Archive for the Coleção – Crônicas Category

Clausuras

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

a chuva a cair
não posso sair
que no teu lado invade!

fingir que não vou
um sonho voou
começo fazer alarde!

Os ventos nos dizem
Qu’os rostos se brisem
De muita felicidade!

Beijando tua boca
Um corpo sem roupa
tento fugir muito tarde!

Lembranças de
De quando parti
Parecem eternidades!

Caminhos de pedra
Cantigas dos Vedas
Vão retornando as idades!

Quem sabe lutar
Na luz do luar
Como trazer a verdade?

Feriram meu corpo
Deveras escopo
Sinto perder a metade!

Já fui teu escravo,
Covarde ou bravo,
Roubaste o meu estandarte!

Corri pelos montes
Pintei horizontes,
Onde está o amor? Quem sabe?

Olhei os teus olhos
Vertentes de ódio…
Numa face não se bate!

Erramos amantes,
Iguais diamantes…
Pedras comuns sem quilates!

(Dez: 30, 2007)

Andanças ao Vento V

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(A Mesquita)

“Sala’am am’leicam!”

areias, tendas distantes!
céus, espadas cortantes!

Os véus com seus brilhantes,
As luzes tão cintilantes…

O vento se faz uivante
Meus sonhos agonizantes

Areias, calor escaldante,
Melícias, inferno de Dante!

Armei todas as amantes
De forma tão delirante…

Oásis, desertos cantantes
A sede, gargantas irritantes!

Visões, gigantes elefantes…
Feito Enéias desafiantes!

Visões, da amada elegante
Chegada tão triunfante!

Farrapos, areias cortantes,
Tragédias transfigurantes!

Lembranças de beijos corantes,
E vozes gritando: “Adelante!

Das espadas forjantes
Gihads andantes!

Brilham teus olhos belo mirante,
Vozes de alguém emigrante…

Tuas paredes mosaico brilhate
Brilham teus paços, avante!

Recomeçar nos pisantes
Teus passos na areia soltantes!

O ouro bazares mercantes
Nas mãos, nas cabeças turbantes!

Teus colos areias colantes
Caravanas, caravelas errantes!

Cavalos!
Camelos!
Serpentes!
Areias!
Tendas!
Caravanas!
Emires!
Bazares!
Meca!
Medina!
Gabriel!
Maomé!
Gihad!
Xiita!
Sunita!
Mesquita!
Alcorão…

Ajoelhado estou
A pensar em Ti!

“Am’leicam Sala’am!”

(Ago: 06, 2004)

Viveres Genéricos (ou Bueiro dos Loucos)

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Não temais
Meu rapaz
Covardia
Foi um dia
Teu presente!

Pelas contas
Já demonstras
Eficácia
Na farmácia
Com doentes!

Entretanto
Não sei quanto
Tu cobraste
Dos seus trastes
Friamente!

Sem pobreza
Sem beleza
Sendo vítima
Das conquistas
Conseqüentes!

Quem me dera
Estivera
Na polícia
Sem malícia
Competente!

E com laço
E abraço
Da justiça
Movediça
Ser correntes!

Quero um dia
Ser teu guia
Ser teu sal
Ser teu mal
Livremente

Não temais
Meu rapaz
Está perto
Descoberto
De repente!

Quem diria
Armadilhas
Encontrastes
Dos seus trastes
Firmemente!

Com certeza
A tristeza
Foi embora
Numa hora
Sem os dentes!

A principio
És um ímpio!
Sem amores,
Sem valores
Evidentes!

São tocaias…
São as saias…
Que armaram,
Revelaram
Descontentes!

Há cobranças
Alianças
São desfeitos
São eleitos
Ferozmente!

Para trás
Satanás!
Com teu jogo
Sem engodo
Aparente!

Sou mais forte
Que a morte
Com palavras
Tudo acaba
Em parêntesis…

(…)

(Jan: 05, 2007)

Andanças ao Vento IV

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(O Pântano)

Ventos!

São sinais que estamos longe
Andemos mais um pouco
A noite logo vem!

Frio!

Os cobertores dos soldados
São agora farrapos
Como também estão suas almas…
A noite logo vem!

Pão!

As pedras são postas em círculo
Um utensílio de barro otomano
Mistura-se no ázimo…
O clarão ritualiza a forma!
A noite logo vem!

Vinho!


O peitoril encharcado
Cavalos baios, e centuriões
Protestam alguns textos em aramaico…
Um olhar ao longe despertam o gosto
Das videiras…
A noite logo vem!

A Ceia!

Sentado num caminho íngreme
Cogitam levantes aos generais,
Algumas vidas são extirpadas do meio,
Outras, o medo ataca…
A noite logo vem!

Fico a pensar na mulher
Que muitas mensagens os escribas teceram,
Estafetas bem equipados
Galopeavam espalhando poeira e vazio…
Ela, a amada, recebeu alguns,
Outros se perderam no caminho…
A noite logo vem!

Estou só, e a noite ainda não veio!

(Mar: 02, 2004)

Andanças ao Vento III

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 7 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(O Acampamento)

Arrastar meu corpo cansado
por quilômetros
vi traços de flores no campo
que com o vento perdiam-se nas cores…

esqueci de minhas dores,
armaduras espelhadas de veneno
plantações de lanças e espadas,
eram pra mim uma paisagem inóspita…

um estandarte rasga-se em céu nublado
castigando aqueles que friamente
expulsaram nossas cavalarias,
destruíram nossas esquadras…

perdi senso do tempo
que vociferava gemidos
de sentinelas e aldeões…
as velas içam-se nos corpos….

Queres meu sangue em teu brasão?
Empunhar maços
Empilhar aríetes,
E nas noites, poder dançar à sombra dos archotes!

A fogueira fora feita
E ao redor cavaleiros com suas taças,
Lembram de suas amadas
Que estão além das colinas!

Eu no meu esquecimento,
Me vi um trapo miliciano
Que degusta das raízes
A nobre lembrança de Bela…

Passamos a noite em vigília
Mesmo a tombar nos escombros
Feitios cruzadistas de serem livres,
Como livres são os meus servos!

(Out: 11, 2003)