Archive for the Coleção – Crônicas Category

Humanimalidadez I

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

A Mais-Valia:

Libélulas dançantes, pirilampos lúdicos,
Cigarras orquestrando o seu coro lírico,
Formigas trabalhando num consenso único,
Não visam vãs fortunas neste mundo cínico!

Abelhas operárias construindo indústrias,
Carregam suas forças num sentido empírico,
Gracejam doce mel de natureza lúdica,
Jardins são derrubados pelo “homo criticus”!

São peixes se afogando num mar petrolífero,
Despejam-se abortos na cadeia aquática,
Medalhas e estrelas num peito honorífico,
Se orgulham da façanha por serem a prática!

Das mãos dos infelizes seus leais engodos,
O féretro é igual com luto e com pranto…
A corte marcial, tem convidado a todos,
Que a vida não tem preço, e se tiver é quanto?

(Dez: 04, 2007)

Dieimis ou Esty (Seriado)

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Asfalto imáculo de trilhos
Estado ajoelhado em balas de prata,
Provam dos teus trens!
Ao longo policiado sol febril
De percianas estendidas em missões secretas
E novas cenas…
Tudo em volta senhas!
Secretos olhos atadaos num vagão eferográfico,
Ficam pesados em desvendar
Um próximo capítulo!
O sinal está tão próximo que vasculhas
Com todas as folhas
Em investigações humanas, que terminam
Cruzando pelos semáforos da rodovia inacabada:
Que crime não compensa!

São pontos que vem pelo telégrafo,
Pelos eternos códigos,
Enfermos pobres,
Pelos extremus modus,
Pelos Artemus Gordon!

(Jun: 17,1983)

Diários

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

Como estão os teus diários?
Telefones ocupados?!
A tua agenda está completa?
Deixo apenas um recado:
Por favor minhas gravatas!
Me devolva por favor!
Quero os meus carnês quitados…
… nome sujo é passado!

Sobre o jantar de ontem,
O garçom veio dizer
Que o cartão ta bloqueado!

E o maitre quer saber
De quem é o celular??
Desta vez não tem desculpas:
Roupa suja é pra lavar!
Tudo bem, já levei multa!!!

Por favor minhas gravatas
Pra mim são importantes!
Assim como aprecias
Lavar prato em restaurante!

(Mar: 22, 2000)

Colagens (Overdose Land)

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(à R. S. – ex-menino de rua – in memorian)

Duas vezes o guri cheirou cola
Atras da funilaria…
A senhora, mãe dele, ora!

Menino sem estudo que tinha,
Lamenta o leite que bebeu…
Borbulha os dentes na sola
Do bastardo patrão que ria!

-“Não pedi pra vir ao mundo!”, dizia.

Lá pelas tantas,
A mãe, coitada, chorou,
Regouo todas as plantas do pés,
Do coitado guri.

Piá, sem saber que eram santas,
Todas as lágrimas, gemidos,
Ficou na orgia, cheirou,
Negou todas as entranhas…

E naquele mundo de colagens,
Resolver botar os pingos nos is,
Tinha em sua camiseta a foto do OZZY,
Lamentou pra mãe suas viagens,
Cantou uma canção da ELIS,
E embarcou pra Overdose Land.

(Jun: 24, 1983)

Saudades Partidas XII

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Pensamentos on 3 de janeiro de 2008 by Prof Gasparetto

(Síndrome de Estocolmo)Atravessamos todas os luares sem excitação.
Caminhamos mãos dadas pelas ruas,
Teu olhar transparecia felicidade…

De repente, me seqüestras!
Me levas a lugares ermos,
Fico atônito com a surpresa…
Imperas um longo e desejoso beijo!
Tua pele de bronzeado eterno
Me faz cativo por horas e horas.
O suor espalhasse em tua geografia
E em tua ilha me acolhes…

Vendaste-me os olhos!
Tão precisos os teus fôlegos
Que arrepios nos invadem os corpos,
Em suspiros, sussurrares tontos,
E em tuas costas vou desenhando
Mapas, rotas, trilhas,
Como a cavalgar em teus oceanos!

Me miras depois pelo espelho,
Tatuando meu corpo com teu baton vermelho,
Ensaias mil planos:
Sem contatos, sem e-mails, sem resgates…
Um seqüestro de uma apaixonada dama,
Que perdida, naufraga em nossa cama,
Esperando ser resgatada…

Como tigresa, como sereia,
Sei lá!
Me sinto preso em tua teia,
Em tuas façanhas,
E a galopar me arranhas,
E ao meu ouvido pleiteias
Que seja eu teu amor,
Apenas o teu seqüestrador!
Somos o que somos!

Eu, sou todas as síndromes!
E tu, tu és Estocolmo!

(Nov: 08, 1984)