Archive for the Coleção – Crônicas Category

O Restaurante da Rodovia

Posted in Coleção - Crônicas on 12 de agosto de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

By Kontext 2v1+InG Flux Schnell + Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

O restaurante ficava no quilômetro 218, depois de uma curva comprida e antes de um posto de combustível. Não tinha nome luminoso, fachada moderna nem qualquer preocupação em parecer bonito nas fotografias. Uma placa amarela anunciava COMIDA CASEIRA – ABERTO 24 HORAS, e isso bastava para quem chegava com fome.

Às onze e meia, o estacionamento começou a encher.

Primeiro vieram dois caminhões. Depois uma caminhonete coberta de barro, três carros de passeio, uma van e um ônibus que despejou quase quarenta passageiros de uma só vez.

Em poucos minutos, o restaurante parecia uma pequena cidade.

Marta trabalhava no caixa e reconhecia muitos clientes sem saber o nome de quase nenhum. Havia o caminhoneiro do boné azul, que sempre pedia café sem açúcar; a mulher da van branca, que comprava duas garrafas de água e nunca almoçava; o vendedor de ferramentas, que reclamava do preço da comida antes de repetir o prato; e um senhor de barba grisalha que aparecia duas ou três vezes por mês e perguntava:

— Hoje tem pudim?

Se não tivesse, parecia considerar aquilo uma falha grave na administração do estabelecimento.

Naquela terça-feira tinha.

— Então o dia começou direito — declarou ele.

Sentou-se numa mesa grande, já ocupada por um caminhoneiro e um casal que viajava com uma menina de aproximadamente oito anos.

Ali ninguém perguntava se podia sentar.

Se havia cadeira vazia, havia lugar.

O caminhoneiro cortava um pedaço de carne quando a menina apontou pela janela.

— Aquele caminhão vermelho é seu?

— É.

— Você dorme lá dentro?

— Às vezes.

— Tem televisão?

— Tem.

— Banheiro?

— Aí você já está querendo transformar em apartamento.

Os pais riram.

A menina continuou:

— E quando você sente sono?

— Eu paro.

— Meu pai não para.

O homem quase engasgou.

— Filha!

O caminhoneiro tomou um gole de refrigerante e olhou para o pai.

— Escuta a fiscalização.

Na mesa ao lado, dois trabalhadores de uma empresa de manutenção discutiam sobre qual deles havia esquecido uma caixa de ferramentas no último serviço. Nenhum aceitava a culpa, mas ambos concordavam que o encarregado descobriria antes do fim do dia.

Perto da janela, uma mulher falava ao telefone.

— Já disse que vou chegar. Não adianta perguntar de quinze em quinze minutos porque isso não faz o carro andar mais rápido.

Desligou, respirou fundo e pediu outro café.

O restaurante tinha esse tipo de intimidade involuntária. As mesas ficavam próximas demais, as conversas atravessavam corredores e, por alguns minutos, desconhecidos conheciam problemas que talvez nem os parentes soubessem.

Ao meio-dia começou a chover.

A água bateu forte no telhado metálico, e vários clientes que já haviam terminado o almoço desistiram de sair.

Marta percebeu imediatamente.

— Chuva aumenta o consumo de café.

O cozinheiro respondeu da porta:

— Então torce para chover até amanhã.

— Você que não limpa o banheiro.

Ele voltou para a cozinha sem discutir.

Um homem entrou correndo, protegendo a cabeça com um jornal. Estava encharcado dos joelhos para baixo e procurou uma mesa.

Não havia nenhuma.

O caminhoneiro do boné azul puxou uma cadeira.

— Cabe aqui.

O recém-chegado agradeceu e sentou.

Era representante comercial. Tinha saído de casa antes das seis e ainda pretendia visitar três clientes naquela tarde.

— Se essa chuva continuar, visito um e invento desculpa para dois.

— Planejamento estratégico — comentou o caminhoneiro.

— Meu chefe chama de baixa produtividade.

Não perguntaram os nomes um do outro.

Conversaram sobre o trânsito, os pedágios, um trecho da rodovia em obras e o café, que o representante considerava forte demais.

— Café de estrada tem que acordar até quem não está bebendo — disse o caminhoneiro.

Quando a chuva diminuiu, começaram as despedidas.

Na verdade, quase não havia despedidas.

As pessoas simplesmente levantavam.

Pagavam.

Usavam o banheiro.

Compravam água.

Voltavam para seus veículos.

A menina da mesa grande passou pelo caminhoneiro e acenou.

— Tchau, moço do caminhão vermelho!

— Tchau, fiscal!

