PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 01/12

Posted in Sem categoria on 9 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

PÉTALAS AO VENTO – Introito

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Ó, que visão se revela neste silêncio,
Onde o dorso da tarde se curva, tremor sutil
De um amor que se esvai, como brisa errante
A tocar as pétalas que caem do céu sombrio.
A jovem, sem pressa, repousa no solo,
No leito das lembranças que o tempo esqueceu,
Sua veste singela e os cabelos que dançam
Aos suspiros de uma saudade que não se apaga.

À luz dourada que banha a frágil sala,
Entre sombras que se estendem como dedos de um passado,
Ela repousa, alma etérea, quase um sonho,
Como se o mundo ao redor fosse tão distante,
E ela, mera sombra entre as ruínas,
Respondesse ao clamor das pétalas que caem.

Vê, nas mãos, a ânsia de um amor perdido,
Que flui nas veias como água de um rio seco.
Os olhos que contemplam, com devoção e dor,
O altar de vestígios — relicários de outrora,
Onde o vento, inconstante e cruel,
Sussurra nomes de um tempo que já não existe.
Memórias repousam na superfície da madeira antiga,
Fluídas como as flores secas que adornam o espaço.
Cada chama, uma lágrima suspensa no ar.

E no canto, entre as sombras,
Onde as rochas caídas guardam segredos,
A presença do mistério dança à luz moribunda,
Como um eco de um grito que já não se ouve,
Mas permanece reverberando na essência do silêncio.

Assim, a jovem, sentada entre as pétalas e o tempo,
Encontra-se, ela mesma, perdida nas correntes da saudade,
Entre o que foi e o que jamais retornará.
A luz que a abraça, como uma memória encantada,
É a mesma que se desfaz, deixando na sala
O suave rastro da efemeridade,
Onde as pétalas ao vento, flutuando,
Sussurram promessas esquecidas
Que o coração, frágil como o último suspiro,
Ainda deseja ouvir.

Oh, não há mais palavras,
Apenas a doce dor daquilo que se foi.

Em meio à quietude que se estende como um véu de seda,
A jovem repousa, seus pensamentos entrelaçados
Com o eco distante de vozes que já não tocam mais.
Os anos passaram, mas a dor do passado permanece
Como as cinzas que resistem ao sopro do vento.
Suas mãos, frágeis, tremem levemente ao tocar
As pétalas espalhadas no chão,
Cada uma delas uma história que desabou sem aviso,
Como um amor que se desfaz na brisa sem fim.

O sol, já a ponto de se esconder no horizonte,
Pinta o ambiente com uma luz suave e morna,
E tudo ao redor parece se aquecer sob seu olhar triste.
Os móveis antigos, cobertos pela poeira do tempo,
Guardam em seus cantos as memórias de um lar
Que nunca mais será o mesmo,
Como os sussurros de um nome, já perdido,
Mas que ainda se guarda nos recantos da alma,
Onde o eco nunca morre, mas apenas se transforma.

E, ao levantar o olhar,
Ela vê o reflexo das velas no vidro empoeirado,
Chamas que dançam como fantasmas de um passado
Que ainda se recusa a se dissipar.
Cada vela, um farol, um lembrete de tudo o que se foi,
Cada centelha, uma promessa feita e quebrada,
Cada chama, um desejo que jamais se realizou.
E, contudo, no coração da jovem,
Há uma chama que arde suavemente,
Como se as pétalas do vento ainda lhe sussurrassem
Que, mesmo no abandono, ainda há beleza a ser vivida.

O ar, carregado de poeira e saudade,
Parece contar-lhe histórias de amores antigos,
De momentos em que o céu parecia mais próximo,
De risos que ecoavam nas paredes de pedra,
Agora mudas, agora vazias.
E o altar, com suas velas, flores secas e relicários,
Ergue-se como uma ponte entre o mundo visível e o invisível,
Onde o tempo se curva e as sombras se tornam luz,
Onde a memória, embora cansada, não desiste de existir.

