo…
Ou vivo das compaixões

Quero encerrar meus pedidos,
Volvendo nos retratos mundanos,
Por querer te amar, te exigindo!

(Abr: 04, 1997)

Enquanto houver momentos, jamais te esquecerei!

Posted in Acróstico Clássico, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

I
Não haveria outro momento!
Apressei-me em pegar meu sobretudo,
Na agenda, escrevi “JÁ VOLTO!”
Diante disso, às pressas pelas ruas
A chuvinha fria esbarrava em meu rosto!

Joguei fora, todas as coisas que entristeciam:
Inúteis distanciamentos,
Meus afazeres, aprisionavam-me demais…
Eu não me entendia mais,
No intimo, cobrava-me insistentemente.
Então, não haveria outro momento!
Zelosamente, pensava em ti!

II
Não haveria outro momento!
A chuva não ia parar!
Na Confeitaria Dois Amores, parei um pouco!
“-De Torta de Ricota, brioches, croissant, e
                                   …outro de Marta Rocha, por favor!”
Abracei então as embalagens, e segui viagem!
Já estava se aproximando o rush,
Imaginei, apressar-me mais do que já estava!
Me sentia feliz…Estava muito feliz!
Eu sabia que já estavas me esperando.
Não haveria outro momento, salvo engano!!
E finalmente, cheguei em casa.
                                                 Atendes-me com surpresa:
                                                    -“O que foi querido?!”
Zerei tudo em minha vida,
para juntos recomeçarmos!
                                                  Meu amor? Te Amo!

(Jan: 06, 2008)

Fraselidades, Mortalhas e um Grito (Santa Cruz de Páscoa)

Posted in Acróstico Clássico, Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 14 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Forjaram das correntes um poder irônico:
Remontam na história um poder eclético,
Atravessando mundos a buscar memórias,
Souberam então que tudo era um mercado básico!
Entronizaram reis que eram puros sádicos,
Louvemos! Oh louvemos o poder do império
Ignorantemente nos curvando em átrios,
Dizei-me oh amor de incontáveis vértebras
Andais me provocando com este amor tão rústico?
Dizei-me oh amor de infinitas músicas,
Estais apaixonada pelas dores súditas?
Sonhais oh meu amor, que a minha morte seja súbita!

Poderes que atravessam Oceano Atlântico,
Orgias, caravelas, vão caçando o Báltico,
Riquezas seqüestradas pelos chãos da África,
Queimando e marcando reinos sub-raças?
Usinas e engenhos proliferam súditos,
Enquanto a burguesia vai pensando em fábulas!

Quereis que me ajoelhe, oh insensível mão algoz?
Urrar até perder a liberdade mítica?
Então estais vencido por não ter a tua voz…
Retratos de uma vida não se faz na fábrica,
Ergueram-se muralhas produzindo lógicas
Ignorantemente na verdade são atrozes
Se’um pingo de decência, falecidos éticos!

Trateis com estupidez, um povo que não é bárbaro!
Ou somos todos bárbaros pelos teus desejos?
Dizei-me oh nobre inseto de real astúcia:
Amais todos os seus com esse ar de hipócrita?
Semeias entre eles plantações de angústia?

Atrevo-me a cuspir no teu tapete mágico,
Sujando tuas falas de irreais arcanjos!

Forjaram das correntes pra gozar no pânico!
Retiram-se em bandos como inconseqüentes bêbados
Atravessando lanças pelos peitos núdicos,
Sangrando com euforia na presença in clerus
Elogiando templos a um deus inválido
Sustentam-se na vida na exploração de impostos!

Sejais mais natural em não sejais medíocres
Envies todo o pão ao povo, pra se acabar com a mímica!

Oh realeza fútil estais criando o trágico!

Tememos grandes fornos, como os de Aushiwitz!
Em cárcere privado nossa prole vítima
Urina em causa própria, pelo dia crítico!

Mamães são carregadas pelos matemáticos,
Unidos em saber pelas riquezas púnicas
Nudez se amontoando em banheiras tétricas
Desmancham-se cabelos, carnes pelas túnicas!
Ouvidos não tenhais oh morte cínica!

Escutais a cantoria de uma ode fúnebre!
Silêncios em fumaças, borbulhantes ritos,
Tatuam ao etéreo um grito de justiça!
Á Vida! Eu direi: Há VIDA num instante!

Então tereis em vossas páginas históricas
Mulheres e crianças, vidas tão heróicas!

Falemos então dos velhos anciãos e suas sílabas,
Acordavam de manhã, a construir sabático!
Senhoras e Senhores, não reveleis vossos segredos…
Espereis pelo Supremo que acabará com estes pesadelos!

(Jan: 10, 2008)

Encontrei no teu silêncio o segredo das areias perdidas!

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 12 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Num dia qualquer
numa praia qualquer,
encontrei nas áreias perdidas, uma pérola…
Tentei encontrar o significado no livros,
em todos os livros, mas eles ficaram em silêncio!
Meu silêncio é prematuro demais para ficar assim!
Te procurei,
conversamos então, e te dei a pérola!

E tu me dissestes: -“Como descobristes meu segredo?!”
Fiquei sem saber o que responder!