O pai riu e conduziu a família até o carro.

O representante comercial conferiu o celular.

— Tenho quarenta e sete mensagens.

— Quantas importantes?

— Se eu soubesse, não precisava abrir as quarenta e sete.

Pegou a pasta e saiu.

O caminhoneiro terminou o café, pagou no caixa e recebeu o troco de Marta.

— Até a próxima.

— Se a estrada deixar.

— Ela sempre deixa. Só não avisa quando.

Pouco depois, o caminhão vermelho desapareceu na rodovia.

O carro da família seguiu para o lado contrário.

A van branca partiu.

O representante comercial tomou outro rumo.

Nenhum deles sabia o nome dos outros.

Às duas da tarde, o restaurante estava quase vazio.

Marta recolheu uma xícara esquecida e encontrou debaixo da mesa um desenho feito com lápis de cor no verso de um guardanapo de papel.

Era um caminhão vermelho enorme, com seis rodas de tamanhos diferentes. Na cabine, um homem de boné aparecia sorrindo.

Embaixo, a menina havia escrito:

BOA VIAGEM, MOÇO.

Marta colocou o desenho ao lado do caixa.

Talvez o caminhoneiro voltasse na semana seguinte.

Talvez dali a um mês.

Talvez nunca.

Às três e vinte, outro caminhão entrou no estacionamento.

Um homem que Marta nunca tinha visto abriu a porta e perguntou:

— Ainda tem almoço?

— Tem.

— E café?

— Desde que abriram a rodovia.

Ele riu, entrou e escolheu uma mesa.

Do lado de fora, os pneus continuavam riscando o asfalto molhado.

Dentro do restaurante, uma cadeira que havia ficado vazia acabava de receber outra história.

(Betto Gasparetto – viii – mcmxciv)

A Carteira do Fundo

Posted in Coleção - Crônicas on 11 de agosto de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

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Na sala do segundo ano havia trinta e quatro carteiras, mas uma delas parecia valer por duas.

Era a última da fileira junto à janela, no fundo da sala.

Ninguém sabia quando começara a disputa. Talvez no primeiro mês de aula, quando descobriram que dali era possível enxergar o quadro inteiro, a porta, os colegas e ainda uma parte da quadra esportiva. Talvez fosse simplesmente porque adolescente gosta de acreditar que alguns metros de distância da mesa do professor constituem uma forma legítima de independência.

Na segunda-feira, Vinícius chegou quinze minutos antes do sinal e colocou a mochila sobre ela.

— Reservei.

Rafael entrou logo depois.

— Desde quando carteira tem reserva?

— Desde que eu cheguei primeiro.

— Então tira a mochila que vou desapropriar.

A discussão terminou quando Camila sentou no lugar enquanto os dois argumentavam.

— Pronto. “Reforma agrária” concluída!

Os três riram, e Vinícius acabou ocupando a carteira ao lado.

Aquele canto tinha suas vantagens. Ali circulavam bilhetes, comentários sobre a aula, desenhos feitos no verso das folhas e previsões absolutamente infundadas sobre o conteúdo da prova. Também era de lá que surgiam perguntas como:

— Professor, isso vale nota?

A pergunta geralmente aparecia antes mesmo de alguém saber o que deveria fazer.

Mas a carteira do fundo tinha uma fama maior do que merecia.

Os professores novos olhavam para ela com alguma prevenção. Quando surgia conversa durante a explicação, o primeiro olhar quase sempre ia naquela direção, mesmo que o barulho tivesse começado na primeira fileira.

Certa manhã, alguém derrubou uma régua.

O professor interrompeu a explicação e olhou imediatamente para Vinícius.

— Nem fui eu.

— Não falei que foi.

— Mas olhou com acusação.

A turma riu.

— Meu olhar ainda não vale como prova.

— Ainda bem.

Era esse tipo de conversa que mantinha a reputação do lugar.

No começo de agosto chegou um aluno novo.

Chamava-se André.

Entrou acompanhado da pedagoga, carregando uma mochila preta e aquele desconforto facilmente reconhecível de quem chega quando todos os grupos já parecem formados.

— Pessoal, este é o André. Veio de outra escola.

Alguns disseram “oi”. Outros apenas levantaram a cabeça.

A pedagoga saiu.

Restava uma carteira vazia.

Justamente a do fundo.

André caminhou até ela e sentou.

Vinícius, que naquele dia havia chegado atrasado, parou ao lado.

— Essa carteira…

André levantou imediatamente.

— Foi mal. Não sabia que tinha lugar marcado.

Vinícius percebeu que ele estava realmente disposto a sair.

