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Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) X

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 12 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

X – ONTEM

I
Febril!
Não sei se por ausência, ou por vazio!
Quando andavas pelos corredores
E me chamavas bem baixinho,
Sussurrando, me confortavas, sabias?
Tuas mãos em meu corpo se perdiam,
O teu respirar, era canção de ninar…
E me perdia!
Revelastes o que eu mais queria ouvir:
“Me amado, meu amor! Tu és minha semente,
nasce em mim um desejo forte
um desejo que é o de sempre te amar!
Ignoro os que outros pensam…
Fazem tropeços em nossos sorrisos,
Gastam seus tempos em coisas vãs!
Haverá um dia só nosso, meu amado?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
desejos, de te querer bem pertinho,
fazer nas noites em meus braços,
cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
traga-me dos teus sonhos
o desejo de me possuir por inteira!
Os ventos abrandam as copas das árvores…
Jejuo meu corpo,
banho-me em águas cristalinas,
as espumas e o perfume na minha pele,
estão te avisando
que não tem quando e nem por quê!
É de ti que precisam,
Teu cheiro selvático de ser,
Teu corpo roceiro,
Hálito campestre de homem!
A minha loucura, quando possuir
teu corpo, será morder teu abdômen,
e as tuas orelhas pousar minha língua,
umedecer teu sexo, como fonte que jorra
meu ardente desejo por ti…
Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!

II
Sílabas soltas de carinho,
O mar se agita,
Fecho as porta, as janelas,
As cortinas…
Procuro neste frio,
Neste só,
No armário escondido, meu enrustido
Conhaque!
Puxo a gaveta da escrivaninha,
E fico a folhear teu álbum!
Cenas incomuns de nós dois,
Abraços, beijos,
Correndo numa praia sem nome,
Vestida com minha regata,
Meu blazer então, quem diria…
Um beijinho em minha face,
Um chapéu florido,
Um acordar de surpresa,
Um preparar de bóbó de camarão! MMMMM
Um jantar do nosso primeiro encontro!
As flores na janela!
Cosendo nossa cortina de girassóis!
Guerra de travesseiros!!! Inesquecível!
Uma careta!
Um mostrar de língua!
Um andar de bicicleta!
Uma saída da piscina! Uau!
Uma lareira, um vinho…
Imagens!!1
Lembra-se daquela vez quando fomos ao cinema?
Era uma chuva fraca, depois ficou forte.
Esquecemos o guarda-chuva no carro,
Umas duas quadras dali…
Deu bobeira, e quando lá dentro do cinema,
Me veio uma sensação de perda…
Havia esquecido as chaves dentro do carro!!!!
Fiquei nervoso, é natural,
Mas me aliviastes com um beijinho,
Dizendo-me:
-“Esqueça me amor! O importante é que estamos aqui!”
pipoca, chocolate, um suco de frutas….
ah! Eu ia me esquecendo: amendoim japonês!
Agitamos aquela noite!
Agitamos tanto, que o lanterninha
Nos convidou diplomaticamente
Que nos retirássemos dali!
Não sei o nome do filme!
E fomos a pé para casa,
Com aquela garoa fina e fria
Aspergindo sobre nós,
Enquanto as chaves do carro dormiam!
Até hoje não sei, se foi causa
Do amendoim japonês
Ou então do dropes que te dei!!

III
Oh amada que te quero tanto
Ainda ouço os teus dizeres,
Tua malicias,
Tua boca úmida procurando
Me conhecer por inteiro:
“-Haverá um dia só nosso?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
Desejos, de te querer bem pertinho,
Fazer nas noites em meus braços,
Cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
Traga-me dos teus sonhos
O desejo de me possuir por inteira!”
Não precipiteis o tempo,
Nem magoes as horas,
Também me preservo
Para que tu sejas feliz!
Nossas bicicletas estão se enferrujando na garagem!
Há um álbum que suspira nós dois!
Que depende de mais cenas
De mais abraços, beijos,
As praias ficaram desertas
Não sei onde foi para minha regata,
Meu blazer encontraram num brechó!
Sinto a falta daqueles beijinhos em minha face,
teu chapéu florido murchou, precisando de ti!
Um acordar sozinho,
E aquele bóbó de camarão? Tentei fazê-los e virou carvão!
Sem jantares!
 Sem encontros!
As flores mudaram de estação!
Nossa cortina de girassóis! Não giram mais!
os travesseiros ficaram em paz!!!
Sem caretas!
Cadê a piscina?
Uma lareira apagada,
um vinho, que se transformou em vinagre!
E teus dizeres ficaram gravados na memória:
“Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!”
Mas isso tudo, foi ontem!

