VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (5/7)

Posted in Sem categoria on 20 de fevereiro de 2025 by Prof Gasparetto

 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 5. Lágrimas de Bálsamo nas Noites de Sidon

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Deixei meu pranto misturar-se ao bálsamo,
Que os ventos de Sidon espalham ao luar,
Mas nem a mirra que dorme nos campos,
Poderia meu peito acalmar.

Os laranjais ainda florescem ao longe,
E os figos amadurecem sob o sol ardente,
Mas onde estás tu, cuja ausência fere,
Mais do que o tempo, mais do que a mente?

Açafrão e rosas ainda perfumam os vales,
E o cedro se ergue sem ceder ao vento,
Mas o amor, que um dia foi nosso alento,
Agora é sombra de um doce tormento.

Se ao menos teus olhos me buscassem na aurora,
Se teus dedos tocassem as folhas do mar,
Saberias que em cada suspiro do Oriente,
Minha alma, em silêncio, ainda te quer lembrar.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (4/7)

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 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 4. Romãs Partidas Sob a Lua de Tiro

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Sob a lua de Tiro, onde as ondas sussurram,
Caminhei entre romãs partidas ao chão,
E em cada grão rubro que a noite banhava,
Vi o reflexo da nossa ilusão.

Os cedros inclinavam-se em preces ao vento,
As uvas pendiam, pesadas de dor,
Mas nos mercados de Beirute e Sidon,
Só encontrei cinzas do nosso amor.

A brisa do Levante trazia lembranças,
O perfume das videiras embriagava o cais,
Mas nenhuma carícia dos ventos do Oriente,
Poderia refazer o que partiu para trás.

Se um dia teus olhos encontrarem os meus,
Entre açucenas que brotam sem pressa,
Saberás que no brilho da lua de Tiro,
Ainda me prendo à dor que me resta.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (3/7)

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 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 3. Vestígios de Amor nas Ruínas de Cartago

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Nos arcos partidos das ruínas de Cartago,
Onde a história se dobra ao peso do tempo,
Teu nome ainda ecoa nas colinas,
Como prece perdida ao vento.

Os mercadores de mirra falavam de amores,
Mas nenhum sabia do nosso adeus,
E entre figueiras retorcidas de dor,
Ainda ressoam os sussurros teus.

Os rios secaram, os jasmins tombaram,
E as tâmaras murcham sem teu calor,
Mas nos portos de Gaza, onde o mar repousa,
O sal das águas ainda guarda meu ardor.

Se um dia teus pés pisarem as terras de Ascalão,
E teus olhos fitarem o horizonte sem fim,
Saberás que entre o tempo e as ruínas,
Ainda te espero dentro de mim.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (2/7)

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 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 2. O Eco Perdido nas Dunas de Amã

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Nos ventos de Amã, onde as laranjas florescem,
Sussurrei teu nome ao sol poente,
Mas o deserto, em sua fúria severa,
Devolveu-me apenas o eco ausente.

Açafrão e rosas enfeitavam as praças,
Os souks recendiam a incenso e desejo,
Mas nem o aroma das tâmaras maduras,
Trouxe de volta o calor do teu beijo.

Nas margens do Tigre, banhei meu rosto,
Com águas que um dia tocaram teus pés,
E entre os lírios que nascem em Gaza,
Sepultei promessas que nunca esquecerei.

Se ao menos a brisa dos montes do Líbano,
Levasse a ti meu último alento,
Saberias que mesmo entre dunas e sombras,
Ainda sou prisioneiro do teu pensamento.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (1/7)

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 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 1. No Entardecer dos Cedros de Beirute

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No entardecer dos cedros, onde o vento se perde,
Busquei teu olhar entre as sombras do dia,
Mas tua ausência, qual perfume que esmorece,
Pairava na brisa, fria e vazia.

Toquei as tâmaras pendidas ao sol,
Mas nelas não havia a doçura dos teus lábios,
E entre figueiras que suspiravam promessas,
Somente o silêncio respondeu aos meus fados.

Os rios do Oriente cantavam teu nome,
E as folhas das palmeiras dançavam ao vento,
Mas onde estava tua voz, tão terna, tão minha,
Que um dia moldou o tempo em alento?

Se um dia teus passos cruzarem Sidon,
E teu olhar repousar sobre as vinhas de Tiro,
Saberás que entre mirras e bálsamos,
Ainda te espero entre lamentos e suspiros.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)