— Tem não. Eu ia dizer que essa carteira balança. Coloca um papel dobrado no pé esquerdo.

André sentou novamente.

No intervalo, porém, não saiu.

Enquanto a turma corria para o pátio, permaneceu mexendo no celular.

Camila percebeu.

— Você não vai comer?

— Não estou com fome.

— A cantina vende uma coxinha capaz de mudar essa opinião.

Ele sorriu pela primeira vez.

Foi com eles.

Nos dias seguintes, a última carteira perdeu temporariamente sua disputa tradicional. Ninguém comentou. André continuou ocupando o lugar, e Vinícius passou para a fileira ao lado.

Foi assim que começaram a descobrir algumas coisas sobre ele.

Desenhava muito bem.

Era péssimo no vôlei.

Sabia tocar violão.

Tinha dificuldade em matemática e uma habilidade quase profissional para imitar a voz do locutor que anunciava os avisos da escola.

Também descobriram por que falava tão pouco.

A família havia mudado de cidade depois que o pai perdera o emprego. André deixara amigos, time de futsal e uma garota com quem estava começando a namorar.

— Ela terminou? — perguntou Rafael.

— Não.

— Então vocês estão namorando?

— Também não sei.

— Relacionamento moderno.

— Mais ou menos.

— Complicado?

— Bastante.

— Então é moderno.

A conversa terminou em risadas.

Algumas semanas depois, durante uma prova de matemática, André ficou olhando para a folha por vários minutos.

Vinícius percebeu seu nervosismo.

Não podia ajudar.

A professora caminhava entre as fileiras.

André apagava contas, recomeçava, mordia a ponta da caneta e olhava para o relógio.

Quando entregou a prova, saiu sem conversar com ninguém.

No dia seguinte faltou.

Também não apareceu no outro.

Na sexta-feira, Camila mandou uma mensagem.

A resposta demorou:

“Acho que vou voltar para minha antiga cidade.”

Na segunda-feira, a carteira permaneceu vazia.

Ninguém colocou mochila sobre ela.

Na terça, também.

Vinícius chegou cedo, olhou para o lugar e escolheu outra carteira.

— Não vai sentar lá? — perguntou Rafael.

— Hoje não.

Na quarta-feira, poucos minutos antes da aula, André apareceu na porta.

Entrou devagar.

— Achei que você tinha ido embora — disse Camila.

— Quase.

— E aí?

Ele ajeitou a mochila no ombro.

— Minha mãe conseguiu trabalho aqui.

Rafael apontou para o fundo.

— Seu imóvel está disponível.

André caminhou até a última carteira.

Havia um papel dobrado sobre o assento.

Abriu.

ALUGUEL ATRASADO: 3 COXINHAS.

Ele começou a rir.

Sentou-se e colocou o papel sob o pé esquerdo da carteira, exatamente onde Vinícius havia ensinado no primeiro dia.

Parou de balançar.

A aula começou.

Alguns minutos depois, o professor fez uma pergunta difícil. Ninguém respondeu.

André levantou a mão.

Acertou.

Vinícius virou para trás.

— Olha ele…

André deu de ombros.

— Estudei.

No intervalo, os quatro saíram juntos.

A carteira ficou vazia por vinte minutos, com alguns riscos de caneta, um chiclete antigo grudado por baixo e o papel das três coxinhas sustentando um dos pés.

No ano seguinte, outra turma ocuparia aquela sala.

Alguém certamente correria para o fundo e colocaria a mochila sobre ela antes dos demais.

Talvez dissesse:

— Reservei.

E a disputa começaria outra vez, sem que ninguém soubesse quem havia sentado ali antes ou por que um pedaço de papel dobrado continuava debaixo do pé esquerdo.

(Betto Gasparetto – viii – mcmxciv)

A Chave Reserva

Posted in Coleção - Crônicas on 10 de agosto de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

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Quando Roberto entregou a chave reserva de casa ao vizinho, não houve cerimônia.

— Guarda para mim? Se algum dia eu me trancar para fora, pelo menos não preciso chamar chaveiro.

Paulo recebeu a chave, colocou numa pequena caixa de madeira que ficava sobre o armário da cozinha e respondeu:

— Pode deixar.

Moravam lado a lado havia quase nove anos. Não eram amigos de frequentar a casa um do outro, mas compartilhavam aquela intimidade típica de vizinhos antigos: recolhiam encomendas, emprestavam ferramentas, avisavam quando algum portão ficava aberto e sabiam reconhecer, pelo barulho da garagem, quem estava chegando.

