AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (07/11)

Posted in Sem categoria on 28 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO  VII – HÁ UM DESERTO ENTRE NÓS NO MÊS DE DEZEMBRO

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Há entre nós um deserto de silêncios,
Areias que queimam os pés do arrependido.
Mas ainda assim sigo os teus vestígios,
Como quem busca um milagre perdido.

Tu foste o oásis da minha infância,
A água que saciou minha esperança,
Mas agora és miragem, distância
De um sonho que me cansa.

Mesmo se tua palavra for mirra,
E teu perdão for dor que delira,
Aceitarei teu passo, tua fronte.

Pois quem ama, mesmo ferido e torto,
Caminha por desertos em suor absorto
Até que encontre seu horizonte.


AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (06/11)

Posted in Sem categoria on 27 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO  VI – O JARDIM QUE NÃO FLORESCEU

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Plantamos juntos o jardim da estima,
Com sementes de riso e madrugadas,
Mas a tua ausência é seca que sublima
As flores que nunca serão acordadas.

Reguei esperanças, pesei os ventos,
E clamei à terra pelos teus intentos,
Mas tua mão, que outrora foi sustento,
Hoje não vem, não toca, não alento.

O jardim tornou-se campo de pedras,
E as flores dormem sob dores ledas,
Sonhando com o regresso do jardineiro.

Volta, mesmo que como tempestade,
Pois minha alma clama por verdade,
Ainda que venha de modo derradeiro.


AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (05/11)

Posted in Sem categoria on 26 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO  V – O LIVRO ABERTO DO REMORSO

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Abri o livro onde escreveste tua ausência,
E em cada página há silêncio em letras.
Ali jazem gestos, feitos em imprudência,
Riscados por mágoas, culpas secretas.

Oh! Por que não voltas para reler
As entrelinhas que não quis compreender,
E os parágrafos que eu quis esquecer
Mas guardo como lápides de saber?

Este livro é meu evangelho e cruz,
Com versos onde tua lembrança luz
Como sombra santa e contraditória.

Volta, e juntos reescrevamos a história
Com tinta feita de esperança inglória
E fé redimida na memória.


AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (04/11)

Posted in Sem categoria on 25 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO  IV – O GRITO NO ESPELHO DA AURORA

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Acordo e grito teu nome ao espelho,
Mas só minha imagem devolve a dor.
Vejo meus olhos — tão cheios de conselho —
E tão vazios do teu calor.

Cada manhã é sentença e relento,
Um corte aberto no firmamento,
E o grito, abafado em meu pensamento,
É súplica ao ausente, em sofrimento.

Quem dera pudesses escutar meu ser,
Que implora não por reviver,
Mas por ter chance de compreender.

Por que partiste com a lâmina fria,
Quando podíamos, mesmo em agonia,
Ser templo de um novo renascer?


QUANDO A ÚLTIMA PÉTALA SOBREVIVER, UM NOVO SOL BRILHARÁ NO HORIZONTE (01/17)

Posted in Sem categoria on 24 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Jhonnatan F. W. (jan/1978)

Arquivo I. O Despertar da Terra

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A alvorada que rompe o véu da noite, a terra parece suspensa, como se aguardasse uma revelação. O horizonte, antes claro, agora se cobre de cinza, e a memória de um tempo perdido ecoa nas mentes dos homens. O solo, marcado por batalhas e pegadas de pés cansados, já não sente o frescor da juventude das sementes. A terra se arrasta, carregando nas entranhas o peso de promessas não cumpridas, de sonhos que se desfizeram entre as mãos daqueles que ousaram acreditar.

O vento que antes trazia canções de paz agora sopra com o sabor amargo da desesperança. As aldeias, que já foram palco de risos e encontros, agora se vêem escuras, quase fantasmas de si mesmas. O medo que se espalhou entre as pessoas criou um abismo, um isolamento imensurável. Todos parecem andar sem destino, como se o sentido da vida tivesse se perdido nas nuvens cinzentas da desilusão.

No entanto, há algo que persiste, uma chama enfraquecida, mas que se recusa a ser apagada. O olhar de quem sobreviveu revela uma força silenciosa, um desejo profundo de que, em algum lugar distante, a luz da esperança ainda possa encontrar seu caminho. As cicatrizes do passado, embora profundas, não conseguiram erradicar a memória de um tempo em que a vida pulsava com uma intensidade única. E, por mais que o cenário esteja devastado, ainda há um fio tênue que conecta os homens àquilo que eles perderam.

______________________________________*_*_*_________________________________________