Posted in Sem categoria on 23 de março de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
XXXIII – O Reflexo Inverso da Alma
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
No espelho, vejo o reflexo da alma, Será que, no fundo, há algo que se esconde? E tu, que és distante como a palma, Por que meu ser em silêncio te responde?
O amor platônico é como uma chama, Que nunca se apaga, mas que arde em paz, E, embora o coração, na dor se trama, A mente questiona o que é, e o que faz.
Seria o amor uma miragem distante, Que o ser deseja, mas nunca alcança? Ou será que ele é puro, sem instante, Apenas um sonho que em silêncio avança?
Posted in Sem categoria on 22 de março de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
XXXII – O Vento Norte e a Estrela Sul
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
O vento, que nos toca sem tocar, Será a metáfora do que não se vê? E tu, estrela no céu a brilhar, Serás o amor que nunca conheci?
Em tuas órbitas vejo o meu desejo, Como um planeta que não chega ao sol, E o coração, que navega em teu ensejo, Se perde em galáxias, sem ter um farol.
Será que o amor é como o vento que passa, Ou como uma estrela que se apaga ao luar? O que é o amor, senão essa ameaça De nunca alcançar o que está no olhar?
Posted in Sem categoria on 20 de março de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
Euphoria nr. XI – PÉTALAS AO VENTO – A última pétala
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
A manhã, tão calma e profunda, parecia suspensa no tempo, como se o mundo inteiro estivesse aguardando o momento em que a última pétala se desprenderia do seu rastro, para finalmente deixar que o ciclo se completasse. O campo diante dela, imenso e sereno, agora não trazia mais o eco das dúvidas, mas a quietude da certeza. O vento, que até então a guiara suavemente, parecia agora em repouso, como se soubesse que a jornada de transformações estava prestes a se encerrar, dando espaço para uma nova quietude, um novo começo.
A jovem, com os olhos voltados para o horizonte, sentia o peso da mudança, mas não a temia. Havia, agora, algo diferente nela. Não era mais a busca pela libertação, nem a esperança do novo que a movia. Era algo mais profundo, algo que vinha da paz interior conquistada a cada pétala que se dispersava, a cada passo dado. O campo, tão vasto e silencioso, parecia acolher suas últimas dúvidas, que já não eram mais suas, mas ecos de um passado que, finalmente, se desfazia.
O vento se levantou uma última vez, com um toque suave, como se o mundo estivesse dizendo que a última pétala estava prestes a se soltar. Era como se tudo tivesse chegado ao ponto final de uma longa jornada, onde o antes e o depois se uniam em um único momento de completa transformação. A jovem, com a alma tranquila, fechou os olhos e sentiu, em sua pele, a suavidade da brisa que a envolvia, como se estivesse sendo abraçada por todo o universo que a cercava. O vento a havia guiado até ali, mas agora ela compreendia que a última pétala não seria apenas um símbolo de despedida, mas de plenitude.
A última pétala, que ainda restava suspensa na ponta de um galho, tremia ligeiramente, como se sentisse o peso do momento. Era uma pétala dourada, tocada pela luz suave da manhã, que parecia refletir todas as cores que ela havia vivido, todas as emoções que a jovem havia sentido. E, quando o vento finalmente a tocou, ela se desprendeu, caindo suavemente no campo ao redor, onde já outras pétalas repousavam, fundindo-se com a terra, com o ciclo da vida.
A jovem observou, em silêncio, o último gesto do vento. A última pétala se perdeu no ar, levando consigo tudo o que era efêmero e precioso, deixando no solo um rastro invisível de algo que já não precisava ser mais. Não havia mais necessidade de lembrar, nem de buscar. Ela sabia que, como as pétalas, ela também se espalharia, mas sempre se tornaria parte de algo maior, algo que transcendia a compreensão, como o vento que, sem ser visto, move tudo à sua volta.
A última pétala caiu, e com ela, a jovem sentiu que finalmente podia descansar. O ciclo se completava, a transformação se fechava. Ela estava em paz, sabendo que, assim como a última pétala se perde ao vento, ela também havia encontrado seu lugar no vasto campo da vida. Não era mais uma peregrina, não mais uma buscadora, mas alguém que compreendia, com profunda sabedoria, que tudo o que nasce também se despede, e que a despedida é, por sua vez, um novo começo.
E, enquanto o vento se acalmava, ela sorriu, tranquila, sabendo que a última pétala não era um fim, mas uma continuidade, o último suspiro de algo que permanece em tudo o que é, que nunca se perde, mas se reinventa.
O vento, que a guiou ao longo de sua jornada, agora a deixava em seu silêncio final, mas não em solidão, pois ela sabia que a vida, como as pétalas ao vento, segue seu caminho, eternamente se renovando, sempre se espalhando, sempre voltando ao início.