A chave permaneceu na caixa durante dois anos sem servir para nada.

Até que Roberto decidiu viajar com a esposa e os dois filhos para visitar parentes no interior. Antes de sair, pediu ao vizinho que desse uma olhada na casa.

— Se o alarme disparar ou acontecer alguma coisa, você entra.

— Vai tranquilo.

A família partiu numa sexta-feira à tarde.

No sábado, Paulo regou duas plantas da varanda. No domingo, recolheu um pacote que o entregador havia deixado junto ao portão. Na segunda-feira, nem precisou atravessar a calçada.

Roberto voltou na terça, pouco depois das oito da noite.

Descarregou as malas, estacionou o carro e encontrou tudo exatamente como deixara.

Na manhã seguinte, foi agradecer.

— Deu tudo certo?

— Tudo. Só chegou uma encomenda. Está aqui.

Paulo entregou o pacote.

Roberto agradeceu e, antes de voltar para casa, lembrou-se da chave.

— Vou pegar a reserva também. Preciso fazer uma cópia para meu filho.

Paulo abriu a caixa de madeira.

Mexeu entre chaves antigas, pilhas, moedas e dois controles remotos.

A chave não estava.

— Estranho.

Procurou novamente.

Abriu uma gaveta.

Depois outra.

Nada.

— Você usou?

— Não.

— Tem certeza?

Paulo parou de procurar.

— Tenho.

Roberto tentou parecer despreocupado.

— Deve estar por aí.

Voltou para casa, mas a frase ficou acompanhando seus pensamentos.

Naquela noite, comentou com a esposa.

— A chave sumiu.

— E daí?

— Como “e daí”? É a chave da nossa casa.

— Paulo mora do nosso lado há nove anos.

— Justamente. Se alguém entrasse aqui, saberia nossos horários.

Ela olhou para ele por alguns segundos.

— Você está ouvindo o que está dizendo?

Roberto estava.

E não gostou.

Nos dias seguintes, pequenos acontecimentos começaram a ganhar importância demais.

Uma janela da cozinha que ele não lembrava ter deixado aberta.

Uma cadeira ligeiramente fora do lugar.

A porta do escritório encostada.

Até uma gaveta mal fechada virou motivo para conferência.

Nada havia desaparecido.

Mesmo assim, Roberto chamou um chaveiro.

Trocou o segredo da fechadura.

Quando Paulo percebeu o serviço, perguntou:

— Problema na porta?

— A fechadura estava agarrando.

Foi uma resposta rápida demais.

Paulo apenas concordou.

Depois disso, alguma coisa mudou entre os dois.

As conversas no portão ficaram menores. As ferramentas deixaram de atravessar a calçada. Quando uma encomenda chegou à casa de Roberto e ninguém atendeu, Paulo não a recolheu como fazia antes.

O pacote passou a tarde inteira junto ao portão.

Duas semanas depois, Roberto decidiu limpar o carro.

Retirou os tapetes, aspirou os bancos e abriu o compartimento sob o porta-malas para verificar o estepe.

Ao levantar a tampa, ouviu um pequeno objeto metálico cair.

Era a chave.

Ficou olhando para ela.

Lembrou-se então da manhã da viagem. Antes de fechar o porta-malas, havia pegado a chave reserva com Paulo porque imaginou que seria melhor levá-la. Colocara no bolso lateral da mala e, enquanto organizava a bagagem, provavelmente a deixara cair.

Sentou-se na beirada do porta-malas.

Durante alguns minutos, permaneceu ali com a chave na mão.

Naquela tarde, atravessou a calçada.

Paulo estava lavando a garagem.

Roberto abriu a mão.

— Achei.

O vizinho reconheceu imediatamente.

— Onde estava?

— No carro.

Paulo desligou a mangueira.

Roberto tentou explicar.

— Eu devia ter lembrado que peguei antes da viagem. Depois achei que…

Parou.

Paulo esperou.

— Eu troquei a fechadura.

— Eu percebi.

Não houve discussão.

Talvez tivesse sido mais fácil se houvesse.

Roberto estendeu a chave.

— Quer guardar novamente?

Paulo olhou para ela e depois para o vizinho.

— Melhor você ficar.

Roberto fechou a mão.

Na manhã seguinte, encontrou uma encomenda sobre o muro. Paulo devia tê-la recebido enquanto ele estava fora.

Não havia bilhete.

Roberto levou o pacote para dentro e, antes de fechar o portão, olhou para a casa ao lado.

A chave reserva agora estava novamente em sua gaveta.

Dessa vez, ele sabia exatamente onde.

O que não sabia era quanto tempo levaria para encontrar o resto.