Ela retorna então com uma voz macia…

-“Tu és meu amado, tu sabes! Quero o teu silêncio, como os livros
  em silêncio ficam nas estantes!”

-“Não temais!” continuou então.

-“Encontrastes sim, um precioso tesouro! Chegues mais perto, e ouças o que meu coração te diz…”

Então, inclinei-me, e deitei meu ouvido ao seu peito e ouvi,
  o que o livros não poderiam dizer…
Era um bater cauteloso de ondas, que pulsavam…
  águas brandas eram os seus falares!

E quando tudo estava em silêncio, adormeci!

Num dia qualquer
Numa praia qualquer,
Encontrei nas áreias perdidas, uma pérola…

Com sua mão delicada, aproximou-se dos meus lábios,
e beijou-me, o oceano beija diariamente a praia!

E maliciosamente, com ares de sereia, me disse:

-“Entendestes agora, meu amado?”

(Jan: 03, 2008)

Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XII

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 12 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

XII – METADES

I
Preciso de um conselho:
quando todos os anos passarem
quero eu gravar um livro
 e nele, nas escritas,
esculpir todas as minhas lidas,
Todas as situações,
Teus mistérios…
As vãs sombras que acobertam meu spirito
Revelam-me que devo guardar-te…
És prefácio?
Um presságio que dedilha acordes
Substantivos de mulher em minha vida?
Ilusão? Mentiras?
Quando o sol reluz nossas sombras
Pela parede de mármore grego,
Percebo então quão belo
Teus matizes, reflexos de loba
Que aguarda o romper das emoções
E com garras e dentes
O prazer se faz afoito…
Os carrilhões do salão nobre,
Não consegue conter sua euforia!!!
E gritas, e me riscas em parágrafos
E me alinhas em redondilhas maiores…
e te faço coitos verbais,
aquilo que simples frases
não podem traduzir!
Mulher de grandeza infinita,
Lábios de mananciais desejos
Cria em mim, o teu amado,
O forçar contínuo de gemidos…
Uníssonos gritos carnais…
Por ventura, amada minha,
Os ventos conhecem tua fragrância felina?
Leva-me em emboscadas tranqüilas,
Teu corpo, arrojo atrevido,
Desconheces-me quando fechas a porta,
E mergulhas na banheira com sândalos,
Róseas pétalas hispânicas…
Tudo me hipnotiza, teus quadros,
Tuas curvas, teus ambientes,
teus suores, teu corpo esbelto e possessivo…
se atira por completo em mim!
Alieno-me à cama úmida
Aguardando tua boca úmida me umedecer!
Eu, aqui, esquartejado em desejos
Sinto em minha pele
Que me perdi nos teus momentos de outrora!
E toda a minha alma se fez tarde!
Preciso de um conselho:
quando todos os anos passarem
quero eu gravar um livro
 e nele, nas escritas,
apresentar nossas metades!

II
O Candelabro Italiano, lembras?
Percorremos nos lençóis em busca do querer,
E encontramos nós dois,
Espalhados, num estado romanesco
E de tal perplexidade
Que ríamos compulsivamente…
Bateram em nossa porta,
Silenciamo-nos por alguns segundos,
E voltamos às cenas
Ao tema musical que escolhestes…
Com excesso de gozo se fez a beleza
Do teu corpo!
Coração bateu rápido,
Assim como o tempo…
Entre noites e madrugadas
Pousastes teus lábios,
Como a abelha suga da seiva o mel,
E ao meu lado desmaiastes,
E nossos corpos,
Ficaram ali estendidos
Tocando-se, pensando-se,
Analisando-se,
E tua boca ao mel navega,
A castigar-me, como açoitando
A querer mais…
A querer sentir mais…
A querer ousar,
Sentir,
Fingir de medo,
Beijar meus dedos,
E com tua língua, navegando em meu tórax,
Faz-se feroz, felina,
Loba menina, que castiga,
E tua língua atrevida,
Obriga-me a mergulhar mar adentro,
A buscar em teus seios, o aconchego dos dias,
E pelos ambientes eu te sustento,
E tu levitas, e acreditas estar voando,
E queres aterrissar, mas as ondas
Sobem e descem,
E estais em meus braços a navegar,
A dançar eroticamente,
Realizando frenesi continuo
Por sermos assim
Metades inocentes do prazer!

III
A sede nos pegou de surpresa,
A jarra com água, no balcão da cozinha,
Nos convidou a descermos
Pelas escadas, teus olhos invadiam os meus,
Agressivos e sedentos
Que parássemos o tempo,
E te domasse ali, degrau por degrau…
Tua pele toda
Transpirava musk,
E pousei um beijo em teu seio,
E outro, e outro,
Ajoelhavas ante meu corpo
E num aroma delirante em cio aberto,
Nos descobrimos, como namorados,
Em nossa palidez lasciva
Que as ramas da paixão nos entregaram!
Oh musa encantadora,
Senhora dos meus sonhos,
Bebas o néctar que guardei pra ti!
Levante destes teus anseios
Como humilde abelha
E hasteies tua bandeira
Em meu mastro,
e a tremular aos ventos,
irás, em tuas graças e curvas
aprisionar
para sempre esta tua outra metade
que te pertence agora!
Eu ainda preciso de um conselho,
Lembras?

(Jun: 26, 2001)