Posted in Sem categoria on 19 de março de 2025 by Prof Gasparetto
(Betto Gasparetto)
Euphoria nr. X – PÉTALAS AO VENTO IX
By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
O amanhecer despontava, suave e imperceptível, como se a luz que surgia não fosse mais do que um reflexo de uma verdade interna que, finalmente, se revelava. O campo, ainda envolto em sombras delicadas, parecia aguardar a jovem, que, com os pés tocando a terra fria, sentia o peso do ontem se dissolver a cada passo. O vento, agora mais brando, acariciava seus cabelos, como se, a cada sopro, lhe concedesse a permissão para seguir. As pétalas que, durante tanto tempo, haviam flutuado ao seu redor, estavam agora em um estado de completa dispersão, como se fossem as últimas marcas de algo que havia sido vivido em sua totalidade e agora, silenciosamente, desaparecia.
Ela caminhou sem pressa, os olhos fixos no horizonte, onde o céu começava a se tingir de um tom mais quente, como se o próprio dia começasse a despertar para o novo ciclo. Não havia mais vestígios daquelas paredes antigas, nem do salão nobre que, em outros tempos, guardara seus desejos e lamentos. Agora, a jovem era como as pétalas ao vento – sem direção, sem amarras, mas com a certeza de que, ao ser levada pela brisa, algo belo e profundo nasceria dessa jornada. O vento, sempre presente, parecia agora ser o guia de sua alma, conduzindo-a sem pressa, sem julgamento, apenas com a serenidade do momento que se desdobrava.
O campo ao seu redor se estendia, infinito em sua simplicidade, e ela sentia como se o próprio chão sob seus pés fosse um reflexo de sua própria transformação. Cada passo dado era um passo para longe do que fora, mas também um passo para perto de algo mais pleno, mais verdadeiro. Não havia mais medo do que o futuro poderia trazer, pois a jovem compreendia, com a sabedoria que a vida lhe concedera, que o vento não leva as pétalas para destruir, mas para revelá-las em toda sua verdadeira essência.
A luz da manhã, agora mais forte, iluminava as pétalas dispersas pelo campo, dando-lhes uma nova vida, um brilho sutil que as tornava mais belas, mais intemporais. Ela parou, por um momento, e olhou para aquelas pétalas, agora tocadas pela luz suave do novo dia. Era como se, ao se despir do passado, ela também se tornasse parte desse ciclo eterno de transformação. As pétalas, caindo e se espalhando, eram agora testemunhas de um processo que não tinha fim, um processo que refletia a própria essência da existência humana.
O vento, agora mais forte, parecia dançar ao seu redor, tocando a pele da jovem com a leveza de uma promessa, de um caminho que ela ainda não podia ver, mas que já sentia em seu coração. O campo, silencioso, parecia absorver as últimas palavras que ela não havia dito, as últimas lembranças que ainda restavam. Mas, com cada novo sopro do vento, essas palavras e essas lembranças se dissipavam, tornando-se parte do vasto silêncio que a cercava. Não havia mais necessidade de palavras; o vento, como um amigo fiel, já dizia tudo o que ela precisava ouvir.
Ela fechou os olhos por um instante, permitindo que a brisa tocasse sua face, levando consigo as últimas sombras da dúvida e da tristeza. O vento não trazia respostas, mas sim a certeza de que a busca não era mais necessária. Não era o futuro que ela temia, nem o passado que ela lamentava. Era o presente, o simples fato de estar ali, com o vento, com as pétalas, com o campo diante de si, que lhe dava a verdadeira paz.
Quando ela abriu os olhos, o campo à sua frente parecia ter se transformado. Não era mais um espaço vazio, mas um espaço de possibilidades, onde cada passo poderia ser dado sem receio, sem hesitação. O vento, que antes parecia ser uma força externa, agora parecia ser uma extensão de seu próprio ser, algo que a impulsionava, a guiava, a fortalecia. Ela estava pronta, não porque tivesse todas as respostas, mas porque, pela primeira vez, compreendia que a jornada não é feita de certezas, mas de confiança. Confiança no que o vento lhe traria, confiança no caminho que, embora invisível, estava ali, diante dela.
As pétalas ao vento não eram mais uma metáfora de perda, mas de renovação. O vento não as destrói, ele as liberta. E, ao deixar-se levar por ele, ela também se liberta. O futuro, agora, não era mais um desconhecido temido, mas um convite sereno, um convite a viver, a dançar com o vento, a seguir a jornada sem saber onde ela terminaria, mas com a certeza de que ela seria, enfim, suficiente.
Ela sorriu, pela última vez olhando para as pétalas que dançavam à sua volta, e, com os pés firmemente plantados na terra e o coração tranquilo, deu o primeiro passo. O vento a seguiu, e com ele, ela sabia que suas pétalas, como suas memórias, voariam, se espalhariam, mas sempre retornariam ao mesmo ciclo – um ciclo eterno de vida, de amor e de libertação.