O vento, que agora entra pela janela entreaberta,
Carrega consigo o perfume das pétalas caídas,
Mistura-se com o aroma das flores vermelhas
Que trepam pelas paredes, desafiando o abandono.
E a jovem, envolta em sua quietude, sente-se
Parte desse fluxo constante, dessa dança
Entre a presença e a ausência, entre a dor e a beleza,
Sabendo, no fundo de seu ser, que tudo o que é belo
É também efêmero, como as pétalas ao vento.

Assim, no silêncio que paira como uma prece não dita,
Ela permanece, uma sombra entre as sombras,
Aguardando, quem sabe, a chegada de um novo amanhecer,
Ou, quem sabe, a despedida definitiva de um amor
Que, como o vento, não pode ser tocado,
Mas cujas lembranças continuam a se espalhar
Nas pétalas, nas paredes, nos suspiros do ar.
E mesmo que o tempo passe e o vento se acalme,
Ela saberá que, por mais que as pétalas se dispersem,
Elas sempre voltarão, suavemente, a tocar o chão.

(Betto Gasparetto – viii/xviii)

ALÉM DA ILHAS, O HOMEM INVENTOU O CAOS! (06/17)

Posted in Sem categoria on 8 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Exílio nr. 6 – O Império do Vazio

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No império da vaidade, onde a alma é trocada,
O homem se ergue, mas o trono é de sal.
As riquezas que conquista não o tornam mais que nada,
E o vazio se instala, profundo e fatal.

O mercado que canta melodias de ouro e poder,
Cega os olhos e silencia o coração.
O homem, em sua ânsia de ter e de obter,
Esquece que o valor real reside na união.

O amor, antes sagrado, hoje é mercadoria,
Vendido em leilões onde o afeto é destituído.
A terra, que ao homem ofereceu sua história,
Agora sofre, esquecida, e ao homem é desconhecido.

Os rios que antes fluíam com força e com vida,
Agora são apenas sombras que não tocam mais o chão.
E o homem, perdido em sua busca atrevida,
Não percebe que a dor já toma conta da nação.

A vida, que antes era simples e serena,
Agora se desfaz nas mãos de quem só quer mais.
O amor, que antes nutria, agora é cena,
De um palco vazio onde as emoções são iguais.

O homem, em sua corrida para conquistar,
Esquece que a verdadeira riqueza está em dar.
A terra, que clama por um novo olhar,
Se vê novamente ferida, sem saber como curar.

O império do vazio, onde o ego reina absoluto,
Faz da alma um espelho quebrado e perdido.
E no final, o homem se vê sem o fruto,
Pois, no fim, sua busca o deixou vazio e despido.

O amor foi embora, e o homem não se deu conta,
Que ao correr atrás da fortuna, perdeu o que importava.
Agora, no silêncio, a terra chora e aponta,
Que no império do vazio, a alma já não fala.

(Betto Gasparetto – iii-vi/mcmlxxxiii)

ALÉM DA ILHAS, O HOMEM INVENTOU O CAOS! (04/17)

Posted in Sem categoria on 7 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Exílio nr. 4 – O Grito da Terra

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A água que descia das montanhas serenas,
Agora se esvai, sem mais força ou direção.
O homem, que antes respeitava as linhas amenas,
Agora destrói com suas mãos o que restou da criação.

O pecado floresce, mas a terra morre aos poucos,
Em cada rua, o desejo é mais forte que a razão.
O amor, que outrora nutria os corações loucos,
Agora se dissolve na busca pela ilusão.

O sertão, que se via fértil e cheio de promessas,
Agora é um deserto de esperanças perdidas.
O homem busca sua glória em portas de ouro,
Enquanto as aldeias murcham, suas almas esquecidas.

Águas que antes nutriam o campo e a aldeia,
Hoje se transformam em rios de seca e dor.
O homem, imerso na ganância que trabalha e que despeja,
Ignora o grito da terra, que implora por amor.

O amor que um dia era força, agora é espólio,
Vendido a peso de ouro, como algo sem valor.
As flores, que no campo floresciam com o sol,
Agora secam na sombra da indiferença e do pavor.

A terra chora, mas seus rios estão mudos,
As montanhas, antes testemunhas da vida, já não ouvem.
O homem, em sua fúria, destrói o que foi um dia,
E a essência da criação, aos poucos, morre e não revive.