(Jun: 13, 2001)

Atrás daquela porta esconde-se um coração de pedra!

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 11 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

O bobo – Majestade, alguém está cobiçando vosso trono!

O Rei – Imaginas quem é?

O bobo – Não sabem El-Rei! Uns dizem Tiradentes, outros, Vandré!
                O povo na praça se reúne, oh Rei!

O Rei – Quem são eles?

O bobo – São gente da UNE!!!

O Rei – O que querem?

O bobo – Querem acesso à justiça e liberdade também!

O Rei – Mandes rezar umas missas, tantas quantas puderes…

O bobo – Por que vossa majestade, se mal vos pergunte?

O Rei – Pediram comida, dei-lhes estrume
              Pediram escolas, dei-lhes esmolas…
              O que querem afinal? Mais fornos??

O bobo – não saberei responder, embora seja eu teu ministro
                do entretenimento, o que posso fazer?
               Majestade não estais com medo que em tudo isso
               Um mal aconteça?

O Rei – Ministros! Ministros!  Não tenhais medo meus nobres!
             Mandem chamar Tancredus…

O bobo – Teu nobre orador?
                 O que acontecerá então?

O Rei – Antes que haja uma revolução, Mendes construir cadeias…

O bobo – Majestade! Majestade!
                Não temos mais verbas!
                O povo reclama de tantos tributos…

O Rei – Onde está o 1º Ministro?
              Peça a ele que organize a cavalaria,
              Reúna os marechais-de-campo…
               Agendes um encontro com Napoleão!

O bobo – Majestade! O vosso ministro Ullysses, está arquitetando
                Outra ideologia…

O Rei – Quem ele pensa que é?
             Me contes, quais são as tramóias??

O bobo – Presente de grego majestade! Presente de grego!
                 Parece Cavalo de Tróia !!!
                 Ele confabulou com os seus…
                 Querem tirar deste grande império
                 O poder dos tiranos monarquistas,
                 E instituir um parlamento livres…
                 Uma tal democracia! Coisa de grego, Majestade!

O Rei – Convoques a milícia imediatamente!
              Armem os soldados com o mais grosso calibre
              Até os dentes…
              Compres mais canhões, se preciso for!
             No forte, ainda temos pólvora e dinamites!
             Não temais meus ministros!
             Tudo ficará em ordem!

O bobo – E o povo majestade? E o povo?

O Rei – Por que tanta mediocridade?
              Não vês que são meros detalhes?
              Mande-os agora para as praças!

O bobo – Quem irá celebrar as missas?
O Rei – Como? O religioso nobre néscio!
O bobo – Majestade, os religiosos, mudaram-se para as
                 fronteiras, dentro das florestas
                 foram construir missões!
                Abrigam os silvícolas,
                Amparam os desamparados,
                Ensinam os ignorantes a lutar
                Pelos seus direitos, Majestade!!!

O Rei– Torturas! Torturas! Um a um é o que merecem…
             Terão que confessar quem são!

O bobo – E o povo majestade?
O Rei – Distribua balas a todos!
             Se querem espetáculos, contratemos circos…
             Se querem comida, pães amanhecidos…
             Retires-te daqui, que repousar!
             Mas antes, enches minha taça com vinho!

O bobo – Majestade?!
O Rei – O que foi?
O bobo – O mensageiro real vos trouxe uma mensagem!
O Rei – Leias então! O que estás esperando?
O bobo – Diz assim:

“oh Majestade sem reino
teus dias estão findando…
plantastes muito veneno,
teu povo estais ‘liminando!

Pedimos licença então
Pra um pedido fazer:
Queremos tudo de bom
Pra nossa vida viver!

Se achais que tudo é difícil,
Livre-nos das trapaças…
Adulteraram o diesel,
Os nobres fazem fumaça!

Vede Senhor os teu servos,
Não são simples criaturas…
Queremos tirar os pregos…
À liberdade, abertura!

Estamos todos nas trevas
Sem liberdade ou ação!
Teus nobres queimam uma erva
Só pra sentir emoção!

São todos feitos de pedras,
São frios até no amor…
Somos de distantes épocas,
Já acabou o terror!

Enquanto pão precisamos
Comeis então strogonoffs!
Por isso estamos lutando,
Com foices e molotovs!