(Betto Gasparetto – viii – mcmxciv)

O Sinal Fechado

Posted in Coleção - Crônicas on 9 de agosto de 2026 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

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O sinal fechou às sete e quarenta e três, justamente quando Marcelo decidiu que ainda conseguiria chegar ao trabalho sem precisar inventar uma desculpa muito elaborada. Tinha saído de casa doze minutos atrasado, o café no copo térmico já estava morno e, para completar, uma garoa fina começava a engrossar sobre o para-brisa.

Bateu os dedos no volante e conferiu o relógio do painel.

— Vamos, vamos…

O semáforo, indiferente aos compromissos profissionais de Marcelo, continuou vermelho.

Na avenida, três filas de carros se acumulavam diante do cruzamento. Um ônibus parou na faixa exclusiva, duas motocicletas se espremeram entre os veículos e um motorista, quatro carros atrás, começou a buzinar sem que houvesse qualquer lugar para onde os demais pudessem ir.

Marcelo olhou pelo retrovisor.

— Deve estar querendo que a gente passe por cima.

Foi quando apareceu o vendedor de balas.

Era um rapaz magro, talvez com pouco mais de vinte anos, usando uma capa de chuva transparente sobre uma camiseta vermelha. Carregava vários pacotes presos ao braço e caminhava entre os carros com a segurança de quem conhecia o tempo daquele semáforo melhor do que os engenheiros de trânsito.

— Três por dez! Bala, paçoca, amendoim! Três por dez!

Alguns motoristas levantavam o vidro quando ele se aproximava. Outros recusavam com a cabeça. Uma senhora comprou duas paçocas e perguntou se ele tinha troco para cinquenta.

— Tenho até para cem, dona. Hoje comecei rico.

Ela riu.

O motorista atrás buzinou novamente.

A senhora colocou a cabeça para fora da janela.

— Se continuar buzinando, vou escolher o sabor também!

Dessa vez, até Marcelo riu.

O sinal abriu e todos avançaram como se tivessem recebido autorização para fugir da cidade. Duzentos metros depois, outra luz vermelha interrompeu a corrida.

Marcelo respirou fundo.

Naquele cruzamento havia um homem vendendo água e outro oferecendo carregadores de celular. Mais adiante, um rapaz limpava para-brisas. Aproximou-se de um carro preto, recebeu uma negativa e seguiu para o próximo. Uma mulher aceitou o serviço.

Enquanto ele passava o rodo no vidro, o sinal ficou verde.

As buzinas começaram imediatamente.

A mulher procurava dinheiro dentro da bolsa, mas o rapaz já havia se afastado para liberar a passagem. Ela avançou alguns metros, encostou perto do meio-fio e esperou que ele viesse buscar o pagamento.

Marcelo observou pelo retrovisor enquanto seguia adiante.

No terceiro semáforo aconteceu algo curioso.

O vendedor de balas apareceu novamente.

Marcelo abaixou o vidro.

— Você está me seguindo?

O rapaz reconheceu o carro e respondeu:

— Eu estou trabalhando no mesmo lugar, chefe. Quem está rodando é o senhor.

Marcelo caiu na risada.

— Quanto é mesmo?

— Três por dez.

— Quero só um.

— Um custa quatro.

— Mas três custam dez?

— Estratégia comercial.

— Então você está me obrigando a economizar gastando mais?

— Agora o senhor entendeu o comércio brasileiro.

Marcelo entregou dez reais e recebeu os três pacotes.

— Você fica aqui todos os dias?

— De segunda a sábado. Quando chove, vendo menos bala e mais amendoim.

— Por quê?

O rapaz deu de ombros.

— Não faço ideia. Mas acontece.

Antes que Marcelo pudesse continuar a conversa, uma menina apareceu entre os carros vendendo panos de prato. O rapaz abriu espaço para ela passar e voltou para o canteiro central.

O sinal abriu.

Marcelo seguiu pela avenida com um pacote de balas no banco do passageiro e dois no bolso lateral da porta.

A garoa havia virado chuva. Nas calçadas, pessoas disputavam espaço sob as marquises. Um homem protegia a cabeça com uma pasta. Uma mulher corria carregando os sapatos nas mãos. No ponto de ônibus, passageiros se apertavam debaixo de uma cobertura pequena demais para tanta gente.

No cruzamento seguinte, Marcelo encontrou uma senhora atravessando a faixa com dificuldade. Caminhava devagar, apoiada numa bengala, enquanto o contador luminoso diminuía depressa.

Oito segundos.

Sete.

Seis.