O pecado, em seu apetite insaciável, consome,
O amor é uma memória, um eco distante.
E a terra, com seu último suspiro, se abandona,
Enquanto o homem se perde na busca do instante.

O grito da terra é um clamor que ninguém ouve,
Enquanto o ouro brilha e a verdade se esconde.
A água, que um dia fez crescer as plantas e os sonhos,
Agora é só uma lembrança que o tempo, cruel, responde.

(Betto Gasparetto – iii-vi/mcmlxxxiii)

ALÉM DA ILHAS, O HOMEM INVENTOU O CAOS! (03/17)

Posted in Sem categoria on 6 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Exílio nr. 3 – Os Rios da Indiferença

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Às margens do ribeirão, a corrente já é mansa,
E o riso das crianças se apaga no ar.
O homem, que busca poder, esquece a esperança,
E o mundo, perdido em sua corrida, começa a se quebrar.

Águas, antes férteis, já não banham mais o campo,
E o sorriso da aldeia se perdeu em sua dor.
O sertão, que respirava vida, agora é um tanto,
E o amor, que se compartilhava, virou um rumor.

O homem, que movia montanhas, agora se estanca,
No mercado que consome tudo, até a alma pura.
A terra, que era rica, se vê sem esperança,
E o amor se dissolve na busca por uma luxuosa estrutura.

Águas que antes moviam moinhos, hoje encharcam o chão,
São as mesmas que afogam o último grão de dignidade.
O homem, sem compaixão, fecha os olhos para a nação,
E a terra, sem cura, sofre na fragilidade.

O amor, que antes era força, hoje é apenas sombra,
E as flores que nasciam com o toque da mão,
Se tornam secas, esquecidas, como a memória da onda,
Que levou a inocência e deixou o desespero no chão.

E no eco dos rios, um silêncio profundo ressoa,
O mercado grita, mas o coração já não escuta.
Os rios, que antes eram caminhos de esperança,
Agora são só lembranças, perdidas e sem luta.

O homem busca riquezas e esquece a vida simples,
A terra, que clama, não tem mais quem a ouça.
E o amor, que poderia curar, se perde nas cifras e nos limites,
Enquanto o mundo se desfaz nas mãos de quem o devora e o entoca.

(Betto Gasparetto – iii-vi/mcmlxxxiii)

ALÉM DA ILHAS, O HOMEM INVENTOU O CAOS! (02/17)

Posted in Sem categoria on 5 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Exílio nr. 2 – O Canto da Solidão II

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Em cada passo, o brilho do ouro cega a visão,
O homem corre atrás de um ouro que arde e consome.
Nos olhos, o vazio reflete a desesperança,
Como um espelho quebrado que já não retorna à forma.

O mercado grita, mas a terra não é ouvida,
As promessas afogam-se nas águas rasas da ganância.
O amor, que antes unia, agora se desfaz nas mãos,
No eco de acordos feitos, onde a alma se silencia.

A humanidade se dissolve em seu próprio reflexo,
Perdendo a direção, e a terra, o canto da flor.
O que antes era união se desfaz em desespero,
Onde o amor foi um bem que se comprou no erro.

Águas que antes banhavam os campos secos,
Agora correm sem rumo, sem dar vida à lavoura.
O homem se esquece do que é sagrado e puro,
E sua sede nunca é saciada, por mais que beba da loucura.

O amor se perdeu entre os gritos da ambição,
E as ruas, que outrora estavam repletas de vida,
Agora ecoam o som da indiferença e da divisão,
Onde tudo se compra, mas nada se adquire com a alma perdida.

A terra clama por um novo amanhecer,
Mas o homem está cego, e sua visão é curta.
Na busca desenfreada, o amor se perde e morre,
E o futuro se vê ameaçado pela sombra que o envolve.

A chama que o homem acende queima e apaga,
E o ouro, que deveria brilhar, se dissolve em poeira.
Diante do espelho, ele só vê o vazio que lhe resta,
E o amor, então, se perde na noite inteira.

(Betto Gasparetto – iii-vi/mcmlxxxiii)