Vossa milícia sem soldo
Doentes querem partir!
Bebem remédios de boldo,
Mandados lá do Haiti!

Nós só queremos justiça,
E ficar em nossas terras…
Mas tudo acaba em pizza…
Seu reino produz só guerras!

É melhor que abdiqueis
Deste trono de uma vez…
Em vossa corte, os reis
Só vivem de embriaguez!

O povo sente saudades
De tanta terra querida
Plantavam até erva-mate
Tinham um motivo na vida!

O reino sujo de sangue
Que alimenta os corvos,
A nossa casa é no mangue,
Vosso palácio de porcos!

Vejo que nossos avisos
De mais nada adiantam!
Vosso reinado de guisos,
Mandam cortar as gargantas!!!

Então vendemos pamonha
Nas feras de cada dia!
Vossos herdeiros, maconha,
E nos banquetes, farinha!!

Escuteis os vossos sinos!
Que já reclamam bem tarde:
Nem mesmo os pobres suínos
São maltratados, quem sabe?

Seria este o motivo,
De nossa humilde mensagem!
É preciso estar bem vivo
Mesmo que seja bem tarde!

Nós não queremos de novo
Chegar com outra mensagem
Mesmo que seja passagem,
Quem assina é teu Povo!”

O Rei – Mas que atrevimento desse povo!
              Se comportam como donos!!!!
              É preciso fazer algo…

O bobo – O que Majestade?
O Rei – Me chame o fidalgo da Corte, Paulus Cesárius…
              Digas a ele que espalhe notícias
              Pelos jornais:

“oh povo dos subterrâneos!
  Vosso rei a partir desta data
  Criará o Silêncio Público…
  Tereis Cestas Básicas uma vez por ano!
  Saúde? Salvo engano, estão todos bem!
  Será preciso aumentar tributos
  Para aumentar nossos passos!

Que se faça, que se cumpra!
  Aceito vossas desculpas
  Pelas mensagens que enviastes!

Assinado: Vosso Amado Rei!

Assim, depois de um mês
O bom rei veio a falecer,
Julgava ser imortal!
Mas é a vida!
São as leis!

Assume outro em seu lugar!
Que irá mudar toda a situação.
Poeta?
Músico?
Artista?
Ou mandarim?
Não se sabe ao certo!
Pelo jeito o seu nome é Rasputim!!!

E o povo era feliz e não sabia!!!

(Out: 14, 1988)

Disparada, Jair Rodrigues: 

Disparada , Yamandu Costa:

Chacais Devotos VII

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 11 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

7º passo – terrenos baldios, são ótimos campos santo!

Maquiavel me disse pra ser Príncipe!
Mas como se sustentar no poder?
Pão e circo para todos os bíceps?
Então, a quem podemos recorrer?

Preciso fechar tod’os sindicatos,
Para que não mais se manifestem!
Ou viram todos cidadãos pacatos,
Ou não procriem mais, antes que infestem!

É simples chegar a esse poder:
Vizinhos são vistos como inimigos!
Eu brindo a todos por exercer

Um cargo que será muito longânime!
Flores, para todos os súditos viverem!
Aos adversários, muitos crisântemos!

(Out: 16, 1998)

Chacais Devotos VI

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 11 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

6º passo – aplicar os rigores da lei!

Hoje os fanáticos das inquisições,
Convivem em togas nas UTIs
São mestres forjando situações,
Nos átrios flagelam as CPIs…

Só nascem bancadas de ruralistas
Nas mãos de todos insanos algozes…
Para a imprensa são simples artistas
E para o povo eles são quebra-nozes!

Lobistas, são eles lobo mal…
Precisam mostrar que são muito fortes
Para uma nação de carnaval…

Maquiavel sempre esteve entre os nobres…
Mostrando dicas e coisas e tal…
Ricos cada vez mais ricos! E os pobres?

(Ago: 31, 1998)

Chacais Devotos V

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 11 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

5º passo – o assistencialismo conta ponto!

Quando assumi, er’um sonho do povo!
Encontrei pilantras e prostitutas
Todos tentando repartir o bolo…
E tinham repugnantes condutas!

Uns falavam em construir castelos,
Outros, em desmoronar grandes bancos!
Seqüestram das terras os rastelos,
E doaram pro povo os barrancos!

Quero ministros que assumam com ética
Este país construído por muitos…
Há muita retórica e pouca estética!

Que não visem tanto mudar o mundo,
Mas pelo menos só mudem as práticas,
Sem interesses, criando absurdos!

(Ago: 011, 1998)