Um entregador de bicicleta que aguardava no cruzamento percebeu a situação. Desceu, segurou a bicicleta com uma mão e ofereceu o outro braço à senhora. Os dois chegaram à calçada quando o contador já piscava no zero.

O sinal ficou verde.

Ninguém conseguiu avançar imediatamente porque o entregador ainda retornava para a bicicleta.

Uma buzina soou.

Depois outra.

Marcelo levou a mão ao volante.

Parou antes de apertar.

O rapaz montou na bicicleta, fez um gesto de agradecimento e seguiu.

Quando Marcelo finalmente chegou ao último cruzamento antes da empresa, estava vinte e três minutos atrasado. O relógio no painel parecia fazer questão de lembrá-lo disso.

O amarelo apareceu a poucos metros.

Havia tempo para acelerar.

O carro ao lado acelerou.

Marcelo também pisou no pedal, mas percebeu um homem correndo em direção à faixa, tentando alcançar o ônibus parado do outro lado da avenida.

Reduziu.

O sinal fechou.

O motorista atrás imediatamente buzinou.

Marcelo olhou pelo retrovisor. O homem gesticulava alguma coisa dentro do carro, claramente indignado com aqueles segundos perdidos.

Marcelo pegou um dos pacotes de balas e abriu.

O pedestre atravessou correndo e conseguiu alcançar o ônibus. Antes de subir, ainda levantou a mão na direção dos carros, num agradecimento que provavelmente ninguém considerou dirigido a si.

A chuva escorria pelo para-brisa. Os limpadores trabalhavam de um lado para o outro, empurrando a água que imediatamente voltava.

Marcelo mastigou uma bala e observou o movimento.

À sua direita, uma mulher retocava o batom olhando pelo espelho do carro. Um motociclista ajeitava a capa de chuva. Dentro de um ônibus, uma criança desenhava alguma coisa no vidro embaçado. Na calçada, um homem dividia um guarda-chuva pequeno com uma mulher e os dois tentavam caminhar sem que nenhum deles ficasse completamente molhado.

Tudo isso acontecia enquanto ele esperava.

O semáforo abriu.

Dessa vez, Marcelo demorou talvez dois segundos para perceber.

A buzina atrás dele veio imediatamente.

Ele arrancou devagar.

Chegou ao estacionamento da empresa às oito e onze. Desligou o carro, pegou a pasta e encontrou os dois pacotes de balas que sobraram.

Pensou no rapaz da capa transparente.

Três por dez.

Guardou um pacote na pasta e deixou o outro no porta-luvas.

Quando fechou a porta, ouviu ao longe uma sequência de buzinas vindo da avenida.

Provavelmente outro sinal havia fechado.

Marcelo olhou naquela direção por alguns segundos.

Depois entrou na empresa.

Na avenida, o vermelho continuava fazendo aquilo que sempre fizera: segurava carros por alguns instantes.

O que acontecia durante esses instantes já não era problema do semáforo.

(Betto Gasparetto – viii – mcmxciv)

Uma boa Leitura!

Posted in Coleção - Crônicas, Coleção - História Geral, Coleção - Poemas, Coleção - Poesia, Sonetos on 27 de dezembro de 2012 by Prof Gasparetto

 … é só clicar no título para ler ou imprimir. 

