Conheci um homem capaz de possuir uma expressão para cada circunstância, cordial diante daqueles que poderiam favorecer sua caminhada, severo com quem não oferecia vantagem e extraordinariamente humilde quando necessitava receber aquilo que jamais pensara em retribuir.
Sua coleção de máscaras seria admirável se não fosse tão miseravelmente humana, porque quase todos carregamos pequenos disfarces para sobreviver ao cotidiano, mas alguns terminam esquecendo completamente o rosto que havia antes deles e passam a considerar sinceridade uma ingenuidade reservada aos derrotados.
Foi assim que também me enganei no amor, contemplando uma dessas máscaras, convencido de que aquela delicadeza pertencia verdadeiramente à pessoa, quando era somente uma aparência utilizada enquanto minha presença interessava e retirada sem cerimônia depois que outra conveniência ocupou meu lugar.
Desde então, tenho dificuldade diante das gentilezas excessivamente calculadas, dos elogios distribuídos como investimentos e das amizades estrategicamente cultivadas; há qualquer coisa de nauseante nessa contabilidade permanente das relações, nessa necessidade de transformar cada encontro humano em possibilidade de lucro.
Quando finalmente todas as máscaras caem, quase nunca encontramos um monstro, pois seria fácil demais explicar a humanidade através de criaturas excepcionais; encontramos apenas alguém assustadoramente comum que decidiu tantas vezes fingir que já não consegue distinguir aquilo que sente daquilo que lhe convém demonstrar.
Talvez tenha existido um momento em que aquele homem diante de mim pretendesse realmente ser melhor do que as circunstâncias permitiam, mas alguma vantagem apareceu oferecendo atalhos suficientemente atraentes e sua dignidade foi ficando para trás como uma mala considerada pesada.
Nada aconteceu de repente, pois a decadência prefere movimentos discretos; primeiro veio uma pequena mentira para evitar algum constrangimento, depois outra para proteger a primeira, seguida de uma conveniente omissão, até que a verdade passou a parecer uma visitante desagradável naquela casa.
Assim também morreu o amor que eu acreditava possuir alguma permanência, não sob o estrondo de uma grande traição, mas pelo desgaste das pequenas, pela soma de ausências cuidadosamente justificadas e promessas adiadas, até restar entre nós somente a educação necessária para esconder o desprezo.
É curioso observar quanto o homem consegue habituar-se à própria degradação, desde que possa encontrar ao redor alguém disposto a praticar coisa semelhante; a consciência parece menos incômoda quando encontra companhia para seus erros, como se duas indignidades reunidas pudessem fabricar alguma espécie de virtude.
Eu me afastei levando comigo uma tristeza que ainda desconhecia seu tamanho, mas também aquela repugnância inevitável diante de tudo que havia presenciado, pois existem despedidas que não acontecem porque o amor finalmente terminou, mas porque permanecer significaria aprender a desprezar também a nós mesmos.
Transformamos quase tudo em mercadoria e depois estranhamos a solidão, como se fosse possível colocar preço na amizade, vantagem na delicadeza, rentabilidade na confiança e prazo de validade nos sentimentos humanos sem terminar algum dia negociando também aquilo que somos.
Há quem distribua carinho conforme a importância social do destinatário, quem aperte mãos calculando silenciosamente o benefício daquele contato, quem elogie apenas os poderosos e atravesse os humildes com os olhos, como se a dignidade obedecesse à mesma tabela utilizada para calcular fortunas.
Meu amor também foi negociado sem que eu conhecesse as condições, e talvez essa tenha sido a parte mais amarga de toda aquela história; entreguei presença imaginando receber verdade, ofereci lealdade esperando respeito e descobri tarde demais que participava sozinho daquele acordo sentimental.
Não me revolta o término, porque todo amor pode encontrar seu último dia, mas a falsificação dos sentimentos me provoca uma repulsa difícil de explicar; há algo profundamente miserável em permitir que alguém continue acreditando naquilo que já morreu apenas porque sua permanência ainda oferece conforto.
Somos extraordinariamente hábeis em contabilizar aquilo que os outros devem e assustadoramente incompetentes quando precisamos examinar nossas dívidas, por isso tantos caminham orgulhosos carregando uma riqueza exterior admirável enquanto deixam atrás de si uma multidão de afetos que jamais souberam honrar.
Existe uma crueldade silenciosa que não necessita levantar a voz, pois vive tranquilamente naquele que observa a necessidade alheia e decide continuar sua caminhada para preservar alguns minutos, algumas moedas, alguma comodidade ou a integridade de seu conforto.
Essa indiferença me parece mais repugnante do que muitas hostilidades, porque o inimigo declarado ao menos concede a honestidade do confronto, enquanto o indiferente contempla a queda, ajusta cuidadosamente a roupa e segue adiante satisfeito por não ter sido escolhido pela desgraça.
Amar alguém assim foi minha maneira mais dolorosa de aprender o mundo, pois durante anos confundi silêncio com serenidade e distância com prudência, até compreender que havia simplesmente uma ausência organizada de afeto onde minha esperança insistia em construir uma residência permanente.
Não guardo desejo de vingança, porque seria continuar preso ao mesmo gesto, mas existe em mim um desprezo profundo por aquela facilidade de abandonar, pela habilidade humana de esquecer rapidamente quem esteve ao seu lado quando a própria vida parecia pesada demais para ser carregada sozinho.
O amor perdido ainda dói, porém dói menos que aquilo que revelou, porque perder alguém pode ser somente uma circunstância da existência, enquanto descobrir a indigência escondida em quem julgávamos generoso é assistir ao desabamento de uma ideia que jamais poderá ser reconstruída.