1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
2. 
A Comédia dos Erros -William Shakespeare
3. 
Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
4. 
Dom Casmurro -Machado de Assis
5. 
Cancioneiro -Fernando Pessoa
6. 
Romeu e Julieta -William Shakespeare
7. 
A Cartomante -Machado de Assis
8. 
Mensagem -Fernando Pessoa
9. 
A Carteira -Machado de Assis
10. 
A Megera Domada -William Shakespeare
11. 
A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
12. 
Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
13. 
O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
14. 
Dom Casmurro -Machado de Assis
15.. 
Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
16. 
Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
17. 
Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
18. 
A Carta -Pero Vaz de Caminha
19. 
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
20. 
Macbeth -William Shakespeare
21. 
Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
22. 
A Tempestade -William Shakespeare
23. 
O pastor amoroso -Fernando Pessoa
24. 
A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
25. 
Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
26. 
A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
27. 
O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
28. 
O Mercador de Veneza -William Shakespeare
29. 
A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
30. 
Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
31. 
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
32. 
A Mão e a Luva -Machado de Assis
33. 
Arte Poética -Aristóteles
34. 
Conto de Inverno -William Shakespeare
35. 
Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
36. 
Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
37. 
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
38. 
A Metamorfose -Franz Kafka
39. 
A Cartomante -Machado de Assis
40. 
Rei Lear -William Shakespeare
41. 
A Causa Secreta -Machado de Assis
42. 
Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
43. 
Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
44. 
Júlio César -William Shakespeare
45. 
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
46. 
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
47. 
Cancioneiro -Fernando Pessoa
48. 
Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional
49. 
A Ela -Machado de Assis
50. 
O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
51. 
Dom Casmurro -Machado de Assis
52. 
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
53. 
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
54. 
Adão e Eva -Machado de Assis
55. 
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
56. 
A Chinela Turca -Machado de Assis
57. 
As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
58. 
Poemas Selecionados -Florbela Espanca
59. 
As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
60. 
Iracema -José de Alencar
61. 
A Mão e a Luva -Machado de Assis
62. 
Ricardo III -William Shakespeare
63. 
O Alienista -Machado de Assis
64. 
Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
65. 
A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
66. 
A Carteira -Machado de Assis
67. 
Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
68. 
Senhora -José de Alencar
69. 
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
70. 
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
71. 
A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
72. 
Sonetos -Luís Vaz de Camões
73. 
Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
74. 
Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
75. 
Iracema -José de Alencar
76. 
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
77. 
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
78. 
O Guarani -José de Alencar
79. 
A Mulher de Preto -Machado de Assis
80. 
A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
81. 
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
82. 
A Pianista -Machado de Assis
83. 
Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
84. 
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
85. 
A Herança -Machado de Assis
86. 
A chave -Machado de Assis
87. 
Eu -Augusto dos Anjos
88. 
As Primaveras -Casimiro de Abreu
89. 
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
90. 
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
91. 
Quincas Borba -Machado de Assis
92. 
A Segunda Vida -Machado de Assis
93. 
Os Sertões -Euclides da Cunha
94. 
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
95. 
O Alienista -Machado de Assis
96. 
Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
97. 
Medida Por Medida -William Shakespeare
98. 
Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
99. 
A Alma do Lázaro -José de Alencar
100. 
A Vida Eterna -Machado de Assis
101. 
A Causa Secreta -Machado de Assis
102. 
14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
103. 
Divina Comedia -Dante Alighieri
104. 
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
105. 
Coriolano -William Shakespeare
106. 
Astúcias de Marido -Machado de Assis
107. 
Senhora -José de Alencar
108. 
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
109. 
Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
110. 
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
111. 
A ‘Não-me-toques’ ! -Artur Azevedo
112. 
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
113. 
Obras Seletas -Rui Barbosa
114. 
A Mão e a Luva -Machado de Assis
115. 
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
116. 
Aurora sem Dia -Machado de Assis
117. 
Édipo-Rei -Sófocles
118. 
O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
119. 
Pai Contra Mãe -Machado de Assis
120. 
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
121. 
Tito Andrônico -William Shakespeare
122. 
Adão e Eva -Machado de Assis
123. 
Os Sertões -Euclides da Cunha
124. 
Esaú e Jacó -Machado de Assis
125. 
Don Quixote -Miguel de Cervantes
126. 
Camões -Joaquim Nabuco
127. 
Antes que Cases -Machado de Assis
128. 
A melhor das noivas -Machado de Assis
129. 
Livro de Mágoas -Florbela Espanca
130. 
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
131. 
A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
132. 
Helena -Machado de Assis
133. 
Contos -José Maria Eça de Queirós
134. 
A Sereníssima República -Machado de Assis
135. 
Iliada -Homero
136. 
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
137. 
A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
138. 
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
139. 
Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
140. 
Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
141. 
Anedota Pecuniária -Machado de Assis
142. 
A Carne -Júlio Ribeiro
143. 
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
144. 
Don Quijote -Miguel de Cervantes
145. 
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
146. 
A Semana -Machado de Assis
147. 
A viúva Sobral -Machado de Assis
148. 
A Princesa de Babilônia -Voltaire
149. 
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
150. 
Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
151. 
Papéis Avulsos -Machado de Assis
152. 
Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
153. 
Cartas D’Amor -José Maria Eça de Queirós
154. 
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
155. 
Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
156. 
Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
157. 
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
158. 
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
159. 
Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
160. 
Almas Agradecidas -Machado de Assis
161. 
Cartas D’Amor – O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
162. 
Contos Fluminenses -Machado de Assis
163. 
Odisséia -Homero
164. 
Quincas Borba -Machado de Assis
165. 
A Mulher de Preto -Machado de Assis
166. 
Balas de Estalo -Machado de Assis
167. 
A Senhora do Galvão -Machado de Assis
168. 
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
169. 
A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
170. 
Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
171. 
CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
172. 
Cinco Minutos -José de Alencar
173. 
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
174. 
Lucíola -José de Alencar
175. 
A Parasita Azul -Machado de Assis
176. 
A Viuvinha -José de Alencar
177. 
Utopia -Thomas Morus
178. 
Missa do Galo -Machado de Assis
179. 
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
180. 
História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
181. 
Hamlet -William Shakespeare
182. 
A Ama-Seca -Artur Azevedo
183. 
O Espelho -Machado de Assis
184. 
Helena -Machado de Assis
185. 
As Academias de Sião -Machado de Assis
186. 
A Carne -Júlio Ribeiro
187. 
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
188. 
Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
189. 
Antes da Missa -Machado de Assis
190. 
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
191. 
A Carta -Pero Vaz de Caminha
192. 
LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
193. 
A mulher Pálida -Machado de Assis
194. 
Americanas -Machado de Assis
195. 
Cândido -Voltaire
196. 
Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
197. 
El Arte de la Guerra -Sun Tzu
198. 
Conto de Escola -Machado de Assis
199. 
Redondilhas -Luís Vaz de Camões
200. 
Iluminuras -Arthur Rimbaud
201. 
Schopenhauer -Thomas Mann
202. 
Carolina -Casimiro de Abreu
203. 
A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
204. 
Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
205. 
Memorial de Aires -Machado de Assis
206. 
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
207. 
A última receita -Machado de Assis
208. 
7 Canções -Salomão Rovedo
209. 
Antologia -Antero de Quental
210. 
O Alienista -Machado de Assis
211. 
Outras Poesias -Augusto dos Anjos
212. 
Alma Inquieta -Olavo Bilac
213. 
A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
214. 
A Semana -Machado de Assis
215. 
Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
216. 
A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
217. 
Esaú e Jacó -Machado de Assis
218. 
Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
219. 
História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
220. 
A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
221. 
Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
222. 
Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
223. 
Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
224. 
A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
225. 
Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
226. 
As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
227. 
O LIVRO D’ELE -Florbela Espanca
228. 
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
229. 
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
230. 
Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
231. 
A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
232. 
Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
233. 
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
234. 
A Bela Madame Vargas -João do Rio
235. 
Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
236. 
Cinco Mulheres -Machado de Assis
237. 
A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
238. 
O Cortiço -Aluísio Azevedo
239. 
RELIQUIAE -Florbela Espanca
240. 
Minha formação -Joaquim Nabuco
241. 
A Conselho do Marido -Artur Azevedo
242. 
Auto da Alma -Gil Vicente
243. 
345 -Artur Azevedo
244. 
O Dicionário -Machado de Assis
245. 
Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
246.. 
A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
247. 
AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
248. 
Cinco minutos -José de Alencar
249. 
Lucíola -José de Alencar
250. 
Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
251. 
A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
252. 
A Alegria da Revolução -Ken Knab
253. 
O Ateneu -Raul Pompéia
254. 
O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
255. 
Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
256. 
A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
257. 
Noite de Almirante -Machado de Assis
258. 
O Sertanejo -José de Alencar
259. 
A Conquista -Coelho Neto
260. 
Casa Velha -Machado de Assis
261. 
O Enfermeiro -Machado de Assis
262. 
O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
263. 
Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
264. 
A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
265. 
Poemas -Safo
266. 
A Viuvinha -José de Alencar
267. 
Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
268. 
Contos para Velhos -Olavo Bilac
269. 
Ulysses -James Joyce
270. 
13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
271. 
Cícero -Plutarco
272. 
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
273. 
Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
274. 
As Religiões no Rio -João do Rio
275. 
Várias Histórias -Machado de Assis
276. 
A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
277. 
Bons Dias -Machado de Assis
278. 
O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
279. 
A Capital Federal -Artur Azevedo
280. 
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
281. 
As Forças Caudinas -Machado de Assis
282. 
Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
283. 
Balas de Estalo -Machado de Assis
284. 
AS VIAGENS -Olavo Bilac
285. 
Antigonas -Sofócles
286. 
A Dívida -Artur Azevedo
287. 
Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
288. 
Uns Braços -Machado de Assis
289. 
Ubirajara -José de Alencar
290. 
Poética -Aristóteles
291. 
Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
292. 
A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
293. 
Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
294. 
Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
295. 
Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
296. 
Via-Láctea -Olavo Bilac
297. 
O Mulato -Aluísio de Azevedo
298. 
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
299. 
Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
300. 
A Pata da Gazela -José de Alencar
301. 
BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
302. 
Vozes d’África -Antônio Frederico de Castro Alves
303.. 
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
304. 
O que é o Casamento? -José de Alencar
305. 
A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht